Rebalanceamento semestral da carteira de investimentos – 1º semestre/2019

Por que é importante rebalancear os ativos de sua carteira de investimentos?

Veja através de exemplos reais de meu portfólio, porque essa é uma etapa essencial para manter uma boa diversificação de sua alocação de ativos.


Ontem atualizei um artigo do ano passado, onde apresentei alguns casos de rebalanceamentos de ativos de minha carteira de investimentos.

Uma vez que considero uma ação fundamental para quem diversifica seus ativos, vou passar a mostrar no blog quais são as principais mudanças que faço no portfólio dentro de cada semestre. E, nos comentários, o porquê de eu ter enxergado valor nas movimentações.

Se algum dos leitores sentir falta de um conhecimento mais aprofundado da estratégia que uso para gerenciar minha carteira de investimento, sugiro a leitura do texto “O que é Alocação de Ativos: um guia para iniciar sua carteira de investimentos“.

A visão de longo prazo

Alguns poderiam pensar: “mas por que irá apresentar as movimentações apenas semestralmente?”. “Por que não mensalmente?”.

Como rebalancear sua carteira de investimentos através da alocação de ativos? Veja um exemplo prático como fiz as operações no primeiro semestre de 2019.

Já faz um bom tempo que descobri como o curto prazo não nos leva ao sucesso como investidores. E, consequentemente, a uma boa vida, com qualidade e tempo disponível para ser utilizado como bem quiser.

O que nos levará à conquista de objetivos edificantes é o uso do curto prazo para construir o longo prazo. É tomar pequenas atitudes no dia a dia que tornarão nosso futuro mais previsível, de acordo com nossos propósitos.

Talvez eu devesse até pensar em atualizar as mudanças da carteira anualmente. Provavelmente, se vivêssemos em um país mais estável, onde a política e os discursos de nossos presidentes não fossem tão nefastos à economia, o rebalanceamento seria menos frequente. E a atualização anual seria perfeitamente aceitável.

Mas, como estamos no Brasil, nesse vai e vem de notícias, a emoção é maior (excelente para os traders) e a necessidade de mudanças entre os ativos ocorre de forma mais constante. Vamos, assim manter essa periodicidade por enquanto…

Mercado em queda: dólar e ouro em alta

Escrevo esse texto em meio ao mercado acionário em queda por mais de um mês, após alguns meses de otimismo com a reforma da previdência. O índice Ibovespa continua abaixo dos 100 mil pontos, após ter atingido mais de 105 mil pontos sete semanas atrás.

O ouro, que hoje está rondando os R$213,00 (OZD1) estava sete semanas atrás a R$ 170,00, enquanto o dólar, hoje marca R$ 4,05 contra R$ 3,71 no mesmo período anterior.

Essas referências são importantes para alguns comentários que farei abaixo.

As principais movimentações da carteira de investimentos

Qual portfólio?

Como rebalancear sua carteira de investimentos através da alocação de ativos? Veja um exemplo prático como fiz as operações no primeiro semestre de 2019.
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Em certa postagem, onde mostrava minha TNRP para 2019, comentei que estou, gradualmente, aumentando a participação da carteira administrada por terceiros no meu portfólio em geral. Isso se dá basicamente por motivos de tempo. Quero começar um processo de me dedicar cada vez menos ao estudo do mercado financeiro e iniciar outras atividades.

Porém, não farei isso repentinamente. O horizonte é terminar esse ano com 30% do portfólio gerenciado por terceiros e ir aumentando isso cerca de 5 a 10% ao ano. Talvez em 10 anos esse processo esteja completo.

E, é claro, isso somente ocorrerá se essa carteira terceirizada render bem historicamente. Como comecei a realizar essa migração esse ano, ainda não publiquei uma comparação das rentabilidades entre ela e a minha carteira pessoal. Farei isso em breve.

Assim, todas as considerações que farei abaixo são para os ativos do meu portfólio pessoal. As alocações dos fundos de investimentos que possuo não estão consideradas. Farei também uma postagem no futuro mostrando a alocação dessa terceirização.

Análise dos investimentos do primeiro semestre de 2019

Em outubro do ano passado, antes das eleições do segundo turno para presidência, comentei que os dois primeiros anos do governo Bolsonaro seriam melhores que os anteriores, pero no mucho. Achei que ele sofreria muita pressão para realizar as mudanças necessárias. Não imaginei, entretanto, que ele mesmo faria tantos “gols contra” no processo. O fato é que o mercado realmente andou pouco até hoje, e a economia continua patinando.

Eu dizia nessa época que aumentaria minha alocação de renda variável de 25% até os 30% até o Ibovespa chegar a 100 mil pontos nos primeiros meses do governo. Isso ocorreu um pouco mais tarde, em junho. Se a subida se mantivesse, começaria a vender o excesso de forma a manter a alocação nos 30%.

Da mesma forma, iria realizar vendas de títulos de renda fixa de juros longos e manter esse dinheiro em curto prazo, para aproveitar oportunidades futuras, uma vez que acreditava que o mercado iria exagerar na precificação dos ativos de risco e devolver um parte dos ganhos proporcionando aberturas para novas compras. Isso vem ocorrendo agora em agosto.

O que não se cumpriu ainda é o aumento dos juros longos da curva, o que parece distante de ocorrer com o processo generalizado de corte de juros e possível recessão mundial. Na mesma análise, acrescentei que os fundos imobiliários poderiam ser uma opção de alocação, em que pese as fofocas de tributação de seus rendimentos.

Mudanças na alocação de ativos e algumas operações

Nos 100 dias do governo Bolsonaro, escrevi outro artigo mostrando algumas movimentações que fiz na carteira de ações no primeiro trimestre e algumas considerações para os meses seguintes. Vou citar novamente algumas operações que comentei essa análise e completá-la na sequência.

A alteração dos percentuais da alocação dos ativos entre janeiro e junho de 2019 ocorreu conforme o gráfico abaixo.

Como rebalancear sua carteira de investimentos através da alocação de ativos? Veja um exemplo prático como fiz as operações no primeiro semestre de 2019.

Esta é uma foto estática, o que talvez não expresse claramente as compras e vendas realizadas no semestre. A valorização da renda variável no período, por exemplo, levaria o montante das ações a mais de 33%. As vendas que realizei manteve a alocação em 31,58%. Semelhante análise pode ser feita para os fundos imobiliários, que se valorizaram bem no semestre.

Ações

As vendas de parte das ações e FIIs concentraram-se em ativos que se valorizaram muito nesses seis meses. Como exemplo, temos a ENBR3, QUAL3, CSAN3, BRFS3 (essa eu zerei), SQIA3, TRPL4, BBSE3 e SUZB3.

Essas vendas ocorreram muito menos por feeling e muito mais por ajustes de portfólio. Minha intenção em exemplificar a ideia é tornar mais próximo aos leitores o funcionamento de um rebalanceamento pelo método de alocação de ativos.

No caso da Suzano, por exemplo, vendi no primeiro trimestre quando atingiu valores próximos a 50,00, não porque eu tinha “certeza” que seu valor estava alto, mas sim porque a alocação que eu reservo a ela no meu portfólio ultrapassou o teto. Assim, por gerenciamento de riscos, vendi uma parte dos papéis.

Em junho a ação despencou a preços próximos a R$ 30,00. O que ocorreu? Sua alocação ficou em um nível abaixo do que defino para a carteira e comprei mais alguns lotes. Assim mantenho sempre a faixa de percentual estabelecida.

Fundos Imobiliários

No caso dos FIIs, participei de várias subscrições, como RBRR11, XPML11, HGLG11, BCRI11 e GGRC11. Com esses aportes e a valorização, a carteira de fundos imobiliários poderia ter chegado um percentual muito alto, o que foi contrabalanceado com a venda de alguns papéis que ultrapassaram meu limite de risco. Vendi FLRP11, FFCI11, FCFL11 e FIIB11.

Para pagar menos imposto de renda, vendi no mesmo mês alguns fundos com prejuízo nominal, como RNGO11 e BRCR11 (que distribuiu rendimentos extras de vendas de imóveis e teve sua cota ajustada para baixo).

Renda Fixa

Durante o semestre diminuí bem a alocação de títulos do Tesouro Direto de prazos longos. Antes eles compreendiam a maior parte do pilar em renda fixa. Hoje compreendem menos de 20% (ainda acreditando que as taxas possam cair um pouco).

A maior parte da alocação de renda fixa atualmente está em títulos curtos (45%) e CDI pós-fixado (25%), disponíveis para oportunidades do mercado.

O restante está em debêntures, sendo que para esses ativos, fiz uma migração em maio para a carteira de fundos terceirizados como o FDC KINEAINF F01.

Ativos de câmbio – ouro e dólar

O dólar mudou pouco até junho – as mudanças estão ocorrendo agora no segundo semestre. Assim, não houve mudanças nos ativos. O ouro iniciou um processo de valorização em junho, mas no semestre também não fiz movimentações.

Comecei a fazer movimentações tímidas agora no segundo semestre, cujos comentários ficarão para um próximo artigo onde abordarei o segundo semestre de forma integral.

Adianto, entretanto, que estou deixando o percentual de alocação subir um pouco mais, pois talvez tenha muita coisa para ocorrer a nível mundial.

O alarme para fazer mudanças maiores na alocação será acionado quando a soma de ambos – ouro e dólar – no portfólio atingir 15%, o que está quase ocorrendo esse mês (no final do segundo semestre ficou pouco abaixo de 12%).

Finalizando…

Novamente, a ideia desse texto é mostrar como fazer rebalanceamentos, na prática, pelo método de alocação de ativos.

Reforçar que não opero, primordialmente, avaliando preços, mas sim, avaliando os percentuais de alocação entre os ativos do meu portfólio, é importante para quem deseja usar a estratégia.

É verdade que, para quem tem alguma experiência no mercado, há a influência de alguns vieses. Seria falsidade dizer que opero apenas pelos percentuais. Mas esses vieses possuem limites bem restritos.

Se, por exemplo, atribuo um percentual de 1% reservado para uma ação e acho que ela vai continuar subindo, posso deixar ela dar uma esticadinha para 1,1% ou 1,2% antes de vender o excesso. Mas não passa disso.

O gerenciamento de risco vem sempre em primeiro lugar. E uma coisa que aprendi no mercado financeiro é que é impossível adivinhar tendências. Como eu sempre comento, estando em um país em que a política interfere de forma demasiada na economia – e com um presidente que fala muito mais do que deveria, é melhor usar um método de escolhas racionais, deixando o emocional de lado.

E vocês, leitores, usam a alocação de ativos? Quais os movimentos “macro” que estão vendo para o futuro?

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Além do link do texto sobre alocação de ativos que disponibilizei no texto, tem mais dois artigos legais sobre o assunto:

 

O nascimento de uma carteira de investimentos. E uma planilha para download

Como evoluiu o plano de investimento financeiro que sugeri à minha filha

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One thought to “Rebalanceamento semestral da carteira de investimentos – 1º semestre/2019”

  1. Pessoal, segue o link de parte dos comentários no Disqus, que não migraram para o WordPress mas continuam em sua plataforma. Muitos, nem por lá estão mais…

    https://disqus.com/home/discussion/viagem-lenta/o_rebalanceamento_da_carteira_de_investimentos_1o_semestre2019/

    Se desejarem ler mais sobre o assunto, ou comentar com sua conta Disqus, ou ainda, se tiverem conhecimento desse bug de migração e quiser ajudar, é só enviar um email para mim.

    Obrigado!

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