Carteira ativa ou passiva de investimentos? Qual é mais rentável?


Há diferenças de rentabilidades entre os investimentos de uma carteira ativa ou passiva?
Veja, na atualização até abril/20, como ambas estão rendendo dentro do meu portfólio e as últimas movimentações mensais dos ativos.
Será que vale a pena buscar mais liberdade de tempo entregando-se passivamente aos fundos de investimentos?


Carteira ativa ou passiva para os seus investimentos? O assunto rende assunto na finansfera, como mostraram artigos dos blogs do e do Frugal. As principais questões levantadas são:

  • vale a pena perseguir uma melhor rentabilidade em uma carteira ativa, mesmo que isso demande mais tempo da rotina?
  • ou é melhor aceitar um rendimento menor de uma carteira passiva, e, consequentemente, ter mais liberdade em nossa vida?

O equilíbrio entre essas alternativas é a resposta mais fácil. Porém, com a idade passando e com o patrimônio consolidando, a cada ano, a independência financeira, tenho procurado deixar a balança pender mais para o tempo livre, preferindo dedicá-lo mais à estrada do que com a mala.

Carteiras de Investimentos Ativas ou Passivas? Qual é a melhor?

Com esse novo viés e objetivo de melhorar a otimização das horas dedicadas à gestão financeira, em 2019 comecei a transferir parte da minha carteira pessoal de ativos para fundos de investimentos, e com isso, diminuir meu tempo utilizado no trabalho de performar cada vez melhor no mercado de capitais. Talvez seja a segunda etapa na viagem lenta à plena liberdade financeira.

Em maio de 2020, talvez com alguma decepção prematura com as rentabilidades da carteira passiva com os fundos de investimentos, passei a montar também uma carteira de ETFs e fundos de índices. Essa alternativa seria uma opção no meio-termo entre o tempo que dedicamos ao gerenciamento da carteira: apesar de não gastarmos tempo escolhendo ativos, precisamos realizar seus rebalanceamentos. Devo inseri-la no ranking a partir do segundo semestre.

O objetivo na comparação das rentabilidades

Veremos aqui um acompanhamento da rentabilidade das duas carteiras: a primeira sob minha própria gestão (realizada através do método de Alocação de Ativos) e a segunda, composta de um mix de fundos de investimentos, em diferentes corretoras de valores. Hoje, no início de junho de 2020, a participação da carteira passiva dentro do portfólio está em 35,29%.

Inicialmente, veremos suas alocações. Posteriormente, a rentabilidade mensal de cada uma. Elas serão comparadas à rentabilidade que preciso (medida pela TNRP) para manter meu portfólio em um nível confortável. A definição de qual carteira de investimentos é a melhor, passará sempre por essa variável.

A alocação de ativos em cada carteira de investimentos

Os papéis que fazem parte da carteira ativa de investimento (ações, fundos imobiliários, títulos de crédito privados como CDB, LCIs e debêntures e fundos de investimentos com de índice, como o dólar, ouro e títulos do tesouro direto Selic), são facilmente categorizados nos pilares de alocação.

Já os fundos de investimentos com uma gestão ativa de terceiros (multimercados, ações ou crédito privado e as carteiras digitais rebalanceadas por robôs de investimentos), que estão contidos na carteira passiva de investimentos, podem apresentar uma dificuldade maior, principalmente em relação aos fundos multimercados. Como não se sabe previamente a alocação deles, o valor será sempre uma estimativa. De qualquer forma, o intuito é manter uma alocação aproximadamente semelhante para que a comparação das rentabilidades seja o mais realista possível.

A alocação da carteira ativa de investimentos

Renda fixa

A alocação de renda fixa voltou a cair em maio: do pico de 43,12% em outubro de 2019, está atualmente em 34,81% do total. Não fiz grandes mudanças de alocação nesse mês, com exceção do rebalanceamento padrão, o que fez o percentual manter-se constante, apesar do mês positivo para a renda fixa, com a pequena queda na taxa dos juros longos.

Meu limite mínimo de atribuição na renda fixa havia sido estabelecido em 40% do portfólio, mas as expectativas de retornos atuais para essa modalidade nos últimos meses, desencorajam novos investimentos. Estabeleci por ora um limite mínimo de 35% para esses investimentos na minha carteira ativa para realizar novas movimentações com maior vulto. Ao mesmo tempo, vamos refletindo para onde o mercado está caminhando.

Dentro do pilar, recompus parte da reserva de oportunidade, que havia usado para a compra de ações nos momentos de pânico do mercado, com o vencimento de dois títulos de crédito privado. Preferi manter esse dinheiro com liquidez, visto a pífia remuneração desses títulos com uma nova queda da Selic. O ganho não compensa o custo.

Renda variável: ações

O percentual de ações estava sendo mantido constante até o mês de março, em torno de 27 a 29%. No mês de fevereiro e março, reforcei as posições com a queda do mercado, mas, mesmo assim, a alocação mal passou de 25%. Com a valorização de abril e maio, ele alcançou 25,49%, um número que seria bem maior se não tivesse vendido parte de algumas ações para começar a compor a carteira de fundos de índices de ações de ETFs, que comentei na introdução do texto.

Em maio, fechei posições em várias empresas que possuía para comprar PIBB11, DIVO11, SMAL11 e SPXI11. A alocação na carteira de investimentos global, mudou pouco, mas eu comecei a simplificar meus investimentos. Para comprar esses 4 ETFs, vendi 9 empresas: UGPA3, EMBR3, GRND3, SQIA3, ELET3, MYPK3, GUAR3, VULC3 e COGN3, compensando lucros e prejuízos para não pagar imposto de renda. Como comentado, passarei a publicar as rentabilidades da carteira de índices no segundo semestre, após completar a alocação que pretendo atingir.

A alocação atual por setores mudou um pouco, e evidenciou ainda mais os setores de combustíveis e mineração (resquícios do tempo onde mantinha um valor razoável de PETR4 e VALE3 para maximizar meus ganhos em vendas cobertas de opções – agora estou esperando um bom momento para vender parte da posição). Elas inclusive colaboraram com o bom desempenho da carteira de ações nesse mês frente ao ibovespa, que veremos abaixo.

Renda variável: fundos imobiliários

Os fundos imobiliários entraram para valer na minha carteira de investimentos um pouco mais tarde, há menos de dez anos. De uns dois anos para cá retornei mais atenção a eles em virtude da queda dos juros. É uma forma de receber mais dividendos com alguma previsibilidade, embora a valorização em 2019 corroborou meu pensamento que muitos deles estavam com os preços meio esticados, mesmo com a correção no início de 2020.

Em maio, sua alocação manteve-se muito próxima ao mês anterior, mas, da mesma forma que no pilar de ações, fiz algumas modificações para simplificar a gestão, colocando um fundo de fundos na carteira dos fundos de índice – sei que não é o ideal, mas será assim até termos um índice de fundos imobiliários.

Comprei MGFF11 e vendi fundos de escritórios (RNGO11, BRCR11 e RCRB11), também compensando lucros com prejuízos e evitando pagar imposto de renda. Além disso, a maior alocação dentro do MGFF11 são lajes corporativas e, assim, o balanço entre as classes não mudou tanto. De qualquer forma, o MGFF11 não estará considerado nessa carteira ativa de investimentos, passando a fazer parte da carteira de índices, cuja alocação e rentabilidade passarei divulgar no segundo semestre.

Veja abaixo os gráficos de alocação entre os ativos de renda variável (abra a imagem em uma nova guia para ampliar).

Câmbio

A participação histórica do câmbio na minha carteira ficou muito tempo em torno de 10%. Com a valorização recente das moedas e, principalmente dos metais preciosos nos últimos meses, principalmente em março e abril, os fundos tiveram rentabilidades altas e elevaram o percentual além de 20%, bem acima do final de 2019, quando havia fechado em 13,10%. E isso ocorreu mesmo com alguns rebalanceamentos que fiz para comprar ações e fundos imobiliários.

Teoricamente, utilizando o método de alocação de ativos eu já deveria ter vendido grande parte desses ativos para restabelecer o percentual de 10%. Porém, já comentei por aqui que muitas vezes faço uso de alguns vieses, atropelando um pouco a teoria. Mas, como eu já vinha falando, eu acredito que o mundo estava meio estranho, com a profusão de juros negativos. Por receio de não estar entendendo muito bem o que estava acontecendo, deixei esse percentual subir um pouquinho.

Em março vi que a estratégia estava correta, porém, por outros motivos. Quem imaginaria que a crise do coronavírus iria chegar a tanto? Ou, aprofundando mais um pouco, será que essa é a real crise? Ou será que ela está sendo usada como pretexto para algo muito pior?

No momento, pretendo manter o percentual mínimo de câmbio a 20% do patrimônio. Ainda precisamos entender melhor o que está ocorrendo. Enquanto isso, sem movimentações bruscas, somente pequenas realocações. O importante é preservar caixa, e os ativos descorrelacionados podem ajudar nesse processo. Em maio essa alocação ficou em 22,65%. Da mesma forma, transferi parte dos recursos para a carteira de índice, que incluirá também, uma pequena participação em criptomoedas.

Segue, enfim, o resumo da alocação da minha carteira ativa de investimentos. Uma evolução mensal do percentual tanto da carteira ativa, quanto passiva, pode ser vista ao final da seção no gráfico interativo.

Alocação de ativos - carteira ativa
Percentual dos pilares alocados na carteira de investimentos ativa

A alocação nos fundos de investimentos (carteira passiva)

Como comentei anteriormente, a escolha de priorizar os fundos multimercados tem uma razão específica. Primeiro, se estou migrando parte de meu patrimônio para uma gestão de terceiros, é porque eu preciso confiar na capacidade técnica dos gestores. E um fundo multimercado é o produto onde eles podem exercitar seus conhecimentos, dada as infinitas possibilidades de compra de ativos pelo mundo todo.

Para manter uma alocação diversificada, escolhi também gestores puros de ações e de crédito privado. Lembro que os únicos fundos que não estão nessa carteira são os fundos pós-fixados, que uso para uma reserva de emergência e para aproveitar oportunidades pontuais. Ou seja, estão em minha gestão própria.

Vamos dividir essa gestão passiva em duas classes: os fundos de investimentos tradicionais e os fundos de previdência privada. Cada um possui particularidades diferentes.

Os fundos de previdência privada

Adquiri esses fundos (são três com gestões diversificadas) na época em que ainda era empregado. A empresa contribuía com uma parte dos aportes, e eu usava o abatimento de 12% na minha declaração anual de imposto de renda.

Desses três fundos, mantive dois sem movimentação até hoje (embora tenha alterado a gestão duas vezes). Essa estratégia foi posta em prática em função do fato de que esses fundos estavam sob a tributação regressiva, e terão seus últimos aportes incluídos na alíquota mínima de 10% de imposto de renda a partir do mês que vem.

O outro fundo estava sob tributação progressiva, e foi abordado através de uma estratégia diferente. Todos esses anos, como eu não tinha renda tributada na fonte (salário), fiz o máximo de saques anuais (uma média de R$ 28.000,00) de forma que eu recebesse de volta o imposto de renda retido na fonte de 15%, na declaração anual simplificada. Ele ainda possui um saldo razoável e acredito que precisarei de mais uns dez anos para zerá-lo.

Os fundos de previdência privada estão contidos nos cálculos de rendimentos dos fundos da minha gestão passiva, mas não os considero para o estabelecimento da alocação ideal da carteira, uma vez que eles possuem uma estratégia própria. Para os dois primeiros, tendo a mantê-los como planos sucessórios, devido à facilidade de transferência aos familiares. O terceiro, eu planejo zerá-lo com o tempo. Ou seja, os três estão fora da estratégia de incrementar as rentabilidades de minha carteira passiva.

Eles estarão fora dos objetivos da alocação, mas farão parte do ranking de rentabilidade, uma vez que são fundos arrojados:

  • O dois primeiros são fundos de fundos (FoF) e possui uma alocação média de 40% em fundos multimercados e 23% em renda variável;
  • O terceiro é um fundo de crédito privado que vem obtendo boas rentabilidades históricas.

Ou seja, os três são aptos a participar da rentabilidade dos fundos de investimentos de terceiros. Sua alocação dentro da carteira passiva de investimentos já foi de mais de 57%, mas hoje está em 50,75%, devido a novos aportes nos fundos de investimentos.

Alocação fundos de previdência privada na carteira passiva de investimentos
Alocação dos fundos de investimentos e previdência na carteira de investimento passiva

Os fundos de investimentos

O percentual restante da carteira passiva, 49,25%, é composto por 18 fundos de investimentos, sendo que “um” deles considero como a união das 4 carteiras digitais operadas com robôs de investimentos, cuja rentabilidade eu comparo mensalmente. Até o mês passado, eu considerava o ETF do Itaú IMAB11 como pertencente a essa carteira, mas agora ele estão na carteira de índices que estou criando.

Como comentei acima na seção dos PGBLs, não vou considerá-los na alocação a ser perseguida, uma vez que os objetivos são diferentes. Nessa carteira de fundos de investimentos, o objetivo é a renda passiva, e vou gerenciar a alocação de fundos multimercados, ações e crédito privado separadamente. Os fundos da carteira passiva são os seguintes:

  • Fundos Multimercados
    1. Fundos dos robôs digitais (Magnetis, Vérios, Monetus e Warren)
    2. Adam Macro Strategy II D60 FIC FIM
    3. Legacy Capital FIC FIM
    4. Kinea Chronos FI FIC
    5. Kapitalo Kappa D FIC FIM
    6. Vítreo FoF Melhores Fundos
    7. Vítreo Money Rider Hedge Fund
    8. Dahlia Total Return FIC FIM
  • Fundos de Ações
    1. Alaska Black FIC FIA II BDR Nivel I
    2. Brasil Capital 30 FIC FIA
    3. Fama FIC FIA
    4. Bogari Value D FIC FIA
    5. Perfin Foresight Inst FIC FIA
    6. Indie FIC FIA
  • Fundos de Crédito Privado
    1. Capitalys Pan FIC FIM Cred Priv
    2. Brasil Plural FIC FIRF IMA-B
    3. Kinea Infra (KDIF-FID01B0)
    1. Perfin Apollo Energia

A partir de abril de 2020, desmembrei a categoria de fundos de fundos (FoFs) da alocação de fundos multimercados. A alocação atual dos fundos de investimentos, excluindo os 3 PGBLs, fechou dessa forma:

Alocação dos fundos de investimentos de terceiros na carteira passiva
Alocação dos fundos de investimentos de terceiros na carteira passiva

Individualmente entre os fundos, a carteira está bem diversificada, sendo que nenhum deles alcança o percentual de 15% do total e estão distribuídos em 5 corretoras diferentes. Para conhecer cada um mais a fundo, vale incorporar em sua rotina a leitura das cartas de seus gestores, as quais mantenho atualizadas em um drive virtual público para os leitores do blog.

Se houver interesse em como os percentuais evoluíram com o tempo, vejam abaixo o gráfico responsivo, onde é possível ver a evolução mensal. Caso contrário, passe para o próximo tópico para checarmos a rentabilidade atualizada das carteiras ativas e passivas de investimentos.

Comparação da rentabilidade da carteira ativa e passiva

A carteira de fundos de investimentos começou a ser estruturada em 2019, chegando à sua composição mais abrangente no último trimestre do ano, a partir de quando suas rentabilidades passaram a ser compostas por uma alocação mais equilibrada. Vamos à comparação, então?

Rentabilidades mensais x IPCA 5%

Para efeito de bechmark, ou índice de referência, escolhi o IPCA + 5% ao invés do CDI. Entendo que a queda da taxa de juros colocou o CDI como um alvo muito fácil de bater. No texto das rentabilidades das carteiras com os robôs de investimentos, eu também fiz a transição do CDI para o novo indicador, e lá faço mais considerações sobre essa alteração e sua fórmula de cálculo.

Desde janeiro de 2019 até maio de 2020, o quadro é o seguinte:

Rentabilidade acumulada das carteiras de investimentos passiva e ativa
Rentabilidade das Carteiras X IPCA+5%

A carteira ativa foi constantemente melhor do que a carteira passiva até o mês de agosto, trocaram posições nos meses seguintes e mantiveram uma rentabilidade semelhante nos primeiros meses de 2020. A partir de abril, entretanto, a carteira ativa voltou a ser mais rentável. Uma diferença considerável de alocação é a participação de fundos imobiliários na carteira ativa, que não são objeto de alocação dos fundos de investimentos da carteira passiva.

O mês de março de 2020 foi terrível, com uma rentabilidade negativa de 9,61% para a carteira ativa e 9,80% para a carteira passiva. Apesar de prejudicar muito a rentabilidade geral de ambas as carteiras, foi útil para testar a resiliência das estratégias em um mês onde o Ibovespa caiu 30%, o IFIX quase 16% e os juros longos, como por exemplo o IMAB-5 +, incríveis 11%. Ou seja, cerca de 70% da carteira ativa, que não estava em renda fixa pós-fixada e câmbio, sofreu com valores significantemente baixos. Tanto o ouro quanto o dólar subiram cerca de 15% e, junto com os rebalanceamentos durante o mês, ajudaram a fazer com que a rentabilidade mensal da carteira ficasse acima dos 10% negativos. Resiliência vista também na carteira passiva administrada pelos gestores de investimentos.

O mês de abril e maio mostraram uma recuperação no mercado de renda variável, e as carteiras tiveram bom desempenho, embora ainda distante para apagar as perdas anuais em função do mês de março.

Rentabilidade acumulada no período

Em todo o período desses 17 meses, o Ibovespa caiu 0,54% e o IMA-Geral, subiu 9,57%. Através desses indicadores, seria previsível que uma carteira tradicional de ações e renda fixa sem rebalanceamentos, deveria ficar em alguma faixa desse intervalo, correto?

No entanto, em função dos ativos de câmbio e rebalanceamentos, a carteira diretamente administrada ainda traz uma rentabilidade de quase 20% no período. Bem acima do IPCA+5% e, muito mais ainda, do CDI. Dependendo do tamanho da crise, veremos se ela estará bem posicionada para surfar uma recuperação. Um ponto a ser observado é pensar em realocar ganhos de empresas de commodities, que possuem uma participação razoável na carteira ativa.

As carteiras passivas mostraram boa performance em maio, mas ainda inferior à carteira ativa. Ouvi, dentro das infinitas lives desses tempos, que muitos gestores se posicionaram um pouco mais cedo na renda variável e ainda não conseguiram obter valorizações expressivas. Há também uma particularidade especial no percentual de alocação de câmbio na carteira ativa que vem sustentando sua boa valorização comparativa nos últimos meses.

Rentabilidade acumulada das carteiras de investimentos passiva e ativa
Rentabilidade acumulada das carteiras e IPCA+5%

Para efeito de comparação, nesse período onde o IPCA+5% subiu 12,03%, o rendimento do CDI ficou em 7,21%, mostrando que é um indicador realmente mais desafiador (apesar da deflação em maio do IPCA-15, a ser confirmada nos próximos dias), além de oferecer uma visão mais acurada da eficiência das rentabilidades no longo prazo.

É mais fácil pensar, para seu planejamento futuro, em uma rentabilidade real, acima da inflação, do que uma taxa de juros desalinhada dos princípios básicos da economia, como vem ocorrendo mundialmente. Veja mais sobre essa rentabilidade real em renda fixa ou variável: o que é melhor para seus investimentos?

A carteira ativa, gerenciada já há mais de 15 anos pela estratégia de alocação de ativos, está rendendo 165% do benchmark desde o começo de 2019, enquanto a carteira passiva, com os fundos de investimentos gerados pelas gestoras, sobe 81% do indicador. Pelo CDI, os números seriam 276% e 136%.

Pensamentos finais

Lembro que passamos por um mercado altista em 2019, inclusive para a renda fixa, com a redução dos juros longos e aumentos dos preços unitários dos títulos. Assim, as rentabilidades de ambas carteiras foram plenamente beneficiadas pelo momento. Já no primeiro trimestre de 2020 vimos uma situação adversa, com aumento de juros longos e uma enorme queda no mercado de renda variável. Só podemos confirmar o sucesso da estratégia com o tempo.

Meu objetivo nessas observações, que vão durar alguns anos, é certificar-me de que é possível migrar a maior parte da minha alocação da carteira ativa para a passiva, e, como expliquei no texto “independência financeira passiva ou ativa“, ter mais tempo, paz e tranquilidade. Afinal, quem não os desejam, né?

No início desse texto comentei sobre a TNRP. Essa é outra métrica que irei utilizar para as tomadas de decisões no futuro. TNRP significa “taxa necessária de remuneração do portfólio”, e ela fechou para mim no ano de 2019 em 2,6%. Esse número significa que eu preciso de uma remuneração anual REAL de 2,6% de meu patrimônio para poder viver bem com meu planejamento financeiro até eu passar para o lado de lá.

Se a remuneração anual estiver acima desse valor, a TNRP tende a cair a cada ano, facilitando minha decisão de continuar minha migração para o gerenciamento passivo do portfólio. A adoção do benchmark em inflação+5% fornece uma margem de segurança adicional nesse objetivo. A taxa é atualizada anualmente.

Como comentei no texto, estou construindo uma nova carteira baseada em ETFs e fundos de índice, cuja rentabilidade será compara à carteira ativa e passiva. Vamos acompanhar os próximos capítulos? O que você acha dessa estratégia? Seu comentário é muito bem-vindo!

Explore mais o blog pelo menu no topo superior!…
Para me conhecer mais, você ainda pode… ler sobre minha história aqui, ouvir uma entrevista em podcast ou ainda, assistir uma live no Instagram.

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LEOBINO BARROSO DE ARAUJO
LEOBINO BARROSO DE ARAUJO
21 dias atrás

André,
Uma curiosidade, qual seu metodo de seleção de açõies? usa a formula de green blatt?

Anônimo
Anônimo
25 dias atrás

André,

Teria como vc monstra um post detalhando seus custos e despesas mensais ? Minha curiosidade é saber seu grau de frugalidade. Eu tenho muita dificuldade em ser frugal, assim, para conseguir alcançar uma “independência financeira” vou ter que acumular uns $5 milhões o que acho bem complicado (já estou com 40 anos e estou bem longe desse valor). Sendo assim, gosto de saber com as pensões que são independentes financeiramente como elas gerenciam seus gastos.

Abs,

Thiago

Acumulador Compulsivo
25 dias atrás

Grande André, tudo bem? Cara, eu fico sempre admirado com a qualidade e profundidade das suas postagens. Não tenho toda essa dedicação, portanto admiro bastante. Acho que a escolha de carteira ativa ou passiva, também tem muito a ver com a personalidade da pessoa, com o tipo de renda ativa que ela tem. Tenho alguns amigos que trabalham no comércio (renda muito variável) e por serem muito arrojados, não aceitam nada que seja muito “estável”. Não curtem renda fixa, nem muito fundos passivos. Gostam de emoções, rs… Quando, na real, acho que deveriam buscar mais solidez e segurança nos investimentos,… Read more »

Simplicidade e Harmonia
26 dias atrás

André, Gostei dos gráficos interativos. Ficaram muito bons com esse layout. Quem iria que algum dia os FIIs passariam por tal situação… Nas lives percebo que o tom inicial mais otimista já não existe mais, pois o desenrolar dos fatos mostraram que tudo é muito mais sério do que imaginava-se a princípio. Fico pensando também na segurança do TD e da renda fixa (títulos de bancos médios). Até o começo do ano, as coisas estavam indo relativamente bem. Mas e agora? As taxas do TD estão mais altas e o risco Brasil está maior, pois o país encontra-se com 3… Read more »

LEOBINO BARROSO DE ARAUJO
LEOBINO BARROSO DE ARAUJO
2 meses atrás

André, tudo bom? vc tem gostado dos seus Fundos de Crédito Privado e/ou Juros Longos? Eu usava o Az quest para reserva de oportunidade, ele era um reloginho ali na casa dos 106 / 110% do CDI e D+0. Com essas quedas da selic, ele ta apanhando do CDI coitado…

LEOBINO BARROSO DE ARAUJO
LEOBINO BARROSO DE ARAUJO
Reply to  André
2 meses atrás

Sim, divido minha reserva em lft e algum fundo DI ou renda fixa para ter um ganhozinho maior. Esse colchao é bastante importante, nesse caso o papel nao rentabilidade, sem duvida.

Renan
Renan
3 meses atrás

Puxa, nao sei se entendi pq ta bem confuso essa parte ai, mas é complicado usar carteira previdenciária na carteira Passiva; é bem tendencioso né. Fundos péssimos. Tem que pegar só ETF de baixo custo como PIBB11, IVV se quiser faz isso sem bias !

O Engenheiro Investidor
3 meses atrás

Me toquei que um blog tão bom e recomendado quanto o seu não estava na minha blogroll.

Corri para adicionar, excelente post!

Alfredo
Alfredo
3 meses atrás

André,
Gostei muito.
Tenho acompanhado suas postagens e sempre as considero boas e ponderadas.
Meus parabéns,
Uma dúvida :Quando você considera IPCA +5% ,o que me parece uma boa taxa,é com ou sem IR ?
Penso que o ideal seria uma taxa líquida .

Bansir
4 meses atrás

Esse ano ainda não deu para a carteira passiva… Vai ter que ficar na ativa mais tempo hehe

Abração!

Roberto
Roberto
6 meses atrás

hahaha sacanagem comprar ativo com passivo só em 2019 quando só sobe essa porra de bolsa. faz um em 2016 pra ver ai sim fica interessante

LEOBINO BARROSO DE ARAUJO
LEOBINO BARROSO DE ARAUJO
6 meses atrás

Oi André,

Parabens pelo novo blog, O visual ficou bastante friendly e clean.

Qnto à estratégia de gestão passiva x tempo, sempre fiquei pensando se nao valeria a pena ter uma carteira de fundos com base na minha alocação de ativos 30% CDI, 30%renda fixa, 20%multimercado, 10%açoes BR, 10% açoes estrangeiras…O duro sao as taxas e a confiança no gestor, mas talvez compense nao ocupar o tempo.

Simplicidade e Harmonia
6 meses atrás

André,

Interessante a divisão da sua carteira. Como eu comecei com FIIs (e não com ações), minha exposição acabou ficando maior nesse ativo, devido a valorização das cotas durante esse ano – preciso fazer o rebalanceamento da carteira…

Boa semana!

Guilherme
6 meses atrás

Excelente artigo, André!

Gostei particularmente do novo benchmark, IPCA + 5%. Acho uma métrica mais desafiadora do que simplesmente usar o CDI, até porque a tendência daqui pra frente parece ser o enxugamento cada vez maior dos juros reais.

Abraços!

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