10 anos de FIRE: independência financeira e aposentadoria antecipada


Na jornada para a FIRE, o mês de março de 2020 é triplamente especial.

Ele marca 30 anos da entrada de minha primeira faculdade, 20 anos do início da jornada à independência financeira e 10 anos vivendo a aposentadoria antecipada.

Conto aqui um pouco dessa história!


Em fevereiro de 2020, participei de uma entrevista ao podcast do Sr. IF365 e, no meio do bate-papo, comentei que em março estaria completando 10 anos de vida FIRE. Chegou o momento de escrever um pouco mais sobre essa jornada! 🙂

Vou usar frequentemente o termo FIRE nesse texto. Para quem não o conhece, ele é um acrônimo inglês para caracterizar um movimento de busca da independência financeira e aposentadoria antecipada. Mais detalhes e diferenças sobre esses conceitos podem ser vistos nesse texto.

Dez anos de FIRE: independência financeira e aposentadoria antecipada

Esses 30 anos podem ser claramente divididos, coincidentemente, em 3 etapas de 10 anos:

  • 1990 – 2000: a ignorância em ser FIRE;
  • 2000 – 2010: a jornada para a FIRE;
  • 2010 – 2020: a proclamação da FIRE.

Vamos conhecer alguns pontos e particularidades de cada uma no decorrer do texto.

1990 – 2000: a ignorância em ser FIRE

Em 1990, ainda pós-adolescente em meus 17 anos, entrei na universidade para cursar engenharia de alimentos. Foi uma mudança de última hora: no ano anterior, eu havia sido aprovado em engenharia química, mas ainda não tinha a idade – e provavelmente, a maturidade, para cursá-lo. Alguns bate-papos com um professor do último ano do colegial levou-me à área de alimentos, nova e promissora na época.

Na época recebia uma mesada de meu pai, mas pouco sobrava. Até tinha aberto uma caderneta de poupança no finado Banco Nacional, mas o saldo sempre foi irrisório. Quando muito, em dinheiro de hoje, nunca devo ter acumulado mais de R$ 500,00 ou R$ 1.000,00.

Porém, o fato de ter, ao menos, a intenção de poupar algo para o futuro denota que acreditava, mesmo tenuemente, que trocar algo no presente visando um bem maior à frente, podia ser positivo. Nunca tive condições plenas para isso, entretanto. E, quando surgia alguma oportunidade de poupança, a veia ainda pós-adolescente consumista falava mais alto. Era apenas uma semente que hibernava.

Universitário – Fase 1

O primeiro ano em uma faculdade de engenharia é um choque para pessoas normais. Os cálculos diferenciais, ao mesmo tempo que ajudam a pensar de uma forma mais racional, tiram muitas horas do dia com estudos (e também das noites, com a ansiedade que antecedia as provas). Acredito, entretanto, que eles foram importantes no desenvolvimento de um modelo mental baseado mais em lógica do que emoções. Talvez, inconscientemente, todas as horas perdidas com as centenas de exercícios tenham sido essenciais em entender o mercado financeiro mais facilmente, anos à frente.

No segundo ano, fui selecionado para trabalhar em uma pesquisa de iniciação científica referente à teorias de secagem. Construí, com o professor, um secador na planta-piloto e media a difusividade de várias frutas com base em variáveis das quais hoje, não me recordo mais. Financeiramente, recebia uma bolsa de estudos do CNPq cujo valor hoje está em R$400,00. Acredito que na época ela era um pouco maior (meio salário-mínimo talvez?).

Independentemente do valor, foi um marco na minha vida: de forma inédita, comecei a obter um pagamento em função de um trabalho próprio, além da mesada de meus pais. Para recebê-lo, abri minha primeira conta bancária no Banco do Brasil e, durante 12 meses, período de validade do trabalho, economizei uma grande parte dessa renda.

Porém, ao fim do período, entre 1991 e 1992, não resisti: saquei todo o dinheiro que recebi, raspei a minha poupança no Banco Nacional e comprei uma moto à vista – uma CBX Aero (usada) linda, azul e branca. Levei minha mãe à loucura, mas é difícil justificar hoje a decisão, uma vez que eu tinha acesso ao carro da família sem restrições. Autoafirmação, talvez? Afinal, eu ainda estava em meus 19 anos…

Funcionário do Banco do Brasil

Na época em que fazia a iniciação científica, foi aberto um edital para concurso no Banco do Brasil. Inscrevi-me, passei a estudar contabilidade e noções de economia e fiz a prova. Poucos meses depois (o processo foi incrivelmente rápido), eu era funcionário concursado do Banco do Brasil, iniciando a carreira como escriturário no começo de 1992.

Nesse ano, procurei conciliar as aulas da faculdade com o trabalho do banco. Como meu horário de trabalho era das 12 às 18hs, eu assistia as primeiras aulas, saía antes de terminar o segundo bloco da manhã, e voltava à minha cidade para trabalhar (a universidade ficava a cerca de 30km de minha casa e agência).

O trabalho no banco, apesar de bons amigos que fiz por lá, não era o que eu pretendia para minha vida. Gostava da engenharia, e machucou um pouco quando precisei trancar a faculdade, devido a uma promoção para ser “caixa executivo” e ter meu horário de entrada antecipado. Ficou impossível acompanhar as aulas matinais da universidade.

Universitário – Fase 2 (e saída do banco)

Em 1994, prestei novamente vestibular para o mesmo curso no horário noturno (sim, não tinha como transferir, acredite se quiser…) e em 1995 voltei à faculdade para cumprir o restante da carga horária necessária para eu me tornar engenheiro.

A implantação do curso noturno na universidade era recente, e a primeira turma era de 1992. As disciplinas iam sendo oferecidas conforme ela avançasse nos semestres, ou seja, eu não tinha como “adiantar” as matérias. Resultado: como a graduação noturna possuía uma extensão de 6 anos, só consegui a formatura ao final de 1997.

Porém, ainda em meados de 1995, surgiu uma possibilidade de sair do banco: um Programa de Demissão Voluntária. Vi uma oportunidade para me dedicar mais aos estudos e caminhar na estrada que havia escolhido para mim há alguns anos. Mesmo com menos de 3 anos de trabalho no banco, o incentivo era bom, e saí com um dinheirinho razoável.

Essa atitude gerou muitas críticas de algumas pessoas. Afinal, lá estava eu, trabalhando em um emprego cômodo, com um salário razoável e boas oportunidades de fazer carreira pública. Acredito que esse desprendimento foi a primeira manifestação de uma característica que me ajudaria muito na construção de riqueza da década seguinte. O apego a algo, seja a um emprego, a um imóvel, ou qualquer bem material, nos impede de analisar as opções de maneira clara. Incentivando o lado emocional das pessoas, torna-se, na maioria das vezes, algo nocivo.

Até minha formatura, que ainda levaria mais de 2 anos, fiz serviços temporários, em atividades familiares de contabilidade (meus pais trabalhavam na área), além de desenhar plantas em Autocad para engenheiros civis, através de um escritório do pai de um amigo. Além disso, consegui trabalhar em uma segunda iniciação científica remunerada, ligada, dessa vez, à comparação de controles industriais de automação da lógica fuzzy com PID.

Esse período não foi muito fácil, uma vez que eu já era pai e os gastos, razoáveis. É possível que essa escassez tenha ajudado a desenvolver o hábito da frugalidade. A prioridade era o essencial: não havia muita opção para o supérfluo. Bases para o minimalismo? Veremos nos capítulos a seguir…

Pensando de outra forma, apesar de ter feito maus negócios, como a compra de um apartamento e carro com péssimas negociações de financiamento, essa condição livrou-me um pouco da responsabilidade e do embaraço de dizer que, mesmo trabalhando no Banco do Brasil por quase 3 anos, não ter sido capaz de acumular patrimônio algum.

O apartamento, financiado por um sistema onde o saldo devedor aumentava mês a mês mesmo com os pagamentos mensais, era terrível. Vendi-o apenas transferindo a dívida, a qual era bem maior do que o valor do apartamento. Até hoje não entendi muito bem se fiz um bom ou mau negócio. Mas naquela época a vida estava tão complicada que fiquei confortável em contabilizar um problema a menos…

Enfim, engenheiro! Sem um tostão…

Formado, entrei em uma empresa de bebidas como trainee no início de 1998 (coincidentemente, no mesmo mês de março). O salário não era grande coisa – inferior ao que ganhava no banco, mas a ascensão na carreira era promissora: a empresa estava se expandindo e precisava de engenheiros para sustentar seu crescimento.

De fato, no final de 1999 fui transferido para o Rio de Janeiro, para formar parte de uma equipe a iniciar uma nova planta industrial. Em meio às obras de uma grande fábrica, pisando em muito barro, cursando um MBA noturno e convivendo com um círculo de amizades totalmente diferente daquele que estava confortável desde meus tempos de moleque, era eu e o mundo. Uma razão para ser o único responsável pela minha vida.

Financeiramente, eu estava começando abaixo do zero. Tinha um Ford Ka financiado e nada no banco. Ou seja, fui para o Rio com um patrimônio negativo… Como alento, o salário era bem melhor, praticamente o dobro do que ganhava em São Paulo. E, com a mudança dessa importante variável na equação, as coisas começaram a mudar.

2000 – 2010: a jornada para a FIRE

Foi em 2000 que comecei a interessar-me pelo mercado financeiro. Em geral, começamos a nos interessar sobre o assunto a partir do momento em que o dinheiro começa a sobrar em nossa conta-corrente, não é mesmo? Comigo não foi diferente…

A luz lançada pelo professor do MBA

Enquanto trabalhava em uma cidade do interior do estado do RJ, eu fazia um MBA noturno em Administração e Gestão de Negócios na FGV em Botafogo, na capital. Uma certa noite, em meio a uma aula de finanças, perguntei a um professor de economia quais seriam as melhores aplicações financeiras para investir alguns montantes mensais. Acredito que você, em algum momento, também já deve ter feito essa pergunta, não? Afinal, adoramos “dicas” quentes!

Sabe como o professor respondeu? Com outra pergunta: “ – Quando você pretende ser livre?

Não assimilei bem o que ele quis dizer na ocasião; afinal, eu era livre, oras! Ninguém me coagia a nada e eu fazia o que bem entendesse. Mas, no desenrolar da conversa, percebi que existem diferentes noções de liberdade. E, entre elas, a liberdade e independência financeira é determinante para que desfrutemos plenamente as demais.

Assimilar esse conceito, claro, não foi algo imediato. Hoje a internet é plena de textos sobre o assunto, mas na época, não havia nada semelhante. Foi um processo, que, embora não tão longo, veio recebendo aprimoramentos constantes.

O principal foi compreender que essa liberdade, longe de possuir qualquer relação direta com o dinheiro, define-se na autoridade que você possui perante seu tempo. Ou ainda, o quanto você está, de fato, no controle de sua própria vida.

Naquela época, eu, dependente de um emprego, sem inteligência financeira, não tinha possibilidade de gerenciar o meu tempo de forma soberana, e assim, pontuava contra essa liberdade. Enfim, a ficha começou a cair e as atitudes começaram a mudar. Sigamos na viagem…

A liberdade financeira é a base para todas as demais liberdades
A liberdade financeira é a base para todas as demais liberdades

Início da história e as bases da inteligência financeira

Aceitei as duas leituras que o professor sugeriu para aprofundar-me no assunto de liberdade financeira.

Uma delas é o conhecido “Pai Rico, Pai Pobre”. O autor do livro até pode ter feito posteriormente um marketing excessivo (e nocivo) com seu sucesso, mas não podemos deixar de reconhecer o mérito do livro em desenvolver a ideia de sermos protagonistas de nossas próprias vidas, na redefinição dos conceitos de ativos e passivos, entre outros.

Sua outra sugestão foi um livro cuja tiragem esgotou-se há tempos e a editora não fez novas republicações. Trata-se de “Seu Futuro Financeiro”, de Louis Frankenberg. O livro foi fundamental para eu entender o poder dos juros compostos, relacionando-o a variáveis como valor de montante e principalmente, o tempo.

O despertar financeiro

Na época, eu já estava com quase 28 anos e fiquei meio decepcionado de não ter começado a pensar dessa forma algum tempo atrás. Mas segui pensando no que ainda poderia alcançar, e não no que tinha ficado para trás. Aprendi muito com leituras subsequentes, sejam livros ou excelentes materiais na Internet, que foram fundamentais para ampliar a sabedoria e inteligência financeira.

Um dos maiores ensinamentos nessas leituras é que, antes de pensarmos em investir, precisamos criar um orçamento e acompanhá-lo através de um fluxo de caixa. Sem resultados financeiros positivos e regulares, não teremos a matéria-prima que necessitamos para conquistar nossa FIRE. Esse passo foi essencial no início dessa jornada.

Até então, eu já tinha algum controle sobre orçamento. Usava o Microsoft Money para gerenciá-lo, mas estava mais preocupado em fazer o dinheiro sobrar no final do mês do que propriamente investir em algo. Dívidas, após o apartamento e o Ford Ka, nunca mais fiz. Esse talvez seja uma das decisões mais sábias para alcançar a independência financeira.

Se você está nesse estágio inicial atualmente, conscientize-se sobre a necessidade de controle das finanças. Leia sobre a importância do orçamento e fluxo de caixa e acesse a planilha eletrônica que aperfeiçoei durante todos esses anos. Uso-a até hoje para meu controle.

Início dos aportes na poupança

Sob outra perspectiva e com mais dinheiro entrando na conta-corrente, comecei a otimizar melhor as despesas e prever aportes futuros para investimentos. Iniciei, entretanto, como a maioria: aportando na poupança. Isso não demonstra inteligência financeira acima da média, mas, afinal, ela era a única aplicação onde eu possuía alguma intimidade, como comentei na primeira parte do texto, com minhas antigas e parcas economias no Banco Nacional.

Investir em poupança, mesmo no início do século, não foi exatamente uma atitude de perfil conservador. Na época não existia a facilidade hoje encontrada através da internet. O Tesouro Direto só iniciaria precariamente suas atividades dois anos depois. Home-brokers para comprar ações estavam em seu início, disponível a poucos.

No entanto, estava fazendo o meu melhor no momento: antevendo metas através de um bom planejamento de investimento, verificando constantemente seu aprimoramento e sustentabilidade. Posteriormente, fiz um estudo mostrando que aportes constantes podem ser mais importantes do que excelentes investimentos. Mesmo sem saber, estava em uma trilha correta.

Depois da poupança, os fundos de investimentos

Na jornada para a inteligência financeira, o próximo passo foi natural: fundos de investimentos de renda fixa. Mas já com um cuidado adicional: procurando aqueles que tinham uma menor taxa administração. Já estava assimilado em meu pensamento que manter a prática de custos baixos nos investimentos, seria um diferencial importante para a FIRE futura.

Quem investia em fundos do Bradesco naquela época lembrará dos nomes Topázio, Safira e outras pedras preciosas: era assim que o banco denominava seus produtos. Menos pessoas, entretanto, recordam das altíssimas taxas de administração praticadas, que chegavam a 3% ou 4% ao ano em fundos de renda fixa passivos (!).

Os fundos de investimentos com taxas de administração mais baixas (1 a 2% anuais) exigiam um capital inicial maior que eu ainda não possuía. Por algum tempo, mantive-me em constante expectativa em alcançar um montante acima do valor mínimo para aplicar em um fundo mais top, com uma taxa menos abusiva.

Esse período foi interessante para aprender que sempre é possível negociar com seu agente financeiro. Como já conhecia os efeitos da tabela regressiva do Imposto de Renda, incomodava-me não ter atingido a alíquota mínima para realizar a migração para um fundo melhor e assim, pagar uma taxa de administração menor. Minha gerente, entretanto, após alguma insistência, validou o meu passe para fundos melhores não pelo valor mínimo que poderia disponibilizar no momento, mas sim em função do total investido no banco.

Assim, quando atingia um certo montante em um fundo, poderia iniciar a aplicação para outro com apenas meu aporte mensal. E quando os valores do fundo anterior chegassem à alíquota mínima de IR, faria a transferência total. Talvez ser um dos primeiros clientes do Bradesco Prime, em 2002, ajudou-me a conquistar esse privilégio… Segui, assim, por mais alguns anos…

O mercado de ações – fundos, corretora de valores e o Tesouro Direto

Relativamente seguro na renda fixa, estudava o mercado de ações. Meu début na renda variável foi, também, através de fundo bancário. Naquela época ainda eram poucas corretoras que ofereciam home-broker, além de que eu possuía uma notória falta de experiência. Optei assim, por manter minhas economias junto ao Bradesco, apesar de ciente em relação às absurdas taxas de administração. Ainda não possuía a segurança financeira de aventurar-me solo nessa jornada à FIRE.

Comecei a balancear o dinheiro nessas duas classes de ativos e a ler muito. Em 2002 e 2003, estudei (pouco) e trabalhei (muito pouco) na Alemanha para fazer especialização e mestrado em cervejaria. A empresa, além de manter meu salário intacto no Brasil, pagou-me um adicional em euros para a manutenção na Europa.

Nunca vi tanto dinheiro entrando na conta como nesse ano. Aproveitei esse tempo livre, em meio àqueles invernos terríveis, para aprender muito mais sobre investimentos e direcionar bem essa economia. Consumi muitos livros e logo depois quando voltei ao Brasil, entrei em um fórum no Orkut chamado “O Investidor Agressivo”. Aprendi muito com foristas investidores e comecei a entender mais sobre a estratégia de Alocação de Ativos, que comento adiante.

Posteriormente, no final de 2004, após uma temporada de alguns meses em Recife, fui transferido para o Maranhão, perto da fronteira do Piauí. Já com um salário bem mais respeitável, conseguia poupar mais de 50% da renda e fiz uma especialização na FGV de Teresina em Gestão Financeira. Foi, infelizmente, dinheiro jogado fora, uma vez que meu autodidatismo já havia fornecido conhecimentos muito além do que aqueles que os professores passavam. Eu, entretanto, ainda não aprenderia que salas de aula não são muito eficazes para mim. Passaria ainda por outra provação no futuro, em outra área.

O começo do voo solo para a FIRE

Quando tomei coragem, isso já nos idos de 2006, fiz cadastro na corretora de valores Título (que originou, após uma divisão interna, a Easynvest atual) e definitivamente percebi que os bancos, suas tarifas e taxas proporcionavam à nossa vida financeira um notável atraso na acumulação de patrimônio.

As taxas na corretora, sejam de ordens ou custódia, eram muito menores do que as tarifas de administração dos fundos de ações do Bradesco. Compreendi que era um erro usar o gerente de banco como uma espécie de consultor financeiro.

Comecei assim a migrar, aos poucos, o dinheiro que estava no banco e a comprar minhas próprias ações e títulos públicos do Tesouro Direto, que já despontava como alternativa. Esse passo exigiu de mim uma maior responsabilidade, o que foi determinante para poder caminhar de forma independente nessa seara: a liberdade financeira é uma consequência direta de ações humanas individuais.

Assim, com o protagonismo de mudar as velas do barco e comandar meu próprio destino, comecei um novo planejamento: o dia em que eu largaria o meu emprego para viver dos meus rendimentos e, afinal, ser FIRE. Montei uma planilha de Plano Patrimonial, que pode ser vista nesse artigo e fui, ano a ano, ajustando minha meta de TNRP.

Um passo importante na inteligência financeira: diversificação em ativos e o crash de 2008

Já entendendo melhor o mercado financeiro e acompanhando debates entre pessoas inteligentes pela web, comecei a aplicar em ativos vinculados ao valor do dólar (fundos de investimento) e ao ouro (contratos futuros). Essa atitude me ajudou a não ir à (quase) falência em 2008 com o crash nas bolsas, apesar de perder muito da alocação de quase 50% do patrimônio em renda variável na época. O ouro, e principalmente o dólar, amorteceram a queda.

Quando as coisas parecem sempre dar certo, avaliamos mal o poder que (não) temos: nada como uma grande queda para nos darmos conta disso. Afinal, sempre nos achamos poderosos antes de levarmos o primeiro tombo. Esse crash foi essencial para amadurecimento pessoal. Antes dele, eu acreditava que a independência financeira estava logo ali, mas ele nos fez repensar muito em relação aos riscos e margens de segurança.

Felizmente houve uma recuperação relativamente rápida dos ativos que comprei a preços baixos com os montantes valorizados dos fundos de dólar e ouro e, a partir disso, coloquei em prática uma maior diversificação para dirimir os riscos.

Mais diversificação: o mercado de opções e índices futuros

Em 2009, após mais de dois anos estudando o mercado de opções e índices futuros (minicontratos do índice Ibovespa), comecei a incorporá-los nas minhas estratégias da carteira de investimentos. Aprendi na prática, como ganhar com renda variável nos períodos de baixa do mercado, ajudando a manter o patrimônio mais estável e alcançar mais rapidamente a FIRE.

Essa estratégia foi de grande suporte na tentativa de se fazer algum dinheiro, visto à falta de perspectiva de crescimento que o governo petista legou ao país.

Os passos que culminaram em meu pedido de demissão

Ainda em 2007, surgiram algumas situações na empresa que começaram a me incomodar. Fui convocado para uma equipe de melhoria contínua (lean manufacturing), na qual seus participantes corriam as 13 unidades industriais cumprindo determinado planejamento. Foi exaustivo: acumulei o cartãozinho vermelho da TAM em poucos meses, com tantas viagens que fazia por semana.

Ao final desse processo, pedi para voltar a São Paulo, uma vez que minha filha e família estavam aqui e tinha ficado muito tempo longe demais. Pedido negado. Pior: recebi uma oferta para ir ainda mais longe, ao Pará. De minha parte, a devolução: oferta também negada.

Em meio ao mal estar com esses fatos, continuei por um período no Maranhão e comecei a me decepcionar com a empresa em outros pontos. Uma das coisas que me animava na época era o desejo de participar de um trabalho voluntário. Fazer algo em conjunto com o dia a dia da empresa era algo impossível. Amigos que estão lendo esse texto sabem como era nossa carga horária, inclusive aos finais de semana.

Muitas vezes são necessárias outras alternativas para sair da prisão
Muitas vezes são necessárias outras alternativas para sair da prisão

Fiz um projeto para o local (carente de recursos) pedindo um investimento mínimo da empresa e a liberação de 1 pessoa por dia para realizar o trabalho em uma entidade de acolhimento de crianças carentes. Pedido também negado.

A partir disso, comecei a condicionar minha permanência na empresa à minha transferência para São Paulo. Não foi um processo tranquilo, mas acabou ocorrendo em 2008. As coisas ficaram um pouco melhores, pois saí da fábrica para o escritório, embora ainda na área industrial. As viagens para as plantas eram em menor número e aceitáveis, e passei a ter finais de semana plenos. Um luxo após 10 anos de labuta.

De volta à São Paulo e o pedido de demissão

Financeiramente, aproveitei a nova fase e comprei um apartamento com parte do dinheiro do meu FGTS. Afinal, agora não pretendia mais sair de meu estado natal.

Porém, mesmo mais estabelecido e satisfeito com o retorno, comecei a perceber que meu destino não era mesmo continuar como empregado muito tempo. As vozes internas pedindo para eu assumir o papel de protagonista e a FIRE em minha vida começaram a falar cada vez mais alto.

Em agosto de 2009, decidi fazer um novo vestibular, para educação física. Eu gostava da área, praticava natação e musculação e queria aprender mais sobre a ciência. E, quem sabe, abrir uma academia padrão e ser empresário ao final do processo.

Era um vestibular de “teste”. Afinal, fazia uns 15 anos que não enfrentava uma prova semelhante. A ideia era dar uma treinada, para “sentir” se eu precisava fazer um cursinho e prestar para valer em 2010. Porém, passei na prova e, já no começo de 2010, as aulas começariam.

Foi uma surpresa para mim. Pensei até se estava, financeiramente “pronto” para largar tudo e o bom salário que tinha. Mas arrisquei: não queria fazer um novo vestibular. E a possibilidade de declarar-me FIRE me invadia…

Assim, no início de 2010, pedi demissão do meu emprego, sem receber FGTS, multa, nadinha e fiquei até o mês de abril me dividindo entre as aulas do novo curso e fazendo a transição na empresa, para que não houvesse prejuízos à equipe.

Aqui inicia-se a terceira fase desses 30 anos…

2010 – 2020: a proclamação da FIRE!

Eu poderia dividir esse último período em, ao menos, três fases: a primeira durou até o final de 2013, quando me formei como bacharel em educação física. A segunda, foi de 2014 até 2018, quando me dediquei mais à gestão dos investimentos e, após 2019, quando tenho procurado me desvencilhar mais do tempo dedicado a essa tarefa.

Quatro anos de educação física e o início dos fundos imobiliários

Até 2013, dediquei-me mais à nova faculdade, embora nada se compare à dedicação exigida nos tempos de engenharia. Além disso, viajei bastante nessa época: pelo Brasil (Nordeste e Sul), fui com minha filha esquiar no Chile, depois fui para Machu Pichu e fechei o período com minha viagem à Ásia que durou 7 meses.

Para poder me graduar em 4 anos, adiantei as disciplinas do 7º semestre para o 5º, e fiquei esse tempo fora no penúltimo semestre do curso a tempo de voltar e terminar meu TCC no oitavo semestre.

Foi um período de muitas leituras, atividades e aprendizado. Gostei especialmente das matérias biológicas: nunca aprendi tanto sobre o corpo humano e fisiologia do exercício. Nesse campo, o curso cumpriu plenamente seus objetivos.

Já nas matérias humanas de cunho social, gostei apenas da área de psicologia. As demais, que tratam direta ou indiretamente de sociologia, ficaram muito a desejar pois somos apresentados a apenas um lado da questão: a versão das pessoas coletivistas, que prezam muito mais a ação do Estado na vida humana do que o estímulo ao individualismo e protagonismo de cada pessoa.

Durante o curso, o objetivo de abrir uma academia se enfraqueceu, principalmente ao perceber que, com a nova presidente, o Brasil ia para o buraco. De fato, após sua eleição vergonhosa, foi o que ocorreu. De fato, iniciar como empreendedor nessa época teria sido uma má decisão.

Quaisquer outros trabalhos como educador físico estavam fora de cogitação, pois a remuneração era baixa demais, para não dizer infame. Isso gerou algumas preocupações com a sustentabilidade de minha FIRE, pois eu tinha um planejamento de realizar um trabalho leve (talvez meio período) após alguns anos e receber algum fluxo de renda adicional.

O início dos fundos imobiliários

No âmbito da carteira de investimentos, criei um quarto pilar em minha alocação de ativos: os fundos imobiliários. Vendi meu imóvel comprado através do FGTS em 2012 com um bom lucro. Ao invés de comprar outro, preferi aplicar o dinheiro da venda nesses papéis: a princípio, todos de tijolos.

Já vinha estudando esses ativos, e alguns papéis pareceram-me vantajosos em função da renda passiva, liquidez e para diversificação da carteira de investimentos. Vendi posteriormente parte deles após uma alta valorização e comecei a recomprá-los no final de 2016 e 2017. Pensava neles para promover um fluxo de rendimento relativamente estável para sustentar a FIRE.

Apesar dessas movimentações, eu não fui muito ativo com meus investimentos nesses 4 anos. Além da dedicação à faculdade, comecei também a trabalhar voluntariamente em vários projetos, dentro e fora da universidade, com crianças com mielomeningocele, com atletas tetraplégicos no rúgbi em cadeiras de rodas e com atividades com crianças e idosos em centros sociais.

Viagem Lenta - o livro

Além disso, minha filha veio morar comigo desde o início de 2010. Na época, estava entre seus 15 e 16 anos. Não foi tão fácil conciliar uma adolescente rebelde com um pai não acostumado a esse tipo de convivência, até então.

Enfim, tudo isso resultou em menores possibilidades de cuidar adequadamente de minha carteira de investimentos. Somado a um período ruim para a renda variável, os resultados nesses 4 anos não foram bons: meu patrimônio caiu cerca de 10% em termos reais. Só não caiu mais porque a renda fixa, onde estava a maior parte do volume, deu uma segurada.

Mas era preciso fazer algo. Com o patrimônio caindo e sem possibilidades imediatas de fluxo de renda, a FIRE estava ameaçada.

A retomada da gestão ativa

Com mais tempo e tranquilidade a partir de 2014, dediquei-me a gerir de maneira mais profunda minha carteira de investimentos. A ideia era virar uma espécie de Warren Buffet, um gestor profissional. Se formos analisar, eu nunca tive “tempo” suficiente para isso. Até 2010, trabalhava e, posteriormente, cursava uma universidade. Seria a primeira vez que eu mergulharia realmente nessa atividade.

Passei a usar as manhãs completas para o novo trabalho, principalmente na leitura de bons relatórios de empresas, macro e microeconomia, relações internacionais, etc. Avaliava o que poderia influenciar altas e baixas de determinados papéis e fazia as operações. Cheguei a escrever um post mostrando com mais detalhes como é era minha rotina.

Porém, sem expectativas irreais: nunca cheguei a ser trader, se os leitores estiverem pensando algo do tipo. Na verdade, fazia poucas operações na semana. O trabalho era fundamentalmente leitura e reflexão. O número de atividades no home-broker era pequeno, com uma média próxima a 5 a 10 operações por mês.

Mas elas, aliadas à gradual melhora da situação do país após o impeachment da infeliz, geraram um aumento de rentabilidade significativo de minha carteira de investimentos. Com o tempo, a ameaça do desastre da FIRE começava a ser desfeita.

Em minha planilha de Plano Patrimonial, ano a ano vinha percebendo a queda de minha TNRP, mesmo passando a considerar “zero” de rendimentos extras (“salariais”) nos anos futuros. E notei que um retorno ao trabalho assalariado era algo cada vez mais distante.

Nesse período continuei com os voluntariados, aos quais me dedicava no período da tarde, seja presente no local ou criando atividades via internet. Entre períodos de ausência e de intensa presença, também escrevi muito nesse blog, criado inicialmente apenas para ser um diário da viagem à Ásia – os primeiros 62 posts foram sobre ela.

Mesclei períodos de política, filosofia e posteriormente comecei a falar sobre investimentos e finanças pessoais. Hoje o blog possui material equivalente a um livro de 1.200 páginas (mais de 300.000 palavras escritas). Foi um grande período de dedicação, embora os últimos meses tenham sido mais intensos. Porém aqui já avançamos para o último período da vida FIRE, que estou vivenciando agora…

A transição da gestão ativa para a passiva – uma FIRE mais relevante?

Talvez consolidar já essa transição seja algo prematuro. Talvez nem exista, de fato, essa transição, devido à necessidade de apresentação de bons resultados para ela se tornar efetiva. Explico…

Em 2019, mais seguro com a independência financeira e aposentadoria antecipada, passei a pensar em ter mais tempo para meu próprio lazer e atividades voluntárias. A atividade de leitura de assuntos relacionados ao mercado, apesar de prazerosa, está me cansando um pouco. Talvez seja uma fase, mas, ao menos, quero pensar em uma alternativa.

Como alcançar a FIRE? O que precisa ser considerado?

Comecei a estudar mais sobre fundos de gestoras profissionais e direcionar parte do patrimônio a eles, criando “duas” carteiras de investimentos: uma ativa, onde eu mesmo compro e vendo papéis e cuido da alocação, e outra passiva, composta pelos fundos de investimentos (a maioria deles, com gestão ativa dos administradores).

Criei uma postagem no blog onde comparo a rentabilidade de ambas carteiras. E pretendo checar, durante ao menos 5 anos, o histórico de rentabilidade de ambas. A ideia é avaliar dois pontos principais:

  • Se a diferença entre as rentabilidades for pequena e eu considerar que o tempo economizado das leituras necessárias às ações que tomo em minha carteira de investimentos é mais precioso, começo a migrar os recursos com mais intensidade. É claro que, se a carteira passiva obtiver uma rentabilidade muito maior, nem há o que pensar…
  • Se a rentabilidade média da carteira passiva for constantemente superior à minha TNRP (atualmente em 2,6% reais ao ano), ela será suficiente para garantir minha condição de FIRE e a migração tenderá a ser mais segura, mesmo que isso signifique um rendimento um pouco menor do que a carteira ativa.

Esse teste começou no ano passado (2019) e está em curso. Não é possível dizer o que farei no futuro, pois depende de como os resultados evoluirão. Caso os números da carteira passiva sejam atraentes, poderei transferir o tempo que dispenso atualmente ao gerenciamento da carteira, ao blog e às atividades voluntárias, potencializando e liberando mais tempo à FIRE, uma vez que deixaria de ter uma gestão ativa de meu portfólio.

Infelizmente, desde o segundo semestre de 2019, estou sem as atividades voluntárias (ao menos externas), pois o centro social que eu trabalhava fechou. Era uma parceria da prefeitura e da Igreja Católica, e parece que houve um desentendimento com as verbas. Ainda não encontrei nada viável que eu pudesse oferecer um valor significativo até agora.

Tenho usado esses últimos meses, entretanto, para realizar minha atividade voluntária “interna”, com o blog, com sua total reformulação. Migrei ele de plataforma no final de outubro e, em função da quantidade de material que ele possuía, terminarei apenas nesse mês a adaptação de todos os posts para o novo padrão. Há algumas intenções adicionais, mas ainda, apenas projetos.

Tempos de FIRE podem ser tempos de grandes mudanças também

A ideia desse texto é simplesmente compartilhar como foi minha jornada à FIRE e apontar os direcionamentos atuais para os próximos anos. Mostrar que houve erros, acertos, que nem sempre podemos colocar em prática tudo que planejamos, que ocorrem mudanças devido a novas situações ou decepções, mas que também, se mantivermos um propósito definido para nossa vida, nos adaptamos e seguimos em frente.

Não pretendo ser exemplo para ninguém, mas apenas garantir que é possível criar uma estratégia de gerenciamento da carteira de investimentos que seja suficiente para desfrutar da liberdade de não possuir um empregador, ou ainda, ser dono de nosso próprio tempo.

Essa liberdade está ao alcance da maioria. Talvez, em um período de 10 anos seja um pouco difícil para a realidade brasileira, mas nada impede você a buscar sua FIRE nos próximos 20 ou 30 anos. Esses anos a mais não devem ser considerados como desestímulo: você vai viver muito, mas muito mais que isso, principalmente se for jovem. Se você começar a trabalhar com 20 e se aposentar com 50, a maior parte de sua vida ainda será sob as asas da FIRE.

Infelizmente a maioria das pessoas acredita que é impossível alcançá-la. Não entre nesses ruídos. Acredite em você. Veja abaixo dois artigos que servem de apoio nessa jornada, onde, com protagonismo e responsabilidade, você alcançará o verdadeiro fim: sua felicidade.

Explore mais o blog pelo menu no topo superior!…
Para me conhecer mais, você ainda pode… ler sobre um resumo de minha história, ouvir uma entrevista em podcast, assistir uma live no Instagram, ou adquirir um livro que reúne tudo que aprendi nos 20 anos da jornada à independência financeira.

E, se gostou do texto e do blog, por que não ajudar a divulgá-lo em suas redes sociais através dos botões de compartilhamento?

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Bob
Bob
4 meses atrás

Caro André, Referência => 10 anos de FIRE: independência financeira e aposentadoria antecipada Acompanho o seu Blog já faz algum tempo, porém não conhecia essa sua vida ativa de trinta anos, conforme demonstrada no título do artigo em referência. Para mim ficou claro, que nesse tempo de sua vida útil de estudo e profissionalização, houve um período onde foi desenvolvido um plano, criado estratégias e buscado constantes de variáveis. Pelo exposto, tudo foi bem definido, em nome de conquistar objetivos e metas pré-estabelecidas. Sou um jovem da terceira idade, e como tal, admiro e parabenizo os seus comentários enaltecedores e… Leia mais »

Aposente Cedo
6 meses atrás

Parabéns pela jornada! Foi muito bom poder ler todo seu relato. Não sei se já fez, mas seria legal se tiver um post sobre como é sua rotina atual na maioria dos dias.
Abraço

Acumulador Compulsivo
8 meses atrás

Fala mestre André.
Foi muito legal ler este post e acompanhar a sua evolução.
Já conhecia boa parte da história devido ao podcast, mas foi top.
Não comentei antes pois li no avião.
Tenho a prática de baixar vários artigos (muitos dos seus, inclusive) e ler no vôo.
Daí acaba que não consigo comentar muito, mas estou sempre acompanhando.
Um abraço!!

Rafa Monteiro
Rafa Monteiro
8 meses atrás

André, que ótimo conhecer um pouco melhor sobre o assunto. Acompanho você há algum tempo e não sabia que estava nessa fase. Obrigado por compartilhar conosco essas experiências. Formei em engenharia mas o mercado não sorriu para mim rsrs. Infelizmente, não vejo como chegarei à FIRE, me vejo aposentando por idade mesmo. Mas isso não me desestimula, cada um tem uma jornada, a vida é isso. A despeito dessa frustração, quero ter um fluxo constante de dividendos e não depender apenas do governo. Sigo firme nos meus aportes com uma estratégia bem arrojada. Adoro seu site e artigos. Muito sucesso… Leia mais »

Rumo a Independencia
8 meses atrás

Fala, André, como vai?
Meus parabéns pela marca! Realmente é algo inédito e incrível!
Obrigado por compartilhar esse tipo de coisa e outros conhecimento conosco em meio a tanto tempo! Essa experiência que veio acumulando, aprendizados, pensamentos e afins, tem nos inspirado bastante e nos dado um puta gás na jornada!
Abraços!

Lena
Lena
8 meses atrás

Pena que seus posts sao muito compridos nao consigo tempo para parar e ler todo..quem sabe um dia

Cinthia
Cinthia
8 meses atrás

Muito legal acompanhar seus derradeiros 30 anos! Parabéns pela capacidade de análise, o desapego, o reinventar ao longo do tempo!

Caso possa divulgar um pouquinho seus investimentos, sem contar os valores de alocação, apenas quais empresas e fundos acredita no longo prazo, seria uma bússola para nós iniciantes. Comecei efetivamente a investir nesse ano de 2020 (após a venda de um imóvel financiado) e espero que até 2035 (após a formatura da minha filha) eu possa me proclamar FIRE.

Veremos o que o futuro aguarda.

Grata pela disponibilidade de compartilhar conosco.

Cinthia
Cinthia
Reply to  André
8 meses atrás

Muito grata André! Entendi sua posição, realmente precisaria acompanhar toda a trajetória dos derradeiros 20 anos para entender toda a posição atual. De toda forma, vou buscar este post da carteira de sua filha, me lembro dele.
Abraços

Sr.IF365
8 meses atrás

Muito bom o post! Praticamente uma biografia FIRE! E que época estamos vivendo para celebrar esses seus 10 ano?rs

Desejo sucesso e que os planos continuem sempre dando certo, ver que é possível fazer a coisa funcionar a longo prazo é sempre inspirador para todos nós… principalmente quando parece que o mundo vai acabar.

Sr.IF
http://www.srif365.com

Nice
Nice
8 meses atrás

Muito esclarecedor para os mais jovens, acompanhei de perto sua história, as vezes aprovando,outras não, mas no fim deu tudo certo pra você.bjs

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