O nascimento e as atualizações de uma carteira de investimentos (1ºS/2020)


Como montar uma carteira de investimentos do zero baseada na estratégia de alocação de ativos?
Veja o plano que minha filha está seguindo e suas atualizações até o primeiro semestre de 2020.
Bônus: faça o download gratuito de uma planilha financeira fundamental para o controle de seu portfólio.


O propósito desse texto é ajudar pessoas a iniciar sua própria gestão de investimentos, através do método de alocação de ativos. Ele mostrará como criar uma carteira de investimentos do zero, baseada no exemplo de minha filha, que a iniciou em 2018.

A construção de seu plano de investimentos, que pode ser elaborada para diversos perfis financeiros, é uma viagem lenta e certa para sua independência financeira. Vale a pena você se aventurar nesse mundo se desejar ter uma vida de paz e liberdade!

Vamos aos passos iniciais, então? Ou então, guie-se pelo índice para ir à seção desejada.

Como começar um plano e uma carteira de investimentos?

Plano de investimentos financeiros e liberdade

Há tempos procuro passar à minha filha o valor da independência financeira. Possuir a liberdade de não depender da renda de um emprego ou de um trabalho qualquer nos dispensa de trocarmos nosso tempo por dinheiro. Isso significa ser protagonista em escolher o que fazer na sua vida. Liberdade financeira é, muito antes de ser algo relacionado ao dinheiro, vinculada a tempo livre.

Construir uma carteira de investimentos financeiros é muito mais do que simplesmente “economizar”. É investir de maneira correta. Com as taxas de juros em níveis nunca vistas no Brasil, manter o dinheiro na renda fixa não adiantará a independência financeira. Pior: poderá ser um empecilho para seu alcance.

No caso dos jovens, em particular, essa mudança de modelo mental é algo que não deve ser desperdiçado, uma vez que eles possuem um privilégio fundamental: são donos de um tempo que permite uma ação mais efetiva dos juros compostos. Aproveitar essa condição permite que a liberdade financeira seja alcançada ainda com boa saúde e com tempo livre, eles possam direcionar seu destino para o rumo que desejarem.

Condições prévias para montar sua carteira de investimentos

Antes de criar um plano de investimentos, precisamos nos atentar para 3 condições prévias. As perguntas que precisam ser respondidas são:

  1. Já possuo uma reserva de segurança adequada?
  2. Qual o meu perfil de investidor(a)?
  3. Quais corretoras de valores devo escolher?

Após essas considerações, passamos à estratégia inicial de investimentos e ao final, às atualizações das carteiras anualmente.

1) Qual deve ser o tamanho de minha reserva de segurança?

Antes de começar a investir em sua carteira de investimentos, é necessário garantir um saldo em dinheiro de curto prazo que possa ser sacado rapidamente em caso de emergências financeiras. Esse “colchão de segurança” garantirá a você uma salvaguarda em situações financeiras complicadas. Afinal, imprevistos acontecem, e precisamos estar, ao menos parcialmente, protegidos contra eles, sejam relativos à saúde, acidentes ou mesmo a um desemprego inesperado.

Existe algum consenso sobre o total necessário para essa reserva financeira: algo entre 3 a 12 vezes sua média de gastos mensais. O valor menor diminui a margem de segurança, mas é recomendado aos mais jovens (afinal, eles conseguem colocações mais rápidas no mercado de trabalho e raramente são acometidos por problemas de saúde) e às pessoas com emprego estável.

Assim, caso encontre-se nesse estrato social e gasta, digamos, R$ 5mil reais por mês, você precisaria manter uma reserva financeira em aplicações seguras e líquidas, de R$ 15mil. Adotando o limite superior, uma pessoa pode manter uma reserva de até 12 vezes suas despesas mensais, maximizando sua segurança de curto prazo. A faixa etária superior da população, praticantes do trabalho informal e autônomos, pode sentir-se mais segura com o valor maior.

Segurança financeira x rentabilidade

Não é difícil entender o porquê de não ampliarmos mais esse múltiplo: uma vez que as reservas devem ser investidas em aplicações seguras e líquidas (CDBs, Tesouro Selic, etc), seu rendimento é baixo. Se não o escolhermos bem, atualmente o risco é nem superar a inflação, uma vez que na última reunião do COPOM os juros caíram a 2,25%!

Assim, quanto mais dinheiro dispusermos nesse “colchão de segurança”, menos dinheiro estará disponível para a carteira de investimentos. Assim, mais segurança em reservas financeiras, menor rentabilidade da carteira de investimentos, composta por ações, fundos de investimentos ou renda fixa de longo prazo, como os títulos IPCA do Tesouro Direto.

Se você ainda não deu o passo inicial de garantir essa reserva financeira inicial, precisa começar a ajustar seu orçamento, equilibrando corretamente suas receitas e suas despesas. Veja o material que o blog oferece para ajuste do orçamento e fluxo de caixa, inclusive com uma planilha para download.

2) Qual o meu perfil de investidor? Interesses, conhecimento e tempo.

Antes da sugestão de uma estratégia de investimento, são necessárias informações do perfil do investidor, que inclui como variáveis o seu tempo disponível, interesse e conhecimento dispostos a cuidar de sua galinha dos ovos de ouro. O objetivo é que a estratégia forneça dividendos cada vez maiores que possibilitarão, quanto antes, alcançar sua independência financeira. Assim, não há uma receita certa para todos.

Precisamos tomar cuidado com a diferença entre perfil do investidor e perfil de investimentos. Enquanto a última possui uma relação direta do que estamos acostumados a ler por aí (perfil conservador, moderado e agressivo), a primeira é algo totalmente diferente. Ela é função da sua situação particular como investidor. Escrevi um texto específico sobre essas diferenças, cuja leitura é fundamental para diferenciar os conceitos:
Perfil financeiro, perfil de investidor ou perfil de investimento: quais as diferenças?“.

Para não estender muito esse texto, adianto que minha filha possui um perfil de investimento mais arrojado, ciente de sua juventude. Já seu perfil de investidora, vinculado ao interesse pelo mundo dos investimentos e disponibilidade de tempo para o controle de seu portfólio, ficou em uma faixa intermediária, negociando cotas individuais de fundos imobiliários e ETFs para as ações. Veja mais sobre essas diferenciações aqui.

3) Já possuo uma conta em uma corretora de valores?

Para levar os investimentos a sério, você precisa ser cliente de uma corretora de valores. Os maiores bancos possuem suas próprias corretoras, mas os custos que nos oferecem, em geral, ainda não são atrativos, mesmo com a atual competição entre eles. A diferença já foi maior, mas ainda é grande.

Não menospreze essa variável: manter os custos baixos é fundamental no sucesso ao longo prazo de sua carteira de investimentos. Assim, como não há como comprar ativos como títulos do Tesouro Direto, fundos imobiliários e ações sem a intermediação de uma corretora de investimentos, você precisará abrir uma conta em alguma delas.

Se você não faz ideia por onde começar, sugiro ler um texto que conto minha história de andanças através de algumas corretoras. Comento quais estou usando atualmente para intermediar meus investimentos, com a visão do cliente. Acesse-o em “As corretoras de valores com menores taxas de corretagens“. Nesse artigo opino sobre cada uma delas e forneço uma tabela, sempre em atualização, dos custos de cada operação.

A estratégia utilizada para iniciar a carteira de investimentos

Incorporar uma rotina, em quaisquer áreas da vida, exige diligência e não pode ser adquirida às pressas. Querer abraçar rapidamente todas as técnicas e ferramentas necessárias para montar uma carteira de investimentos, assim como uma dieta alimentar radical, causa uma mudança muito drástica em nossa rotina e cria outros problemas na nossa vida, com boas possibilidades de fracasso.

O zelo e a dedicação, como ensinou a raposa ao pequeno príncipe, são essenciais para cativarmos e sermos cativados pelos nossos sonhos. Nesse sentido, propus a ela, inicialmente, uma divisão simples.

A divisão inicial dos ativos da carteira de investimentos

A seguinte rotina deve ser a única operacionalizada nos primeiros seis meses:

  1. Reserva financeira de emergência: monitorar o “colchão de segurança” de forma que ele inclua 6 meses de gastos mensais. Notem a existência de duas variáveis: não é suficiente apenas definir um valor da reserva e vigiá-lo. É preciso também monitorar tendências de variação de seus gastos mensais. Se eles subirem, o valor destinado ao “colchão” também deve subir. Uma planilha de orçamento e fluxo de caixa, é essencial para esse controle.

  2. Sobra de caixa mensal: dividir sempre esse valor em dois. Metade dele, aporte em Tesouro Direto IPCA de longo prazo (2035 ou 2050). A outra metade deve ser usada para comprar dois fundos imobiliários (FIIs) de tijolos: HGRE11 e KNRI11.

Após o estabelecimento dessa rotina e aprendizado, ampliaremos a carteira de investimentos com outros ativos, incluindo algumas ações e uma pequena alocação em câmbio.

Na sequência, explico como seria o operacional nos primeiros 6 meses e o porquê das sugestões.

Como operacionalizar o método de investimento sob a alocação de ativos

A meta nos primeiros 6 meses é manter a alocação de 50/50 para renda fixa (Tesouro Direto) e FIIs. Dentre o pilar de fundos imobiliários, manter a alocação parelha entre HGRE11 e KNRI11.

Assim, o controle desses ativos deve ser feito mensalmente através de uma planilha eletrônica simples e sem complicações. Criei uma versão menos complexa da que uso e disponibilizei também aos leitores. Acrescentei algumas explicações (“notas”) em várias células da planilha. Se houver dúvidas em sua utilização, elas podem ser colocadas nos comentários dessa postagem.

Ao final do processo, você terá acesso à página de assinante do blog, com os links de todas as planilhas disponíveis e acesso ao drive virtual com as cartas dos gestores de investimentos aos acionistas atualizadas.

Primeiros passos na operacionalização

O tempo necessário de um investidor iniciante para gerenciar uma carteira de investimentos simples divide-se em duas etapas:

  • a primeira na compra dos ativos, assim que o saldo disponível estiver na conta corrente (não deixe o dinheiro “parado” em sua conta corrente: invista-o rapidamente).
  • a segunda, no fechamento do mês, para apurar os percentuais de cada papel em seu portfólio, através da planinha de controle de ativos disponibilizada.

Em virtude do tamanho dos lotes de ativos, é claro que os percentuais nunca serão exatamente iguais. Se um lote de um FII custa R$129,00 e outro, R$148,00, o montante total, mesmo na aquisição inicial, terá uma pequena diferença em virtude do múltiplo inteiro de lotes. Entretanto, conforme o tempo avança, poderemos ter desempenhos diferentes entre cada ativo, justificando alocações mais direcionadas.

Imagine que após 3 meses um dos fundos imobiliários valorizou-se e outro desvalorizou-se. Como resultado, o percentual do FII mais depreciado será menor e deve receber, proporcionalmente, alocações maiores de dinheiro novo, de forma que seu saldo total possa aproximar-se do outro e a paridade seja restabelecida. A tratativa da alocação entre os títulos públicos do tesouro direto e fundos imobiliários segue a mesma convenção.

A reserva de emergência dentro da alocação na carteira de investimentos

Antes de justificar a escolha dos ativos para minha filha, adianto um comentário relevante que pode dirimir algumas dúvidas: a reserva de segurança não poderia estar contida na carteira de investimentos na estratégia de alocação de ativos?

A resposta é sim, poderia. Mas não deveria. Prefiro não considerar a reserva financeira como parte de sua carteira de investimentos. Seu tratamento segue diretrizes diferentes, investimentos com finalidade específica (renda fixa com liquidez imediata) e, se ele representar um percentual significativo do portfólio, irá prejudicar o cálculo dos percentuais de alocações.

Nesse exemplo inicial de alocação, a quase totalidade de seus investimentos estão nessa reserva de emergência e ao menos nos primeiros anos, eles deterão montantes consideráveis no total do portfólio.

Esse valor do colchão de segurança não deve ser pensado em termos percentuais, e sim absolutos. Como comentei, ele deve ser calculado por um múltiplo de seus gastos mensais. Logo, não sofre a dinâmica dos rebalanceamentos de carteira e sua operacionalização possui uma estratégia totalmente diferente.

As razões das escolhas dos ativos na carteira de investimentos

Sobre as alternativas de investimentos sugeridas, a ideia principal é estimular e perpetuar o hábito do investimento mensal. A simplicidade das operações visa esse objetivo, de forma a encorajar e consolidar uma rotina. Ativos mais complexos, como debêntures para renda fixa, por exemplo, estariam de fora.

Evitei no início, títulos de curto prazo como CDBs e LCIs, e sim de longo, pois contratar taxas de juros razoáveis por longos períodos é um melhor aprendizado à marcação à mercado, que demonstra que a renda fixa não é bem “fixa”. Além disso, o considerável aumento das taxas que ocorreram na semana anterior à montagem da carteira de investimentos (junho/18), colaborou com a escolha.

Para a renda variável, preferi não sugerir ações nesse momento: a alta volatilidade poderia assustar novatos. Os fundos imobiliários são perfeitos para o início em mercados mais instáveis, pois possuem uma resiliência maior. Dentre eles, escolhi fundos de tijolos, uma vez que os fundos de recebíveis são muito similares às aplicações de renda fixa, que já estariam consideradas na alocação da carteira de investimentos. Os FIIs de tijolos possuem ainda, uma tangibilidade que ajuda no processo de se entender em que estamos investindo.

Diferentemente do pensamento de algumas pessoas que acreditam em um eventual aumento da SELIC e queda nos valores dos FIIs (novamente, estávamos aqui em junho/18), vejo uma relação muito maior entre eles e o DI futuro (na verdade, um indicador antecedente de mudanças na SELIC). Na semana anterior à montagem do plano de investimentos, uma boa precificação ocorreu com consequentes quedas nas cotas dos FIIs, diminuindo os riscos no momento da compra.

Devemos sempre ser flexíveis para mudar premissas, se necessário. Em um movimento de queda de juros, por exemplo, podemos pensar em substituir parte da carteira de renda fixa de títulos públicos por fundos imobiliários de recebíveis, adicionando um pouco mais de rentabilidade e risco na carteira.

Dentre os FIIs de tijolos, escolhi fundos de dois gestores tradicionais do mercado: o Kinea, do Itaú, e o CSHG (Credit Suisse Hedging-Griffo). O primeiro tem sua maior parte das receitas em galpões logísticos, que são um dos setores que considero mais perenes do mercado de tijolos. Mesmo com o avanço do home-office, robotização e comércio eletrônico, ainda precisaremos de fábricas e locais de armazenagem. Eles foram um dos setores “poupados” em uma análise crítica que fiz das “disrupturas que podem influenciar excelentes ações e FIIs“.

Já o HGRE11 baseia-se em rendas de edifícios de escritório. Ambos já possuem um bom tempo de mercado, uma boa pulverização de ativos e a competência dos gestores já foram testadas em diversas situações, embora eu esteja ciente que atualmente, existem outros segmentos mais procurados pelos investidores, como o setor de shopping-centers. Mas, ao menos no início, achei ambos ideais para uma fase de aprendizado, enfatizando que não estou pensando em altas probabilidades de ganhos, mas sim em menores riscos.

Por fim, ambos possuem uma política de evitar mudanças bruscas nos rendimentos mensais, usando inclusive reservas para cobrir eventuais faltas de receitas momentâneas. Esse procedimento, apesar de não ser bem-visto por alguns agentes de mercado, pode ser útil para construir um sentimento de segurança às pessoas que estão iniciando no mundo dos investimentos. O histórico deles, de qualquer forma, mostra que sua gestão ativa tem garantido a sustentabilidade dos fundos. 

A evolução do plano financeiro de minha filha

O software de gestão financeira: uma planilha eletrônica

Inicialmente, ela não se adaptou bem à gestão financeira pessoal de fluxo de caixa e receitas e despesas dos aplicativos modernos de gestão financeira. Ela ficou um bom tempo penando sem domínio pleno em seu controle de gastos mensais, embora possuísse o bom senso de investir mensalmente em sua carteira pessoal.

Porém, ela possui um bom domínio de seu patrimônio, contabilizando suas compras, dividendos recebidos e seu montante mês a mês. Acredito que isso é imprescindível para percebermos o crescimento do patrimônio e enxergar a independência financeira lá na frente. No final de 2019, enfim, ela percebeu que um controle de receitas de despesas é essencial para dominar suas finanças e determinou a levá-lo a sério. Até o final do primeiro semestre de 2020, isso vem funcionando bem, e ela tem mantido a planilha sempre atualizada.

A evolução do plano de investimento

Mudanças na alocação da carteira de ativos

Em junho/19, quando a carteira fez um ano, acreditei que o objetivo inicial da alocação dos investimentos de minha filha estava (ao menos parcialmente) concluído e, com o aumento de seu patrimônio, seria melhor começar a diversificar mais. A queda dos juros longos e a expectativa de melhores dias para o mercado acionário brasileiro também provocava uma alteração nos percentuais da carteira.

Considerando sua juventude, não teria sentido ficar fora de um possível boom do mercado acionário e, em uma várias reuniões entre a gente, onde voltamos a conversar sobre o tempo que ela disponibilizaria para o controle de seus investimentos, decidimos alterar a alocação para 1/3 de renda fixa de longo prazo, 1/3 fundos imobiliários e 1/3 em ações brasileiras.

No final de dezembro de 2019, decidimos incluir seguros em sua carteira de investimentos: a alocação em fundos de dólar e ouro no BTG Pactual, com taxas de administração de apenas 0,10% ao ano, com uma alocação de 5% cada um. A estratégia de possuir seguros em sua carteira está bem explicada no texto sobre alocação de ativos. Em março de 2020, a gestora Vítreo lançou um fundo de dólar ainda mais barato, com uma taxa de 0,07% ao ano.

Ao final do primeiro semestre de 2020, a alocação era a seguinte:

Renda Fixa LPAçõesFundos ImobiliáriosOuro/Dólar
26,96%33,62%28,06%11,17%

Alteração em cada pilar de investimentos

  1. Renda fixa de longo prazo: com a queda abrupta dos juros, resolvemos alterar levemente o que chamamos de “longo prazo” para entender melhor se a estabilidade do país será algo duradouro ou não. Novos aportes no pilar foram direcionados para renda fixa de médio prazo, em LCIs ou CDBs de bancos menores com vencimento de 3 a 5 anos, proporcionando um ganho relativo maior e um resgate mais curto.

  2. Fundos imobiliários: ela manteve por um tempo as posições em HGRE11 e KNRI11 e comprou no segundo semestre de 2019 cotas de um fundo de shopping center: o XPML11. No primeiro semestre de 2020, foi a vez da entrada de um fundo de recebíveis no portfólio (RBRR11). Cada um deles preenche 1/4 da alocação de FIIs.

  3. Ações: como preferiu não se aprofundar nas análises das empresas, nem assinar consultorias especializadas, dividiu até o final de 2019 o pilar em dois ETFs: BOVV11 e SMAL11. No primeiro semestre de 2020, incorporou um ETF de ações americanas no portfólio: o IVVB11. Sua alocação ainda está abaixo dos ETFs brasileiros, mas o objetivo é chegar a 1/3 cada.

  4. Seguros: no final de 2019, foram acrescentados dois fundos no portfólio, de dólar e ouro, com a meta de composição conjunta de 10% do portfólio total.

Rentabilidades atualizadas

A crise do novo coronavírus foi um balde de água fria nas rentabilidades acumuladas em renda variável. Mesmo assim, os quatro fundos imobiliários proporcionaram, até o final do primeiro semestre de 2020, rentabilidade próxima aos 20%. O pilar de ações, construído em março de 2019, acumula uma valorização de mais de 10%, capitaneada principalmente pelo SMAL11. Com a recuperação dos mercados após a crise, a expectativa é positiva.

Apesar dos altos e baixos em um curto período, ela não pensou em vender os papeis nem comprar além do percentual definido, evitando ações baseadas na emoção. O método de alocação de ativos pressupõe isso: usar mais o racional e menos o emocional.

A queda dos juros longos propiciou rendimentos de mais de 40% em seus títulos de longo prazo. Porém, a situação atual pede uma mudança de posicionamento, seja para explorar melhores rentabilidades, seja para usar melhor a diversificação e diminuir os riscos do portfólio. A entrada no RBRR11 visou suprir esse gap de rentabilidade.

Comentários sobre as mudanças na carteira de investimentos e futuro

Renda variável – ações

A utilização de ETFs, provavelmente, pode ser uma fonte de decepção para as pessoas que gostam e acreditam que podem ser melhores que o mercado financeiro escolhendo ações de empresas específicas.

Não tiro a razão delas: sim, é plenamente possível e a minha própria evolução patrimonial deixa claro que a seleção de ações, quando bem feita, pode trazer resultados melhores a longo prazo. Porém, minha filha prefere gastar seu tempo com seu trabalho, sua fonte de maior prazer. Devemos aceitar que pessoas são diferentes, e não julgar com base nos nossos princípios e propósitos.

Particularmente, considerei que foi uma boa estratégia considerando suas aspirações e interesses. Aceitando colocar 1/3 de seu patrimônio em ações, ela está bem preparada para surfar a boa rentabilidade histórica da renda variável, apesar de sua volatilidade…

Talvez algum leitor me questione, inconformado do porquê eu não definir para ela quais ações individuais comprar. Nunca tive o hábito de sugerir empresas para compra ou venda a ninguém por 3 motivos:

  1. Gera dependência: quando uma pessoa depende de outra para definir suas compras no mercado financeiro ela se torna alguém incapaz de aprender e vive uma vida de dependência financeira;

  2. Pensamento de longo prazo: minha filha precisa ter uma estratégia que funcione em todos os cenários, inclusive em minha morte. Se a gente dá sempre o peixe, como ela irá pescar no futuro?

  3. Eu posso estar errado: minhas escolhas de compras e vendas no mercado financeiro devem implicar consequências somente a mim. Assumir a responsabilidade por escolhas erradas dói muito, mesmo para nós, imagine assumi-las para pessoas próximas que amamos!

Apesar disso, por vezes conversamos sobre o mercado e costumo passar a ela muitas diretrizes sobre setores, novos ativos que ela pode pensar em adquirir etc. Sempre com uma “pegada” mais geral, e não específica.

Renda variável – fundos imobiliários

Quando analisamos a decisão de minha filha em possuir 60% de seu portfólio em renda variável, percebemos que ela, apesar de não se envolver no mercado financeiro, tem um perfil financeiro arrojado, mesmo com as quedas que vimos no ano de 2020.

Ela diversificou a carteira com o fundo de shopping center, o XPML11, que, apesar de ter sofrido com a crise do coronavírus, acreditamos que a ruptura não será muito grande no futuro, uma vez que a aposta no lazer vai continuar gerando boas receitas para esses fundos. Sem contar que ele ainda é sub-penetrado, principalmente nas cidades menores.

Incrementou recentemente o portfólio com o RBRR11, visando um recebimento maior em renda fixa através dos CRIs que o fundo atua. O investimento em tais FIIs é uma forma de incrementar um pouco o investimento em dívidas.

Renda fixa – curto ou longo prazo?

Acredito que a atratividade da renda fixa é o grande debate atual. Alguns analistas são a favor, pois entramos em um longo período de juros baixos e travar taxas reais brutas em torno de até 3,5% é algo positivo. Outros afirmam que a atratividade da renda variável nos próximos anos superará muito o potencial risco e depositar as fichas na renda fixa é bobagem.

É um bom debate. Ela manteve sua renda fixa de longo prazo intacta em títulos do Tesouro Direto, mas em 2019, parou de investir por lá. Está mantendo novos aportes em títulos privados de curto e médio prazo para analisarmos juntos como fica o horizonte da queda das taxas de juros. Nos próximos 5 anos, ela terá esses vencimentos disponíveis para decidir o que fazer.

Seguros: câmbio e ouro

Já expliquei no artigo sobre alocação de ativos a importância dos seguros na carteira de investimentos. O propósito desse pilar não é buscar rentabilidade, e sim segurança. Em uma baixa forte no mercado de ações, a tendência é o ouro e dólar se valorizarem muito, disponibilizando capital para comprarmos mais ações a preços baixos.

Foi isso o que ocorreu no primeiro semestre de 2020. Ambos se valorizaram muitos, e, mesmo com novos aportes direcionados à renda variável, seu percentual ainda supera a alocação-alvo de 10%.

Por que comprar ambos, e não apenas dólar, por exemplo? O ouro possui uma função adicional como reserva de valor mundial. Se houver uma crise monetária séria no mundo (talvez em função do problema das reservas fracionárias), o dólar também será envolvido. Ouro e imóveis serão o porto seguro dos investidores.

Pensamento final: aporte é mais importante do que rentabilidade para desenvolver sua carteira de investimentos

Finalmente, enfatizo que o aporte é mais importante do que a escolha do investimento perfeito. “Feito” é melhor que “perfeito”, já ouviram? Esse hábito garantirá prosperidade e perenidade de sua carteira de investimentos. Veja algumas simulações que fiz entre o aporte e a rentabilidade no texto “O que é mais importante: poupar mais ou investir melhor?

É claro que isso não significa comprar qualquer coisa. No artigo “Rebalanceamento da carteira de investimentos“, enfatizei que a escolha correta é essencial para o sucesso de um portfólio. Porém, a ideia consiste em esclarecer que é necessário priorizar o que é mais importante para uma pessoa que está na fase inicial de sua vida financeira, e, principalmente, alguém que possui um trabalho que não possui relação com o mundo das finanças e não tem pretensões de ser uma investidora em seu tempo dominante.

Existe um ensinamento gravado em uma frase já piegas e batida, mas que levo muito a sério na minha vida: ensinar a pescar é muito mais importante do que dar o peixe. Não sei até quando estarei nesse mundo para auxiliá-la, e minha pretensão é que ela saiba, quanto antes, a gerir seus próprios investimentos. Apesar de que, apenas pensando na idade, tenho a expectativa de presenciar o final da viagem lenta à independência financeira de minha filha. Quem sabe eu ainda possa dar outra volta pelo mundo, mas agora, todos em família? Ou adiar essa volta ao mundo por um tempo e ter a grata satisfação de criar outro filho?

Aprender a investir envolve foco. Não adianta abraçarmos além do que podemos ou queremos fazer. Temos que ser conscientes de nossas limitações de tempo, vontade e conhecimento (que muitas vezes é falho justamente pela falta de… tempo). Uma adaptação consciente de nossas condições é a maneira mais segura e perene de atingirmos nossa maior realização pessoal, que dificilmente vem apartada da liberdade financeira.

Explore mais o blog pelo menu no topo superior!…
Para me conhecer mais, você ainda pode… ler sobre minha história aqui, ouvir uma entrevista em podcast ou ainda, assistir uma live no Instagram.

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Anon
Anon
3 horas atrás

Oi André, tenho lido muitos artigos no seu blog e me identifiquei em especial com esse. Estou tentando começar uma carteira de investimentos, porém ainda não consigo um grande volume mensal para investir. Possuo em média 500 reais por mês, pq já uso uma outra parte para ir compondo minha reserva de emergência. Queria uma sugestão de como começar a diversificar minha carteira nesse início se um único ETF ou FII pode custar 100…120 reais.

Mari
Mari
2 meses atrás

Oi André,

Gostaria de saber quais livros você indica para quem está começando e não quer ficar tão perdida.

Abraços!

Danilo
Danilo
3 meses atrás

Ótimo post André. Foi uma verdadeira aula pra mim. Espero um dia aprender o suficiente e depois tentar transmitir aos meus filhos, também.
Obrigado, mais uma vez, por compartilhar conosco suas experiências de vida e seu conhecimento.

Abraço!

Danilo
Danilo
Reply to  André
2 meses atrás

Muito obrigado pela atenção André. Então, depois de ler seu post ajudou-me bastante a imaginar uma estratégia inicial, considerando a minha situação atual, para montar uma carteira de investimento pra mim. Gostaria de dedicar mais tempo aos estudos sobre investimentos, porém não tenho e cheguei a conclusão que como estou no início devo focar em aumentar minhas receitas e consequentemente meus aportes. Considerando que já venho controlando meus custos e gastos mensais e estou terminando de montar minha reserva de emergência, meu plano agora é focar na minha carreira, por um tempo, pra conseguir aumentar meus ganhos e aportes. Minha… Leia mais »

Danilo
Danilo
Reply to  André
2 meses atrás

Valeu André pelo feedback. Estou amadurecendo a ideia e continuo estudando sobre os ETFs, e confesso que cada vez mais tenho me identificado com essa alternativa de investimento. E agora com as suas análises e comparativos com certeza irá me ajudar bastante. Meu plano é tentar montar uma carteira que esteja alinhada com os meus objetivos futuros, mas considerando a minha realidade atual. Com relação aos percentuais também vou tentar analisar melhor antes de colocá-los em prática. Hoje, casado, 35 anos de idade, e com dois filhos ainda pequenos, tenho que tentar buscar um equilíbrio e ponderar os riscos antes… Leia mais »

Mark
Mark
3 meses atrás

O nascimento e morte de uma carteira de investimentos

Rodrigo
Rodrigo
4 meses atrás

André, Bom dia(tarde ou noite, não sei)!
 
Quando realizei o download do arquivo, notei que trata do “modelo simplificado”.
Fiquei com uma dúvida. Existe outra tabela com mais funcionalidades e não simplificada?
Grato desde já.
 
E obrigado pela planilha, já está ajudando bastante.

Rodrigo
Rodrigo
Reply to  André
4 meses atrás

Eu fiquei em dúvida em como fazer a anotação correta de alguns dados, só que acabei solucionando usando a matemática simples mesmo kkk.
Mas a pergunta foi mais por conta do nome do arquivo mesmo, como nessa planilha já tem bastante coisa que está sendo muito útil, pensei que talvez a completa tivesse ainda mais funcionalidades.
Obrigado, abraço

Anônimo
Anônimo
7 meses atrás

Ei André!

Faz pouco tempo q eu comecei a seguir mais de perto minha vida financeira e tava passando uns investimentos antigos q eu tinha pra sua planilha. Dentre esses investimentos há alguns fundos multimercados, de ações e etc. Não sei como adicioná-los à planilha (nem sei se tem jeito, pois as colunas de nenhuma aba me parece apropriada). Vc poderia me dar uma luz?

Gosto mto do seu blog e todo o conteúdo q vc posta de graça! Vlw pela ajuda.

LER E POUPAR
10 meses atrás

Mais importante do que a alocação é o ensinamento que passa para sua filha.
Isso não tem preço.
Os meus são pequenos.
Espero ter essa mesma sabedoria para ensinar a pescar e investir o peixe.

Abraços,

Simplicidade e Harmonia
10 meses atrás

André,

Gostei da alocação da carteira da sua filha. Como ela é mais nova, 1/3 em ações e 1/3 em fundos imobiliários é uma boa opção. Além disso, com o tempo ela vai adquirindo mais experiência e penso que começará a comprar ações.
Parabéns por incentivá-la no caminho da IF e não do consumo!

Abraços,

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