Rebalanceamento da carteira de investimentos – 1ºS/2020


O rebalanceamento da carteira de investimentos é fundamental em seu sucesso financeiro a longo prazo e faz parte do método de Alocação de Ativos.
Como manter uma alta rentabilidade com a diversificação dos papéis? Veja algumas premissas e as mudanças recentes em meu portfólio.


Você faz o rebalanceamento de ações e investimentos que compõem sua carteira de investimentos? Com que frequência? Quais princípios utiliza? Vamos procurar responder essas perguntas utilizando casos reais de ativos no gerenciamento semestral de meu portfólio. Simplificadamente, mostro as razões para rebalancear as carteiras de investimento regularmente.

Para detalhes do método que utilizo, acesse “O que é Alocação de Ativos – um guia para iniciar sua carteira de investimentos“, onde mostro a estratégia e uma sugestão para um portfólio inicial.

Rebalanceamento da carteira de investimentos na alocação de ativos

Premissas no rebalanceamento de uma carteira de investimentos

O praticante do método de alocação de ativos constrói sua carteira de investimentos alocando um determinado percentual de diversos ativos em seu portfólio, dentre eles ações, títulos de renda fixa, fundos imobiliários e ativos de câmbio, como ouro e dólar.

Com a movimentação do mercado financeiro, após um tempo é natural que esses percentuais se alterem, uma vez que alguns ativos sobem, e outros desvalorizam-se. É aqui que entre o rebalanceamento de carteira: o investidor deve revisar periodicamente seus ativos e trazê-los ao percentual original.

O histórico exposto abaixo está fundamentado nessa teoria. Mas antes de continuar, é importante consolidar três observações.

1) Os percentuais de alocação não são imutáveis

A atribuição do valor percentual de um papel na alocação de ativos não é algo definitivo. Ela pode ser modificada com o tempo em função de sua percepção do mercado, idade ou objetivos e prazos no uso do dinheiro.

Desde o começo de 2017, tenho alterado meu viés em manter a maior parte do meu patrimônio em renda fixa, aproveitando-se, até então, da alta taxa de juros no país. A participação foi reduzida de 65% para 35% em julho de 2020, a maior parte dividida em reserva de oportunidade (Selic) e títulos longos com vencimento em 2035 e 2050.

Essa diminuição de 30% na renda fixa foi alocada principalmente em ações e fundos imobiliários. Antes, eu possuía em carteira uma participação de menos de 10% de fundos imobiliários e hoje está acima de 16%, cerca de 2/3 do valor de ações. A Selic a pisos históricos foi a principal motivação para essa mudança.

O que levar dessas observações? A alocação de ativos, para ser mais efetiva, exige que repensemos continuamente o valor percentual que atribuímos às nossas alocações. É verdade que uma das virtudes do método é evitar ações emocionais e vieses súbitos na operação dos ativos. Mas também é verdade que podemos aprimorá-lo se estivermos sempre avaliando a situação macro no mercado.

Uma outra variável que pode influenciar mudanças na atribuição desses percentuais é a idade do investidor. Uma pessoa que vai chegando à casa dos 50 anos, como eu, deve repensar uma alta exposição em ações de empresas, uma vez que em crises graves, a recuperação de perdas pode levar mais tempo.

Jeremy Siegel, em seu excelente “Investindo em Ações no Longo Prazo“, mostra estudos onde é mais vantajoso aumentar a exposição em renda variável quando o horizonte de investimento é maior. Assim, quando o nosso encolhe (a inexorável lei da vida…), é hora de repensarmos esses percentuais.

Já pessoas mais jovens, podem arriscar mais em renda variável, pois há um tempo maior para reaver o que, eventualmente, perder. Falando em jovens, leia também o processo de formação de carteira de investimentos de minha filha e suas mudanças nos ativos ao longo do tempo. Descubra a planilha que utilizamos para esse controle financeiro e veja a perspectiva do rebalanceamento de carteiras de investimentos de uma pessoa mais jovem.

2) A qualidade dos ativos importa

Atribuídos os percentuais de cada ativo em sua carteira de investimentos, chega a hora de escolher os papéis. O método de alocação de ativos não é algo mágico que fornecerá altas rentabilidades se você apenas seguir apenas o seu mecanismo operacional. Os papéis escolhidos devem sempre ser avaliados pela sua qualidade e possuir retorno e risco compatíveis.

Se uma ação sofrer algum abalo grave e suas cotações desabarem, devemos pensar se, de fato, é viável dobrarmos a aposta para repor os percentuais. Da mesma forma, se uma ação subir demais em um curto período, devemos avaliar se há exageros, para vendermos uma parcela das cotas, ou se existem perspectivas otimistas, mantendo-as por um período maior.

É verdade que essas decisões envolvem o estudo de cada ativo. Porém, a técnica de rebalanceamento de carteiras não envolve necessariamente esse conhecimento técnico. É possível realizá-la de forma passiva, através dos ETFs.

A utilização dos ETFs pode ser uma boa opção para quem não tem muito tempo ou não quer se aprofundar na análise de empresas da bolsa de valores. Para aprofundamento desses conceitos, bem como entender suas vantagens e desvantagens, acesse minha carteira de fundos de índices.

Ou seja, alocar/rebalancear e escolher bons ativos não são coisas mutualmente excludentes e ambos são importantes. De qualquer forma, já escrevi também porque acredito que, entre usar seu tempo para estudar indicadores fundamentalistas ou realizar o rebalanceamento de ativos, a vantagem está na segunda opção.

3) Carteira de investimentos passiva ou ativa – o gerenciamento de riscos

É importante frisar que, mesmo com uma carteira de investimentos passiva, seja com ETFs ou com fundos de investimentos, o rebalanceamento sempre deverá ser realizado. Além de simplesmente otimizar a rentabilidade do portfólio, implica em gerenciar corretamente seus riscos.

Nesse blog há um texto atualizado mensalmente que compara as rentabilidades de minha carteira de investimentos ativa e passiva. Em outro momento, comento a diferença da independência financeira passiva e ativa.

A cada percentual de um ativo em nossa carteira de investimentos, alocamos uma parte do risco nesse componente. E, se houver uma valorização expressiva, devemos buscar realizar uma parte do lucro para que não fiquemos muito expostos.

Pode ser que nossa decisão não seja a melhor no curto prazo. Imagine a dor de vender um ativo que se valorizou muito e ele continuar subindo? Porém, já faz um bom tempo que descobri como o curto prazo não nos leva ao sucesso como investidores e, consequentemente, a uma vida com qualidade e tempo disponível para usufruir sua liberdade.

O que nos levará à conquista de objetivos edificantes é o uso do curto prazo para construir o longo prazo. É tomar pequenas atitudes no dia a dia que tornarão nosso futuro mais previsível, de acordo com nossos propósitos. Assim, apesar de podermos ter flexibilidade na realocação de percentuais de ativos e avaliar sua qualidade antes de decidir uma compra e venda, pense sempre em gerenciamento de riscos. Você não se arrependerá disso no futuro.

Evitando os impostos nas vendas das ações

Muitos educadores financeiros mais conservadores sugerem não “girar” demais a carteira de investimentos evitando o pagamento de impostos. A premissa é verdadeira, principalmente se compararmos com o giro constante que os analistas de bancos e corretoras de valores proporcionam em suas sugestões de investimentos. Afinal, quando mais corretagens, maior o lucro da corretora, certo? Lembre-se sempre de procurar uma corretora com baixas taxas de corretagens.

Em relação à compra e venda de ações individuais, a legislação permite uma alternativa: a venda de volumes abaixo de R$ 20mil são isentas de imposto de renda, por CPF. Analise bem a legislação para não cometer erros.

Porém, há um macete para não pagar imposto de renda mesmo vendendo montantes acima de R$ 20mil, caso você possua outros papéis com prejuízo: realizar a venda do montante necessário para zerar o lucro das ações com valorização e recomprar novamente os papéis no dia útil seguinte. Essa operação ajuda muito o planejamento tributário.

É possível perder alguns décimos de percentual nessa operação caso as ações iniciem o próximo pregão em alta, mas, globalmente, é compensatório. Se toda a carteira de investimentos estiver no positivo, fica mais difícil. Por isso que uma das estratégias que uso para tornar a operação possível é possuir muitas ações, como expliquei no passo 5 do texto “Quantas ações ter em sua carteira de investimentos?“.

Rebalanceamentos da carteira de investimentos – exemplos

Exemplos de rebalanceamentos – 2018

Em abril/18 duas ações da carteira valorizaram expressivamente. A Suzano (SUZB3) já vinha com uma valorização no mês anterior quando a empresa comprou a Fibria. Já a valorização da Eletropaulo (ELPL3), com a briga pelo seu controle acionário por outras gigantes, ocorreu majoritariamente nesse mês.

No mês, a valorização de SUZB3 chegou a mais de 23% e, no ano, até então, a incríveis 119%! Já a ELPL3 marcou estupendos 91% no mês e 109% ao ano. Uma vez que, na minha gestão do pilar de renda variável busco manter um percentual de cada papel individual entre 1 a 1,5% da minha carteira total de investimentos, vendas de parte dessas ações seriam inevitáveis…

Uma valorização expressiva de duas ações no mesmo mês traz um problema fiscal… a venda de parte dessas ações ultrapassou os R$ 20mil, que é o limite de isenção para pagamento do IR. Porém, vendi ações da Multiplus e AES Tietê, que estavam no prejuízo, e compensei o lucro de Suzano, diminuindo consideravelmente o imposto a pagar.

Transferência de parte do lucro para fundos imobiliários

Outras empresas do portfólio valorizaram-se razoavelmente, o que contribuiu para que, mesmo com as vendas de SUZB3 e ELPL3, o percentual do pilar de ações ficasse ligeiramente acima dos 25%. Como eu tinha objetivo de aumentar minha fatia percentual em Fundos Imobiliários, usei o excedente para comprar BCRI11, um fundo de recebíveis que possuía a expectativa de entregar 9% de dividendos (livres, sem impostos) aos seus cotistas nesse ano.

A troca de ativos em renda fixa para fundos imobiliários de recebíveis, lastreados em CRIs, foi uma estratégia usada para manter um fluxo razoável de renda com a queda dos juros no Brasil. Os riscos são maiores, mas os rendimentos que podemos auferir dos rendimentos de seus títulos e suas cotas, compensou as realocações.

Exemplos de rebalanceamentos – 2019

Em outubro de 2018, antes das eleições do segundo turno para presidência, comentei que os dois primeiros anos do governo Bolsonaro seriam melhores que os anteriores, pero no mucho: ele sofreria muita pressão para realizar as mudanças necessárias. Não imaginei, entretanto, que ele faria tantos “gols contra” no processo. O fato é que a economia no primeiro semestre continuou patinando.

Eu dizia na época que aumentaria minha alocação de renda variável de 25% até os 30% até o Ibovespa chegar a 100 mil pontos nos primeiros meses do governo, o que ocorreu um pouco mais tarde, em junho. Se a subida se mantivesse, começaria a vender o excesso de forma a manter a alocação abaixo dos 30%.

Da mesma forma, realizaria vendas de títulos de renda fixa de juros longos, mantendo esse dinheiro na reserva de oportunidades, uma vez que acreditava que o mercado iria exagerar na precificação dos ativos de risco e devolver uma parte dos ganhos proporcionando aberturas para novas compras, o que ocorreu no segundo semestre.

O segundo semestre continuou sendo muito favorável para as ações e fundos imobiliários. Realizei mais vendas de forma que o percentual em ações não alcançasse os 30%, embora no final do ano ele se aproximou bem desse valor.

No texto que comparo as rentabilidades de minhas carteiras ativas e passivas eu mostro com mais detalhes a evolução percentual da alocação de cada ativo. Clique se desejar saber mais.

Em relação aos fundos imobiliários tinha uma resistência maior a vendê-los, tanto pelo motivo de que eles ainda não atingiram o valor máximo de 20% (o teto então atribuído), como pelo fato do pagamento de imposto de renda. Durante o semestre, não havia nenhum FII com prejuízo, de forma que pudesse compensar o lucro de algumas vendas. Mesmo assim, em virtude de altas valorizações de alguns papéis, realizei algumas vendas em dezembro.

Transferi parte de um caixa que estava em um fundo Selic de taxa zero para minha carteira passiva, comprando cotas de fundos de investimentos no exterior e multimercados, como o Bogari. Seguem as operações mais significativas de 2019.

Ações

No primeiro semestre, as vendas de parte das ações e FIIs concentraram-se em ativos como a ENBR3, QUAL3, CSAN3, BRFS3 (essa eu zerei), SQIA3, TRPL4, BBSE3 e SUZB3.

Essas vendas ocorreram muito menos por feeling e muito mais por ajustes de portfólio. Minha intenção em exemplificar a ideia é tornar mais próximo aos leitores o funcionamento de um rebalanceamento de carteira de investimentos pelo método de alocação de ativos.

No caso da Suzano, por exemplo, vendi no primeiro trimestre quando atingiu valores próximos a 50,00, não porque eu tinha “certeza” que seu valor estava alto, mas sim porque a alocação que eu reservo a ela no meu portfólio ultrapassou o teto e influenciou o gerenciamento dos riscos.

Em junho a ação despencou a preços próximos a R$ 30,00. O que ocorreu? Sua alocação ficou em um nível abaixo do que defino para a carteira e comprei mais alguns lotes. Assim mantenho sempre a faixa de percentual estabelecida.

Em agosto vendi parte de minhas ações da HGTX3 a R$ 35,00 e B3SA3 a R$ 45,00. Já em setembro, foi o mês em que passei e me desfazer de parte das ações da SQIA3. Foram várias vendas parciais pequenas, com dó, por acreditar no crescimento da empresa, mas necessárias para gerenciamento de riscos. Comecei vendendo a R$ 20,00 em setembro e esperei elas chegarem a R$ 21,00 em dezembro para vender mais dois lotes, a R$23,00 e a R$ 25,00. Outra venda parcial foi de QUAL3, em novembro, a R$ 36,00.

Em dezembro vendi vários lotes de ENBR3, GRDN3, BBSE3, TUPY3 e SAPR11. Em todas elas foram apenas ajustes de percentuais, continuando como cotista. A carteira fechou dezembro com 29,21% de alocação em ações.

Fundos Imobiliários

No caso dos FIIs, participei de várias subscrições, como RBRR11, XPML11, HGLG11, BCRI11 e GGRC11. Com esses aportes e a valorização, a carteira de fundos imobiliários poderia ter chegado um percentual muito alto, o que foi contrabalanceado com a venda de alguns papéis que ultrapassaram meu limite de risco. Vendi FLRP11, FFCI11, FCFL11 e FIIB11.

Para pagar menos imposto de renda, vendi no mesmo mês alguns fundos com prejuízo nominal, como RNGO11 e BRCR11 (que distribuiu rendimentos extras de vendas de imóveis e teve sua cota ajustada para baixo).

No segundo semestre, ocorreram vendas em dezembro (parte de MXRF11, RCRB11 e FCFL11), e participei de várias subscrições, como RBRR11, XPML11, HGLG11, BCRI11 e GGRC11. O pilar de fundos imobiliários fechou 2019 com 17,92% de participação na carteira ativa de investimentos.

Renda fixa

Durante o primeiro semestre diminuí bem a alocação de títulos do Tesouro Direto de prazos longos, mantendo cerca de 20% de alocação no pilar (ainda acreditando que as taxas possam cair um pouco).

A maior parte da alocação ficou em títulos curtos (45%) e CDI pós-fixado (25%), disponíveis para oportunidades do mercado, enquanto o restante ficou em debêntures, sendo que para esses ativos, fiz uma migração em maio para a carteira de fundos terceirizados como o FDC KINEAINF F01.

No final do ano diminuí bem a alocação em fundos pós-fixados e distribuí essas vendas (somadas à venda em renda variável) em poucos títulos do Tesouro Direto de prazos longos (quando as taxas deram uma subidinha) e em fundos passivos de debêntures e fundos de terceiros, aumentando minha participação na carteira passiva.

O pilar de renda fixa, que já participou com mais de 65% de meu portfólio na época dos juros gordos, fechou 2019 com 39,77%.

Câmbio (ouro e dólar)

O dólar mudou pouco até junho e não houve movimentações no primeiro semestre.

Apesar do escândalo da imprensa, o dólar ele fechou o ano com uma valorização pequena, que não interferiu no percentual de alocação desse pilar.

Já o ouro, foi responsável pelo seu crescimento, mas como estou deixando o percentual de alocação subir um pouco mais, esperando muita coisa para ocorrer a nível mundial, o número fechou com 13,10% em 2019.

Exemplos de rebalanceamentos – 2020

O primeiro semestre de 2020 foi marcado pela maior queda dos mercados financeiros da história, se analisarmos sob perspectiva da intensidade e velocidade dos movimentos de baixa e posteriormente, de recuperação.

Em resumo, as posições em dólar e ouro da carteira defenderam bem o portfólio, permitindo troca de posições entre essa classe e ativos de renda variável. O semestre ficou marcado também pelo reforço da reserva de oportunidade, que quase foi embora para aproveitar as quedas consequentes que o mercado nos ofereceu em março.

Vamos ver com mais detalhes por classes de ativos.

Ações

No começo do ano continuei vendendo posições de QUAL3, SQIA3 e FLRY3, além de encerrar posição em SMSL3 – essa, por não acreditar mais na boa governança do ativo. Um exemplo que, além de gerenciar o risco através dos percentuais, temos que focar também na qualidade de nossos papéis.

Após a crise, comprei vários papéis a partir do momento que a bolsa caiu para 90.000 pontos, usando a reserva de oportunidade e posições muito valorizadas de dólar e ouro. Comprei mais lotes a 80.000 e 70.000 pontos, quando a reserva caiu a menos de 3% do portfólio (estava mais de 10%).

Algumas das novas ações compradas foram BPAC11, RLOG3, ABEV3 e ODPV3, além do reforço de outras posições. Em junho, comecei a vender lotes de ações que percebia com menor qualidade para compor a nova carteira de ETFs, cuja rentabilidade começa a ser divulgada em agosto.

No lote de venda, estavam nomes como UGPA3, EMBR3, GRND3, GUAR3, VULC3 e MYPK3. A ideia, nesse momento, é também diminuir o número total de ativos que tenho na carteira, visando uma administração mais simples. Elas foram transformadas em DIVO11, PIBB11 e SMAL11.

A alocação de ações começou o ano com 29% e, com todas as movimentações, caiu a menos de 27% no final do semestre. Caso esse percentual comece a se aproximar de 30%, equivalente a algo próximo de 110 mil pontos de bolsa, inicio um processo de venda mais agressivo.

Fundos Imobiliários

A alocação de fundos imobiliários caiu 2% (de 18% para 16%) no primeiro semestre, seja pela queda natural (principalmente os fundos de shoppings-centers) ou pelas vendas (BCRI11, FCFL11, BRCR11, RNGO11 e RCRB11) para posterior alocação na carteira de ETFs, que, no caso desses ativos, são, por enquanto, representadas pelos fundos de fundos MGFF11e KFOF11.

Os fundos imobiliários são uma incógnita atualmente se pensarmos em valor de cotas, em virtude da perspectiva da reforma tributária. Será um impacto interessante se o texto for aprovado com sua inclusão. Exatamente por isso tenho evitado novas compras de ativos, aproveitando somente subscrições (que retornaram no final do semestre), caso o preço esteja abaixo do valor de mercado.

A crise do coronavírus também aponta para direções opostas para o crescimento dos fundos, principalmente corporativos. Será que vai prevalecer mais fortemente o home-office ou o aumento de área necessário dos escritórios para promover o distanciamento? Veremos os próximos capítulos…

Renda fixa

O uso da reserva de oportunidade fez a alocação em renda fixa cair 5 pontos percentuais, fechando o semestre abaixo de 35%. Durante o semestre, não fiz mais investimentos no setor, usando alguns títulos privados que venceram em maio para recompor a reserva de oportunidade.

As exceções foram alguns movimentos – de compra e venda, nos fundos de debêntures e investimentos de infra-estrutura KDIF11 e PFIN11. Ambos, no entanto, estão na carteira passiva de fundos de investimentos, e não interferiram na queda do percentual.

Câmbio (ouro e dólar)

Destaques do semestre, o dólar e ouro valorizaram-se expressivamente, fazendo o percentual alocado na carteira de investimentos subir de 13% a mais de 22%. Isso ocorreu mesmo com as vendas que foram feitas para compor novos investimentos em ações.

No texto que faço a comparação mensal da rentabilidade da carteira ativa, comento que deixei o percentual subir além dos 20% (lembra dos vieses?) para obter uma margem de segurança maior em relação a um mundo totalmente novo, cheio de dinheiro artificial no mercado com taxas de juros negativas.

Tenho achado tudo muito estranho, seja pela avalanche monetária, pela histeria com a Covid ou pelas pecinhas que a China está jogando lá no Leste. Estou trocando uma alocação que poderia trazer ganhos mais substanciais em troca de um seguro para possíveis catástrofes.

Enfim, o que é mais importante no rebalanceamento da carteira de investimentos?

Novamente, a ideia desse texto é mostrar a importância de fazer o rebalanceamento de carteira, pelo método de alocação de ativos, reforçando que não opero, primordialmente, avaliando preços, mas sim, avaliando os percentuais de alocação entre os ativos do meu portfólio.

É verdade que, para quem tem alguma experiência no mercado, há a influência de alguns vieses. Seria falsidade dizer que opero apenas pelos percentuais. Mas esses vieses possuem limites bem restritos, embora às vezes eu deveria evitá-los. Veja uma lista deles aqui.

Se, por exemplo, atribuo um percentual de 1% reservado para uma ação e acho que ela vai continuar subindo, posso deixá-la dar uma esticadinha para 1,1% ou 1,2% antes de vender o excesso. Mas não passa disso.

O gerenciamento de risco vem sempre em primeiro lugar. Uma coisa que aprendi no mercado financeiro é que é impossível adivinhar tendências. Como eu sempre comento, estando em um país em que a política interfere de forma demasiada na economia é melhor usar um método de escolhas racionais, deixando o emocional de lado.

Assim, quem pensa em seguir o método de alocação de ativos, não deveria tentar adivinhar o que ocorrerá no futuro. O foco deve ser em sua carteira de investimentos com bons ativos bem alocados, e não operações individuais. Sobre o tema, escrevi no ano passado “A importância do foco na montagem de uma carteira de investimentos“. Fica como sugestão de leitura adicional.

E vocês, leitores, usam a alocação de ativos? Quais os movimentos “macro” que estão vendo para o futuro?

Explore mais o blog pelo menu no topo superior!…
Para me conhecer mais, você ainda pode… ler sobre um resumo de minha história, ouvir uma entrevista em podcast, assistir uma live no Instagram, ou adquirir um livro que reúne tudo que aprendi nos 20 anos da jornada à independência financeira.

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Vagabundo
23 dias atrás

E aí André, tudo bem, já nasceu ? Queria te perguntar com que percentual de desvio vc rebalanceia. Abs

Danilo
Danilo
4 meses atrás

Excelente post André. Achei muito interessante.
Obrigado.

Abraço!

gustavo
gustavo
4 meses atrás

ola. Viagem lenta. Começei a usa restá estrategia de alocação de ativos quando li sua publicação. Li o livro digital do henrique de carvalho também sobre isso. Tem pouco material que fala sobre isto. Dai fimnha minha alocação mais detalhada que me ajuda a manter mais racional do que emocial (haja estomago na crise). Hoje tenho 30% RF (10 caixa/reserva de oportunidade) e os 20% em tesouro e cdbs (usei uma postagem do investidor inglês sobre escadas de cds) e comprei cdbs de bancos menores (bmg, banco paraná, omni, que possuem um rating bom) e diversifiquei em pré-fixado ate 2025.… Leia mais »

Investidor Inglês
4 meses atrás

Fala André! Como você bem notou, ando pensando seriamente em migrar minhas ações para os ETFs. Afinal, como avaliar uma empresa em meio a uma pandemia? rs Falta bem pouco para eu refazer minha carteira. Não podemos ter amor por eles não é mesmo? Amor só por filhos e mãe kkk Nos FIIs já comecei retirando minha implicância com fundos de fundos adicionando HFOF11. Gostei do que li e ainda por cima esses caras tem acesso a fundos que não temos como não qualificados. Já nas ações, provavelmente eu elimine a duplicidade da carteira. Se for para ter DIVO11, não… Leia mais »

Investidor Inglês
Reply to  André
4 meses atrás

40 ações? pqp! hahaha

Apesar que se juntar ações fiis stocks e reits, eu devo ter uns 30 acho

Mas preencher isso tudo no IR é um saco e não quero isso pra mim. Tanto que o estudo da fórmula mágica eu vou vender as ações antes de virar o ano para não precisar informar elas no IR. Informo só o lucro ou prejuízo rs

Vagabundo
10 meses atrás

Rapaz, nesse começo de ano vc veio com uma enxurrada de posts legais ! Uma pergunta – vi em algum post que vc tem uma carteira com 15 (!) fundos de investimento. Como vc definiu o percentual máximo de alocação pra cada fundo ? Pra cada ação vi que vc estipulou 1 a 1,5% do patrimônio. Feliz 2020 !

Maurício
Maurício
10 meses atrás

A legislação que trata da tributação sobre a alienação de ações e fundos imobiliários é absolutamente arcaica e injusta. A regra tributária nas duas situações chamam a atenção pela desproporcionalidade para os pequenos investidores. Por isso, existe uma ideia legislativa no Senado Federal para a criação da “Lei do Pequeno Investidor”, clique aqui: https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaoideia?id=131237&voto=favor Para entender melhor a ideia legislativa, há um pequeno texto a respeito, acesse aqui: http://antipoda.com.br/ideia-legislativa-lei-do-pequeno-investidor/ Peço a ajuda para que votem e divulguem essa ideia legislativa. A ideia precisa de 20 mil apoios, até 07/05/2020, para ser formalizada na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa. A discussão do tema… Leia mais »

Investidor Inglês
10 meses atrás

Fala André! Ficou legal essa nova caixa de comentários, como fez? Quanto as alterações do segundo semestre, fiz movimento parecido. Diminui a posição em SQIA3, EZTC3, GRND3, ITSA4. E nos FIIs vendi um pouco de FIIB11, pois este distanciou bem dos outros da carteira. E olha que praticamente todos meus fiis subiram.

Só minha alocação de renda fixa que ainda anda alta em pós, principalmente em tesouro selic. Mas acredito que por enquanto não mude isso.

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