Carteira ativa ou passiva de investimentos? Qual é mais rentável?


Há diferenças de rentabilidades entre os investimentos de uma carteira ativa ou passiva?
Veja, com atualização até março/20, como ambas estão rendendo dentro do meu portfólio e as últimas movimentações mensais dos ativos.
Será que vale a pena buscar mais liberdade de tempo entregando-se passivamente aos fundos de investimentos?


O debate entre abraçar uma carteira ativa ou passiva para os seus investimentos rende assunto na finansfera, como mostraram artigos dos blogs do e do Frugal. As dúvidas principais no debate é:

  • vale a pena perseguir uma melhor rentabilidade em uma carteira ativa, mesmo que isso demande mais tempo da rotina?
  • ou é melhor aceitar um rendimento menor de uma carteira passiva, e, consequentemente, ter mais liberdade em nossa vida?

O equilíbrio entre essas alternativas é a resposta mais fácil. Porém, com a idade passando e com o patrimônio consolidando, a cada ano, a independência financeira, tenho procurado deixar a balança pender mais para o tempo livre, preferindo dedicá-lo mais à estrada do que com a mala.

Carteiras de Investimentos Ativas ou Passivas? Qual é a melhor?

Com esse novo viés e objetivo de melhorar a otimização das horas dedicadas à gestão financeira, em 2019 comecei a transferir parte da minha carteira pessoal de ativos para fundos de investimentos, e com isso, diminuir meu tempo utilizado no trabalho de performar cada vez melhor no mercado de capitais. Talvez seja a segunda etapa na viagem lenta à plena liberdade financeira.

O objetivo na comparação das rentabilidades

Esse texto é um acompanhamento da rentabilidade das duas carteiras: a primeira sob minha própria gestão (realizada através do método de Alocação de Ativos) e a segunda, composta de um mix de fundos de investimentos, em diferentes corretoras de valores.

Inicialmente, mostro a situação da alocação percentual de cada carteira através das classes dos ativos. Isso é importante na comparação: procuro manter uma alocação semelhante em ambas, mesmo com algumas dificuldades comentadas abaixo.

Posteriormente, apresento a rentabilidade, atualizada mensalmente, de cada uma delas. Se, ao longo do tempo, a segunda mostrar uma rentabilidade consistente, acima daquela que preciso (medida pela TNRP) para manter meu portfólio em um nível confortável, aumentarei seus aportes gradualmente.

Hoje, no início de março de 2020, a participação da carteira passiva dentro do portfólio está em 36,17%.

A alocação de ativos em cada carteira de investimentos

Manter uma alocação de ativos semelhante entre as duas carteiras de investimentos não é tão simples quando existe um percentual grande de fundos multimercados em sua composição. Como não se sabe previamente a alocação de cada um deles, o valor será sempre uma estimativa.

Como é uma estratégia recente, ainda tenho muito a aprender com ela, e é natural que vá aparando algumas arestas com o tempo. Veremos as alocações atuais das carteiras ativas e passivas na sequência.

Os papéis que fazem parte da carteira ativa de investimento são as ações, fundos imobiliários, títulos de crédito privados como CDB, LCIs e debêntures e fundos de investimentos com o objetivo de investimento em apenas um ativo, como o dólar, ouro e títulos do tesouro direto Selic. Nesse caso, os devidos rebalanceamentos dos ativos são de minha total responsabilidade.

Já quaisquer outros fundos de investimentos que incluam uma gestão ativa de terceiros, sejam fundos multimercados, de ações ou de crédito privado, ou ainda, as carteiras digitais rebalanceadas por robôs de investimentos, estão contidos na carteira passiva de investimentos.

A alocação da carteira ativa de investimentos

Renda fixa

A alocação de renda fixa subiu levemente em março, apesar da tendência de queda nos últimos meses. Do pico de 43,12%, está atualmente em 36,34% do total. Apesar da grande queda dos juros longos nesse mês, esse aumento ocorreu muito mais em função da queda abrupta da renda variável. No futuro, é cada vez mais improvável captarmos ganhos nesse pilar em função da baixa dos juros, exceto, talvez, por uma redução dos mesmos na curva longa.

Em janeiro de 2020, reforcei a posição em FIIs, devido a queda expressiva de alguns ativos e, em fevereiro, com a baixa do mercado de ações que ocorreu após o carnaval, realoquei parte da reserva de oportunidade, ainda em títulos pós-fixados, para comprar mais papéis. Até então, tinha ainda cerca de 15% do total do portfólio na renda fixa pós, para aproveitar novas oportunidades.

No terrível mês de março, resgatei 3/4 da reserva de oportunidade (estou agora com pouco mais de 3% apenas) e aloquei em mais ações e FIIs. Detalho as movimentações mais abaixo.

Meu limite mínimo de atribuição na renda fixa havia sido estabelecido em 40% do portfólio, mas as expectativas de retornos atuais para essa modalidade nos últimos meses, desencorajam novos investimentos. Estabeleci por ora um limite mínimo de 35% para esses investimentos na minha carteira ativa para realizar novas movimentações. Ao mesmo tempo, vamos refletindo para onde o mercado está caminhando.

Dentro do pilar, estou procurando alternativas para recompor a reserva de oportunidade. Tenho dois vencimentos de títulos de crédito privado em maio, que ajudará no processo.

Renda variável: ações

O percentual de ações estava sendo mantido constante nos últimos meses, em torno de 27 a 29%. No mês de fevereiro, apesar da queda do mercado, reforcei as posições e o percentual atingiu seu valor máximo, de 29,79%.

Porém, em Março, apesar das realocações da reserva de oportunidade, dólar e ouro para a renda variável, o percentual caiu a 25,11%, o menor até então. Apesar de ainda ter alguma gordura para queimar, estou aguardando um pouco mais para comprar até que tenhamos uma clareza maior do impacto do coronavírus no mercado financeiro. Reforcei posições em CVCB3, RLOG3, COGN3, ABEV3, ELET3, BPAC11 e ITSA4.

A alocação atual por setores sempre foi maior em combustíveis e mineração (resquícios do tempo onde mantinha um valor razoável de PETR4 e VALE3 para maximizar meus ganhos em vendas cobertas de opções – agora estou esperando um bom momento para vender parte da posição). Porém, em março, as elétricas tomaram à frente, uma vez que caíram bem menos do que as primeiras. Em seguida temos varejo, bancos e siderúrgico. Veja a distribuição total mais abaixo, incluindo os FIIs.

Renda variável: fundos imobiliários

Os fundos imobiliários entraram para valer na minha carteira de investimentos um pouco mais tarde, há menos de dez anos. De uns dois anos para cá retornei mais atenção a eles em virtude da queda dos juros. É uma forma de receber mais dividendos com alguma previsibilidade, embora a valorização em 2019 corroborou meu pensamento que muitos deles estavam com os preços meio esticados, mesmo com a correção no início de 2020.

O que ocorreu em Março, entretanto, estava fora de qualquer previsão. O IFIX caiu quase 16% e o percentual de fundos imobiliários na carteira, mesmo com as compras do mês, caiu para 17,58%. Comprei HSML11, RBRP11 e reforcei posições em logística, com GGRC11 e FIIB11. Ainda planejo alcançar o limite de 20% com esses ativos, mas continuarei realizando vendas parciais caso algum ativo ultrapasse o limite individual de exposição.

Veja abaixo os gráficos de alocação entre os ativos de renda variável (abra a imagem em uma nova guia para ampliar).

Câmbio

A participação histórica do câmbio na minha carteira sempre ficou em torno de 10%. Com a valorização recente das moedas e, principalmente dos metais preciosos nos últimos meses, principalmente em março, os fundos tiveram rentabilidades altas e elevaram o percentual acima de 20%, bem acima do final de 2019, quando havia fechado em 13,10%. E isso ocorreu mesmo com alguns rebalanceamentos que fiz para comprar ações e fundos imobiliários. Afinal, tanto o ouro quanto o dólar se valorizaram em torno de 30% nesse trimestre.

Teoricamente, utilizando o método de alocação de ativos eu já deveria ter vendido grande parte desses ativos para restabelecer o percentual de 10%. Porém, já comentei por aqui que muitas vezes faço uso de alguns vieses, atropelando um pouco a teoria. Mas, como eu já vinha falando, eu acredito que o mundo estava meio estranho, com a profusão de juros negativos. Eu me perguntava: a China volta a crescer como antes? E quem garante a veracidade de seus números? Ela, como a Rússia e demais países estão comprando ouro demais. Enfim, por receio de não estar entendendo muito bem o que estava acontecendo, deixei esse percentual subir um pouquinho.

Em março vi que a estratégia estava correta, porém, por outros motivos. Quem imaginaria que a crise do coronavírus iria chegar a tanto? Ou, aprofundando mais um pouco, será que essa é a real crise? Ou será que ela está sendo usada como pretexto para algo muito pior?

No momento, pretendo manter o percentual mínimo de câmbio a 20% do patrimônio. Ainda precisamos entender melhor o que está ocorrendo. Enquanto isso, sem movimentações bruscas, somente pequenas realocações. O importante é preservar caixa, e os ativos descorrelacionados podem ajudar nesse processo.

Segue, enfim, o resumo da alocação da minha carteira ativa de investimentos. Uma evolução mensal do percentual tanto da carteira ativa, quanto passiva, pode ser vista ao final da seção no gráfico interativo.

Percentual dos pilares alocados na carteira de investimentos ativa
Percentual dos pilares alocados na carteira de investimentos ativa

A alocação nos fundos de investimentos (carteira passiva)

Como comentei anteriormente, a escolha de priorizar os fundos multimercados tem uma razão específica. Primeiro, se estou migrando parte de meu patrimônio para uma gestão de terceiros, é porque eu preciso confiar na capacidade técnica dos gestores. E um fundo multimercado é o produto onde eles podem exercitar mais seus conhecimentos, dada a flexibilidade de classes de ativos para investimentos que possuem.

Para manter uma alocação diversificada, também escolhi gestores puros de ações e de crédito privado. Lembro que os únicos fundos que não estão nessa carteira são os fundos pós-fixados, que uso para uma reserva de emergência e para aproveitar oportunidades pontuais. Ou seja, estão em minha gestão própria.

Vamos dividir essa gestão passiva em duas classes: os fundos de investimentos tradicionais e os fundos de previdência privada. Cada um possui particularidades diferentes.

Os fundos de previdência privada

Os fundos de previdência privada estão contidos nos cálculos de rendimentos dos fundos da minha gestão passiva, mas não os considero para o estabelecimento da alocação ideal da carteira. Como assim?

Eu adquiri esses fundos (são três com gestões diversificadas) na época em que ainda era empregado. A empresa contribuía com uma parte dos aportes, e eu usava o abatimento de 12% na minha declaração anual de imposto de renda.

Desses três fundos, mantive dois sem movimentação até hoje (embora tenha alterado a gestão duas vezes). Essa estratégia foi posta em prática em função do fato de que esses fundos estavam sob a tributação regressiva, e terão seus últimos aportes incluídos na alíquota mínima de 10% de imposto de renda a partir do mês que vem.

O outro fundo estava sob tributação progressiva, e foi abordado através de uma estratégia diferente. Todos esses anos, como eu não tinha renda tributada na fonte (salário), fiz o máximo de saques anuais (uma média de R$ 28.000,00) de forma que eu recebesse de volta o imposto de renda retido na fonte de 15%, na declaração anual simplificada. Ele ainda possui um saldo razoável e acredito que precisarei de mais uns dez anos para zerá-lo.

Voltando à questão colocada no início dessa seção: esses fundos possuem uma estratégia própria. Para os dois primeiros, tendo a mantê-los como planos sucessórios, devido à facilidade de transferência aos familiares. O terceiro, eu planejo zerá-lo com o tempo. Ou seja, os três estão fora da estratégia de incrementar as rentabilidades de minha carteira passiva.

Eles estarão fora dos objetivos da alocação, mas farão parte do ranking de rentabilidade, uma vez que são fundos arrojados:

  • O dois primeiros são fundos de fundos (FoF) e possui uma alocação média de 40% em fundos multimercados e 23% em renda variável;
  • O terceiro é um fundo de crédito privado que vem obtendo boas rentabilidades históricas.

Ou seja, os três são aptos a participar da rentabilidade dos fundos de investimentos de terceiros. Sua alocação dentro da carteira passiva de investimentos já foi de mais de 57%, mas hoje está em 50,64%, devido a novos aportes nos fundos de investimentos.

Alocação dos fundos de investimentos de terceiros na carteira passiva
Alocação dos fundos de investimentos e previdência na carteira de investimento passiva

Os fundos de investimentos

O percentual restante da carteira passiva, 49,36%, é composto por 19 fundos de investimentos, sendo que “um” deles considero como a união das 4 carteiras digitais operadas com robôs de investimentos, cuja rentabilidade eu comparo mensalmente.

Como comentei acima na seção dos PGBLs, não vou considerá-los na alocação a ser perseguida, uma vez que os objetivos são diferentes. Nessa carteira de fundos de investimentos, o objetivo é a renda passiva, e vou gerenciar a alocação de fundos multimercados, ações e crédito privado separadamente. Os fundos da carteira passiva são os seguintes:

  • Fundos Multimercados
    1. Fundos dos robôs digitais (Magnetis, Vérios, Monetus e Warren)
    2. Adam Macro Strategy II D60 FIC FIM
    3. Legacy Capital FIC FIM
    4. Kinea Chronos FI FIC
    5. Kapitalo Kappa D FIC FIM
    6. Vítreo FoF Melhores Fundos
    7. Vítreo Money Rider Hedge Fund
    8. Dahlia Total Return FIC FIM
  • Fundos de Ações
    1. Alaska Black FIC FIA II BDR Nivel I
    2. Brasil Capital 30 FIC FIA
    3. Fama FIC FIA
    4. Bogari Value D FIC FIA
    5. Perfin Foresight Inst FIC FIA
    6. Indie FIC FIA
  • Fundos de Crédito Privado e/ou Juros Longos
    1. Capitalys Pan FIC FIM Cred Priv
    2. Brasil Plural FIC FIRF IMA-B
    3. Kinea Infra (KDIF-FID01B0)
    4. Itau IMAB ID ETF
    5. Perfin Apollo Energia

A alocação atual dos fundos de investimentos, excluindo os 3 PGBLs, fechou março de 2020 dessa forma:

Alocação dos fundos de investimentos de terceiros na carteira passiva
Alocação dos fundos de investimentos de terceiros na carteira passiva

Individualmente entre os fundos, a carteira está bem diversificada, sendo que nenhum deles alcança o percentual de 15% do total e estão distribuídos em 5 corretoras diferentes. Para conhecer cada um mais a fundo, vale incorporar em sua rotina a leitura das cartas de seus gestores, as quais mantenho atualizadas em um drive virtual público para os leitores do blog.

Se houver interesse em como os percentuais evoluíram com o tempo, vejam abaixo o gráfico responsivo, onde é possível ver a evolução mensal. Caso contrário, passe para o próximo tópico para checarmos a rentabilidade atualizada das carteiras ativas e passivas de investimentos.

Comparação da rentabilidade da carteira ativa e passiva

A carteira de fundos de investimentos começou a ser estruturada em 2019. A composição da carteira passiva começou a tomar uma forma mais abrangente a partir de agosto, sendo que nos meses anteriores, a rentabilidade apresentada é função de um número menor de fundos.

Ou seja, os resultados de seus rendimentos são mais significativos nos últimos meses, em função de aportes em novos fundos, que não estavam presentes anteriormente. Esse processo ocorrerá no decorrer dos próximos meses, pois a ideia é ir aumentando cada vez mais o percentual da carteira passiva no portfólio geral.

Vamos à comparação, então?

Rentabilidades mensais x IPCA 5%

Para efeito de bechmark, ou índice de referência, escolhi o IPCA + 5% ao invés do CDI. Entendo que a queda da taxa de juros colocou o CDI como um alvo muito fácil de bater. No texto das rentabilidades das carteiras com os robôs de investimentos, eu também fiz a transição do CDI para o novo indicador, e lá faço mais considerações sobre essa alteração e sua fórmula de cálculo.

Desde janeiro de 2019 até o desastre de março de 2020, o quadro é o seguinte:

Rentabilidade das Carteiras X IPCA+5%
Rentabilidade das Carteiras X IPCA+5%

A carteira ativa foi constantemente melhor do que a carteira passiva até o mês de agosto, trocaram posições nos meses seguintes e apresentou piores resultados nos dois meses seguintes. Nos últimos 4 meses, no entanto, a performance é semelhante. Uma diferença considerável de alocação é a participação de fundos imobiliários na carteira ativa, que não são objeto de alocação dos fundos de investimentos da carteira passiva.

O primeiro trimestre de 2020 foi terrível, com uma rentabilidade negativa de 9,61% para a carteira ativa e 9,80% para a carteira passiva. Apesar de prejudicar muito a rentabilidade geral de ambas as carteiras, foi útil para testar a resiliência das estratégias após um mês onde o Ibovespa caiu 30%, o IFIX quase 16% e os juros longos, como por exemplo o IMAB-5 +, incríveis 11%. Ou seja, cerca de 70% da carteira ativa, que não estava em renda fixa pós-fixada e câmbio, sofreu com valores significantemente baixos.

Porém, tanto o ouro quanto o dólar subiram cerca de 15% e, junto com os rebalanceamentos durante o mês, ajudaram a fazer com que a rentabilidade mensal da carteira ficasse acima dos 10% negativos. Resiliência vista também na carteira passiva administrada pelos gestores de investimentos.

Rentabilidade acumulada no período

Em todo o período desses 15 meses, o Ibovespa caiu 17% e o IMA-Geral, subiu apenas 7,55%. Através desses indicadores, seria previsível que uma carteira tradicional de ações e renda fixa sem rebalanceamentos, deveria performar negativamente, não?

No entanto, em função dos ativos de câmbio e rebalanceamentos, a carteira diretamente administrada ainda traz uma rentabilidade de mais de 11% no período. Bem acima do CDI, mas abaixo do indicador que passei a usar como padrão, o IPCA+5%. Dependendo do tamanho da crise, veremos se ela estará bem posicionada para surfar uma recuperação.

As carteiras passivas mostraram resiliência em março, com rentabilidade muito semelhante à carteira ativa. Porém, como seu histórico nos meses iniciais não foi bom, ela acumula uma valorização bem menor, mas ainda no campo positivo. Veja os números no gráfico abaixo:

Rentabilidade acumulada das carteiras e IPCA+5%
Rentabilidade acumulada das carteiras e IPCA+5%

Para efeito de comparação, nesse período onde o IPCA+5% subiu 11,54%, o rendimento do CDI ficou em 6,71%, mostrando que é um indicador realmente mais desafiador, além de oferecer uma visão mais acurada da eficiência das rentabilidades no longo prazo.

É mais fácil pensar, para seu planejamento futuro, em uma rentabilidade real, acima da inflação, do que uma taxa de juros desalinhada dos princípios básicos da economia, como vem ocorrendo mundialmente. Veja mais sobre essa rentabilidade real em renda fixa ou variável: o que é melhor para seus investimentos?

A carteira ativa, gerenciada já há mais de 15 anos pela estratégia de alocação de ativos, está rendendo 98% do benchmark desde o começo de 2019, enquanto a carteira passiva, com os fundos de investimentos gerados pelas gestoras, sobe 35% do indicador. Pelo CDI, os números seriam 168% e 61%.

Pensamentos finais

Lembro que passamos por um mercado altista em 2019, inclusive para a renda fixa, com a redução dos juros longos e aumentos dos preços unitários dos títulos. Assim, as rentabilidades de ambas carteiras foram plenamente beneficiadas pelo momento. Já no primeiro trimestre de 2020 vemos uma situação adversa, com aumento de juros longos e uma enorme queda no mercado de renda variável. Só podemos confirmar o sucesso da estratégia com o tempo.

Meu objetivo nessas observações, que vão durar alguns anos, é certificar-me de que é possível migrar a maior parte da minha alocação da carteira ativa para a passiva, e, como expliquei no texto “independência financeira passiva ou ativa“, ter mais tempo, paz e tranquilidade. Afinal, quem não os desejam, né?

No início desse texto comentei sobre a TNRP. Essa é outra métrica que irei utilizar para as tomadas de decisões no futuro. TNRP significa “taxa necessária de remuneração do portfólio”, e ela fechou para mim no ano de 2019 em 2,6%. Esse número significa que eu preciso de uma remuneração anual REAL de 2,6% de meu patrimônio para poder viver bem com meu planejamento financeiro até eu passar para o lado de lá.

Se a remuneração anual estiver acima desse valor, a TNRP tende a cair a cada ano, facilitando minha decisão de continuar minha migração para o gerenciamento passivo do portfólio. A adoção do benchmark em inflação+5% fornece uma margem de segurança adicional nesse objetivo. A taxa é atualizada anualmente.

Vamos acompanhar os próximos capítulos? O que você acha dessa estratégia? Seu comentário é muito bem-vindo!

Explore mais o blog pelo menu no topo superior!…
Ou leia um pouco de minha história aqui ou então, ouça a entrevista que fiz para o podcast do blog SRIF365.

E, se gostou do texto, por que não ajudar a divulgá-lo em suas redes sociais através dos botões de compartilhamento?

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AndréLEOBINO BARROSO DE ARAUJORenanO Engenheiro InvestidorAlfredo Recent comment authors
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LEOBINO BARROSO DE ARAUJO
Visitante
LEOBINO BARROSO DE ARAUJO

André, tudo bom? vc tem gostado dos seus Fundos de Crédito Privado e/ou Juros Longos? Eu usava o Az quest para reserva de oportunidade, ele era um reloginho ali na casa dos 106 / 110% do CDI e D+0. Com essas quedas da selic, ele ta apanhando do CDI coitado…

André
Admin

Olá Leobino! Atualmente, dificilmente perco muito tempo pensando em fundos individuais, mas sim do seu papel na carteira. Como não tem sentido possuir um pilar, na carteira passiva, de fundos pós (não precisamos de um gestor para isso – a não ser que a taxa seja zero), eu preciso desse pilar de renda fixa lá. Para analisar individualmente, entretanto, é verdade que eles estão apanhando um pouco, uma vez que estamos com muitas turbulências no mercado de juros. Mas ainda acredito que deverão performar melhor. Até pela nova queda dos juros anunciada. Talvez sejam também um colchão para amortecer a… Read more »

LEOBINO BARROSO DE ARAUJO
Visitante
LEOBINO BARROSO DE ARAUJO

Sim, divido minha reserva em lft e algum fundo DI ou renda fixa para ter um ganhozinho maior. Esse colchao é bastante importante, nesse caso o papel nao rentabilidade, sem duvida.

André
Admin

Exatamente! Precisamos usar as armas que cada ativo nos fornece 🙂

Boa semana!

Renan
Visitante
Renan

Puxa, nao sei se entendi pq ta bem confuso essa parte ai, mas é complicado usar carteira previdenciária na carteira Passiva; é bem tendencioso né. Fundos péssimos. Tem que pegar só ETF de baixo custo como PIBB11, IVV se quiser faz isso sem bias !

André
Admin

Olá Renan! Não entendi bem o que você achou confuso. Se pudesse explanar, tento explicar/debater contigo. Por que é complicado e tendencioso usar o PGBL na apuração do rendimento da carteira passiva? E por que você acha os fundos péssimos? O histórico deles é bem acima da média do mercado, que os ETFs replicam. Na verdade, quando procuramos fundos de gestores, eu não procuro algo sem vieses: eu quero mesmo é aproveitar os vieses dos gestores. A ideia eu comparar minha gestão ativa com a deles (que se tornaria a “minha” gestão passiva). Então, não teria sentido investir em ETFs.… Read more »

O Engenheiro Investidor
Visitante

Me toquei que um blog tão bom e recomendado quanto o seu não estava na minha blogroll.

Corri para adicionar, excelente post!

André
Admin

Opa, engenheiro, obrigado!

Vi também seu blog agora, você é bem ativo! Vou acompanhar e adicionar na minha página da Finansfera também!

Abraço!

Alfredo
Visitante
Alfredo

André,
Gostei muito.
Tenho acompanhado suas postagens e sempre as considero boas e ponderadas.
Meus parabéns,
Uma dúvida :Quando você considera IPCA +5% ,o que me parece uma boa taxa,é com ou sem IR ?
Penso que o ideal seria uma taxa líquida .

André
Admin

Olá Alfredo! Obrigado pelas palavras e acompanhamento! Nunca tinha ouvido essa questão rsrs. Mas um benchmark não é pensado líquido de impostos. Pense por exemplo, no IBOV, no IFIX ou mesmo no CDI. Todos eles carregam uma situação tributária, que depende, entre outras coisas, de prazos e volumes de resgates. Então, não vejo muito sentido em pensá-lo dessa maneira. Veja que as rentabilidades dos fundos de investimentos são líquidas de taxas, mas não de impostos. Assim como um Tesouro Selic Direto. A comparação deve ser feita nas mesmas bases. O que é necessário atentar é criar um bechmark “líquido” da… Read more »

Bansir
Membro

Esse ano ainda não deu para a carteira passiva… Vai ter que ficar na ativa mais tempo hehe

Abração!

André
Admin

Não sei se rio de orgulho ou choro da maior demora rsrs

Abração!

Roberto
Visitante
Roberto

hahaha sacanagem comprar ativo com passivo só em 2019 quando só sobe essa porra de bolsa. faz um em 2016 pra ver ai sim fica interessante

André
Admin

Roberto, você quis dizer “comparar” ao invés de “comprar”, né?

Acho que você fez confusão. Pelo que entendi, você achou que a comparação é de renda variável com renda fixa, ou algo do tipo, uma vez que relacionou com a alta atual da bolsa.

A comparação é com minha carteira “ativa” com uma carteira “passiva” de fundos de investimentos. A proporção em ambas de renda variável e renda fixa são similares. Não existem esses vieses que você comentou.

LEOBINO BARROSO DE ARAUJO
Visitante
LEOBINO BARROSO DE ARAUJO

Oi André,

Parabens pelo novo blog, O visual ficou bastante friendly e clean.

Qnto à estratégia de gestão passiva x tempo, sempre fiquei pensando se nao valeria a pena ter uma carteira de fundos com base na minha alocação de ativos 30% CDI, 30%renda fixa, 20%multimercado, 10%açoes BR, 10% açoes estrangeiras…O duro sao as taxas e a confiança no gestor, mas talvez compense nao ocupar o tempo.

André
Admin

Opa, obrigado, Leobino!

Pois é, talvez esse acompanhamento seja útil para você ter uma ideia se vale a pena.

Mas repare que é difícil alocar corretamente essa carteira de fundos de investimentos, a não ser que você escolha fundos puros e evite os fundos multimercados. Mas aí você perde justamente a flexibilidade das melhores cabeças do mercado.

Abraço!

Simplicidade e Harmonia
Visitante

André,

Interessante a divisão da sua carteira. Como eu comecei com FIIs (e não com ações), minha exposição acabou ficando maior nesse ativo, devido a valorização das cotas durante esse ano – preciso fazer o rebalanceamento da carteira…

Boa semana!

André
Admin

Olá Rosana!

Pois é, começamos invertidos rsrs

Mas não vejo problema nenhum em ter mais FIIs do que ações: depende do perfil e objetivos de cada um. Agora, se ele desgarrou de sua meta percentual devido à diversificação, aí sim: o rebalanceamento é necessário.

Boa semana também! Abraços!

Guilherme
Visitante

Excelente artigo, André!

Gostei particularmente do novo benchmark, IPCA + 5%. Acho uma métrica mais desafiadora do que simplesmente usar o CDI, até porque a tendência daqui pra frente parece ser o enxugamento cada vez maior dos juros reais.

Abraços!

André
Admin

Legal, Guilherme!

Com ela a gente pode ter uma ideia melhor da eficiência nas rentabilidades, facilitando o pensamento em superar o “juro real”.

Abraços e obrigado!

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