Carteira de investimentos ativa ou passiva? Qual é mais rentável?

Dúvidas entre uma carteira ativa ou passiva de investimentos? Veja uma comparação de suas rentabilidades.

Será que é melhor buscar mais liberdade de tempo entregando-se passivamente aos fundos de investimentos?


O debate entre abraçar uma carteira ativa ou passiva para os seus investimentos rende assunto na finansfera, como mostraram artigos recentes do e do Frugal. Eu estou no time daqueles que acreditam que é necessário balancear adequadamente a rentabilidade do portfólio e seu tempo livre.

Pensando nesse equilíbrio, com o objetivo de otimizar as minhas horas dedicadas à gestão financeira, comecei esse ano a transferir parte da minha carteira pessoal de ativos para fundos de investimentos, e com isso, diminuir meu tempo dedicado ao mercado financeiro.

Carteiras de Investimentos Ativas ou Passivas? Qual é a melhor?

Segue aqui um acompanhamento da rentabilidade das duas carteiras: aquela sob minha própria gestão (realizada através do método de Alocação de Ativos) e a outra, composta de um mix de fundos de investimentos. Se ao longo do tempo, a segunda mostrar uma rentabilidade consistente, acima daquela que preciso (medida pela TNRP) para manter meu portfólio em um nível confortável, aumentarei os aportes gradualmente.

O texto possui duas partes. Na primeira, mostrarei a alocação percentual de cada carteira pelas suas classes de ativos. Na segunda, falarei sobre a rentabilidade de cada uma delas. Ambas serão atualizadas mensalmente.

A alocação de ativos em cada carteira de investimentos

Procuro manter uma alocação de ativos semelhante entre as duas carteiras de investimentos, porém, isso não é tão fácil em função de estar escolhendo preferencialmente fundos multimercados. Como não se sabe previamente a alocação de cada um deles, o valor será sempre uma estimativa. Sugestões para parametrização serão bem-vindas por quem os estuda com afinco.

Como é uma estratégia recente, ainda tenho muito a aprender com ela, e é natural que vá aparando algumas arestas com o tempo. Bem, vamos então conhecê-las?

A alocação da carteira própria de investimentos (carteira ativa)

Renda fixa

Atualmente, possuo uma exposição preferencialmente em renda fixa, com 43,12% de alocação. Nesse pilar, a maior parte está em títulos de longo prazo e crédito privado, embora eu tenha feito alguma movimentação esse ano para investimentos pós-fixados em virtude da queda dos juros longos.

É importante frisar que fundos de investimentos pós-fixados e CDBs e LCIs da bancos estão contidos nesse pilar, uma vez que eles não possuem propriamente “gestão” e os devidos rebalanceamentos são de minha total responsabilidade.

Renda variável

Atualmente a renda variável representa 27,09% da carteira de investimentos. A alocação atual por setores é maior em combustíveis e mineração (resquícios do tempo onde mantinha um valor razoável de PETR4 e VALE5 para maximizar meus ganhos em vendas cobertas de opções – e agora estou esperando um bom momento para vender parte da posição) e elétricas. Em seguida temos varejo, tecnologia e seguros.

Nesse percentual há somente ações individuais. Um pequeno percentual de fundos ETFs que eu possuía estão considerados agora na carteira passiva, que comentarei na sequência.

Fundos imobiliários

Os fundos imobiliários entraram para valer na minha carteira de investimentos um pouco mais tarde, há menos de dez anos. De um ano para cá retornei mais atenção a eles em virtude da queda dos juros. É uma forma de receber mais dividendos com alguma previsibilidade.

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Hoje seu percentual está em 16,19%, em tendência de crescimento, uma vez que estou participando de várias subscrições. São papéis que planejo manter mais intocados no futuro, e a tendência é que esse percentual suba até uns 20% em dois ou três anos.

É isso aí, pessoal, aqui é devagar e sempre nos investimentos. Sem movimentos bruscos rsrs.

Câmbio

A participação histórica do câmbio na minha carteira sempre foi em torno de 10%. Com a valorização das moedas e, principalmente dos metais preciosos nos últimos meses, os fundos tiveram rentabilidades altas e elevaram o percentual a 13,60%.

Teoricamente, utilizando o método de alocação de ativos eu deveria ter vendido uma parte e restabelecido os percentuais. Porém, já comentei por aqui que muitas vezes faço uso de alguns vieses, atropelando um pouco a teoria.

Acredito que o mundo está meio estranho, com essa profusão de juros negativos. A China volta a crescer como antes? E quem garante a veracidade de seus números? Ela, como a Rússia e demais países estão comprando ouro demais. Enfim, por receio de não estar entendendo muito bem o que acontece, deixei esse percentual subir um pouquinho. Hoje estou considerando um percentual alvo de 15%. Até lá, sem movimentações no câmbio.

Segue, enfim, o resumo da alocação da minha carteira ativa de investimentos:

Alocação da carteira própria de investimentos ativa

A alocação nos fundos de investimentos (carteira passiva)

Como comentei anteriormente, a escolha de priorizar os fundos multimercados tem uma razão específica. Primeiro, se estou migrando parte de meu patrimônio para uma gestão de terceiros, é porque eu preciso confiar na capacidade técnica dos gestores. E um fundo multimercado é o produto onde eles podem exercitar mais seus conhecimentos, dada a flexibilidade que possuem.

Para manter uma alocação diversificada, também escolhi gestores puros de ações e de crédito privado. Lembro que os únicos fundos que não estão nessa carteira são os fundos pós-fixados, que uso para uma reserva de emergência e para aproveitar oportunidades pontuais. Ou seja, estão em minha gestão própria.

Vamos dividir essa gestão passiva em duas classes: os fundos de investimentos “puros” e os fundos de previdência privada. Cada um possui particularidades diferentes.

Os fundos de previdência privada

Os fundos de previdência privada estão contidos nos cálculos de rendimentos dos fundos da minha gestão passiva, mas não os considero para o estabelecimento da alocação ideal da carteira. Como assim?

Eu adquiri esses fundos (são três, pois diversifiquei a gestão) na época em que ainda era empregado. A empresa contribuía com uma parte dos aportes, e eu usava o abatimento de 12% na minha declaração anual de imposto de renda.

Desses três fundos, mantive dois sem movimentação até hoje (embora tenha alterado a gestão duas vezes). Essa estratégia foi posta em prática em função do fato de que esses fundos estavam sob a tributação regressiva. No ano que vem, quando completo 10 anos do pedido de demissão da empresa, os últimos aportes estarão incluídos na alíquota mínima de 10% de imposto de renda.


O outro fundo estava sob tributação progressiva, e foi abordado através de uma estratégia diferente. Todos esses anos, como eu não tinha renda tributada na fonte (salário), fiz o máximo de saques anuais (uma média de R$ 28.000,00) de forma que eu recebesse de volta o imposto de renda retido na fonte de 15%, na declaração anual simplificada. Ainda possui saldo e acredito que precisarei de mais uns dez anos para zerá-lo.

Voltando à questão colocada no início dessa seção: esses fundos possuem uma estratégia própria. Para os dois primeiros, tendo a mantê-los como planos sucessórios, devido à facilidade de transferência aos familiares. O segundo, eu planejo zerá-lo com o tempo. Ou seja, estão fora da estratégia de incrementar as rentabilidades de minha carteira passiva.

Estarão fora dos objetivos da alocação, mas farão parte do ranking de rentabilidade, uma vez que são fundos arrojados:

  • O primeiro é um fundo de fundos (FoF) e possui alocação em 40% em fundos multimercados e 23% em renda variável;
  • O segundo é um fundo de crédito privado que vem obtendo boas rentabilidades histórias.

Ou seja, ambos são aptos a participar da rentabilidade da carteira passiva de fundos de investimentos de terceiros. Sua alocação atual é atualmente de 57,48%.

Alocação fundos de investimentos e PGBLs na carteira passiva

Os fundos de investimentos

O percentual restante da carteira passiva, 42,52%, é composto por 13 fundos de investimentos, sendo que “um” deles considero como a união das 4 carteiras digitais operadas com robôs de investimentos, cuja rentabilidade eu comparo mensalmente.

Para ver a lista dos fundos de investimentos, clique na seta
  • Fundos Multimercados
    • Fundos dos robôs digitais;
    • Adam Macro Strategy II D60 FIC FIM;
    • Legacy Capital FIC FIM;
    • Kinea Chronos FI FIC;
    • Kapitalo Kappa D FIC FIM;
    • Vítreo FoF;
  • Fundos de Ações
    • Alaska Black FIC FIA II BDR Nivel I;
    • Brasil Capital 30 FIC FIA;
    • Fama FIC FIA;
  • Fundos de Crédito Privado e/ou Juros Longos
    • Capitalys Pan FIC FIM Cred Priv;
    • Brasil Plural FIC FIRF IMA-B;
    • Kinea Infra (KDIF-FID01B0);
    • Itau IMAB ID ETF;

Como falei acima na seção dos PGBLs, não vou considerá-los na alocação a ser perseguida, uma vez que os objetivos são diferentes. Nessa carteira de fundos de investimentos, o objetivo é a renda passiva, e vou gerenciar a alocação separadamente.

Atualmente, a alocação dos fundos de investimentos, excluindo os 3 PGBLs, encontra-se dessa forma:

Alocação passiva dos fundos de investimentos

Individualmente entre os fundos, a carteira está bem diversificada, sendo que nenhum deles alcança o percentual de 15% do total e estão distribuídos em 5 corretoras diferentes. Para conhecer cada um mais a fundo, vale incorporar em sua rotina a leitura das cartas de seus gestores, as quais mantenho atualizadas em um drive virtual público para os leitores.

Vamos agora ver como está a rentabilidade no ano de 2019 da carteira ativa e passiva de investimentos.

Comparação da rentabilidade da carteira ativa e passiva

A carteira de fundos de investimentos começou a ser estruturada no final do ano passado, com movimentações relevantes até agosto de 2019.

Mesmo em seu início, nunca fugi muito do percentual da alocação de ativos demonstrada no gráfico anterior. Mantive sempre o percentual de multimercados em 2/3, sendo o terço restante dividido entre os fundos de ações e de crédito privado e juros longos.

Assim, acredito que é possível realizarmos uma comparação desde o começo do ano de 2019, levando-se sempre em conta que os rendimentos a partir de agosto serão mais significantes na projeção do perfil da carteira de investimentos.

Vamos à comparação, então?

Rentabilidades mensais x IPCA 5%

Para efeito de bechmark, ou índice de referência, escolhi o IPCA + 5% ao invés do CDI. Entendo que a queda da taxa de juros colocou o CDI como um alvo muito fácil de bater. Na última atualização do blog, da rentabilidade das carteiras com os robôs de investimentos, eu já fiz a transição do CDI para o novo indicador, e explico mais detalhes no texto.

No decorrer desse ano, o quadro é o seguinte:

Rentabilidades mensais das carteiras passivas e ativas X IPCA+5%

A carteira ativa foi constantemente melhor do que a carteira passiva até o mês de agosto, embora em setembro e outubro a última deu o troco. Como falei anteriormente, a partir de agosto ela tomou sua alocação atual. Ambas vem batendo constantemente o IPCA+5%, como mostra o gráfico do acumulado do ano:

Rentabilidade acumulada das carteiras de investimentos em comparação com o IPCA+5%

Para efeito de comparação, nesse período onde o IPCA+5% subiu 7,19%, o rendimento do CDI ficou em 4,95%, mostrando que é um indicador realmente mais desafiador, além de oferecer uma visão mais acurada da eficiência das rentabilidades no longo prazo.

É mais fácil pensar, para seu planejamento futuro, em uma rentabilidade real, acima da inflação, do que uma taxa de juros desalinhada dos princípios básicos da economia, como vem ocorrendo mundialmente.

A carteira ativa, gerenciada já há mais de 15 anos pela estratégia de alocação de ativos, está rendendo 240% do benchmark, enquanto a carteira passiva, com os fundos de investimentos gerados pelas gestoras, sobe 158% do indicador.

Pensamentos finais

Lembro que estamos em um mercado altista, inclusive para a renda fixa, com a redução dos juros longos e aumentos dos preços unitários dos títulos. Assim, as rentabilidades de ambas carteiras estão sendo plenamente beneficiadas pelo momento. Só podemos confirmar o sucesso da estratégia com o tempo.

Meu objetivo nessas observações, que podem levar alguns anos, é certificar-me de que é possível migrar a maior parte da minha alocação da carteira ativa para a passiva, e como expliquei no texto “independência financeira passiva ou ativa“, ter mais tempo, paz e tranquilidade. Afinal, quem não os desejam, né?

No início desse texto comentei sobre a TNRP. Essa é outra métrica que irei utilizar para as tomadas de decisões no futuro. TNRP significa “taxa necessária de remuneração do portfólio”, e ela fechou para mim no ano de 2018 em 3,3%. Anualmente estou atualizando seu número.

Esse número significa que eu preciso de uma remuneração anual REAL de 3,3% de meu patrimônio para poder viver bem com meu planejamento financeiro até eu passar para o lado de lá. Se a remuneração anual estiver acima desse valor, a TNRP tende a cair a cada ano, facilitando minha decisão de continuar minha migração para o gerenciamento passivo do portfólio.

Vamos acompanhar os próximos capítulos? O que você acha dessa estratégia? Seu comentário é muito bem-vindo!

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8 thoughts to “Carteira de investimentos ativa ou passiva? Qual é mais rentável?”

    1. Roberto, você quis dizer “comparar” ao invés de “comprar”, né?

      Acho que você fez confusão. Pelo que entendi, você achou que a comparação é de renda variável com renda fixa, ou algo do tipo, uma vez que relacionou com a alta atual da bolsa.

      A comparação é com minha carteira “ativa” com uma carteira “passiva” de fundos de investimentos. A proporção em ambas de renda variável e renda fixa são similares. Não existem esses vieses que você comentou.

  1. Oi André,

    Parabens pelo novo blog, O visual ficou bastante friendly e clean.

    Qnto à estratégia de gestão passiva x tempo, sempre fiquei pensando se nao valeria a pena ter uma carteira de fundos com base na minha alocação de ativos 30% CDI, 30%renda fixa, 20%multimercado, 10%açoes BR, 10% açoes estrangeiras…O duro sao as taxas e a confiança no gestor, mas talvez compense nao ocupar o tempo.

    1. Opa, obrigado, Leobino!

      Pois é, talvez esse acompanhamento seja útil para você ter uma ideia se vale a pena.

      Mas repare que é difícil alocar corretamente essa carteira de fundos de investimentos, a não ser que você escolha fundos puros e evite os fundos multimercados. Mas aí você perde justamente a flexibilidade das melhores cabeças do mercado.

      Abraço!

  2. André,

    Interessante a divisão da sua carteira. Como eu comecei com FIIs (e não com ações), minha exposição acabou ficando maior nesse ativo, devido a valorização das cotas durante esse ano – preciso fazer o rebalanceamento da carteira…

    Boa semana!

    1. Olá Rosana!

      Pois é, começamos invertidos rsrs

      Mas não vejo problema nenhum em ter mais FIIs do que ações: depende do perfil e objetivos de cada um. Agora, se ele desgarrou de sua meta percentual devido à diversificação, aí sim: o rebalanceamento é necessário.

      Boa semana também! Abraços!

  3. Excelente artigo, André!

    Gostei particularmente do novo benchmark, IPCA + 5%. Acho uma métrica mais desafiadora do que simplesmente usar o CDI, até porque a tendência daqui pra frente parece ser o enxugamento cada vez maior dos juros reais.

    Abraços!

    1. Legal, Guilherme!

      Com ela a gente pode ter uma ideia melhor da eficiência nas rentabilidades, facilitando o pensamento em superar o “juro real”.

      Abraços e obrigado!

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