Qual a rentabilidade de uma carteira de ETFs e fundos de índice?


Acompanhe a rentabilidade mensal de minha carteira de ETFs e fundos de índice até outubro de 2021.
Será que é uma boa alternativa para gerir adequadamente o patrimônio demandando menos tempo de sua vida?


Aos novatos do blog, revelo que fui pai novamente no final de 2020, após 26 anos. Ser responsável por plantar sementes que possibilitam o crescimento de uma nova vida, sempre é algo fascinante. Nos deparamos com novos recomeços e modificamos todas nossas prioridades. Uma passagem do livro “Cultivando Rendimentos“, de Jean Toseto, expõe bem o sentimento que me envolve nesses tempos:

“… educar uma criança, lhe imputando condutas éticas e uma gama de conhecimentos, é a maneira mais segura que existe para prorrogar a nossa passagem por este planeta. Nossos filhos, no futuro, vão refletir parte do que ensinamos para eles. Eis um belo investimento cujo retorno é difícil mensurar. A criação de um filho é um empreendimento constante.”

Imerso nesse empreendimento, reavalio frequentemente o quão disponível desejo estar nesse papel. Nessa medida, a atenção ao acompanhamento mais profundo do mercado, das empresas e até os cuidados com o blog estão sendo repensados.

Rentabilidade de uma carteira de ETFs e fundos de índice

Por outro lado, tenho uma meta anual de TNRP (taxa necessária para remuneração do portfólio) a alcançar. Quando soube da notícia, em abril do mesmo ano, fiz uma pequena revisão considerando gastos adicionais de R$ 400.000,00 nos 21 anos seguintes. A confirmação da taxa veio em janeiro de 2021, mês oficial da reavaliação: a TNRP aumentou de 2,6% para 2,8% no início de 2021.

Ou seja, preciso remunerar meu patrimônio a quase 3% reais anuais, para que meus planos de independência financeira e aposentadoria antecipada mantenham-se intactos.

Embora o número nem seja assim tão desafiador, visto o histórico de rentabilidade de minha carteira de investimentos, o desafio é conciliar a nova taxa com o menor tempo de dedicação ao estudo dos ativos e das condições macroeconômicas. A provocação é buscar uma TNRP confortavelmente suficiente com o menor tempo demandado possível.

Assim, iniciei carteiras alternativas no meu portfólio. Em 2019, uma carteira passiva com fundos de investimentos. Em 2020, uma carteira de ETFs, que me livre do tempo de análises de mercado e estudos de balanços de empresas, focando apenas nos rebalanceamentos. Nos fundos de investimentos a operação de rebalanceamento é complicada, pois muitos possuem prazos de resgates muito longos e não sabemos a real alocação de cada um em determinado momento.

Mesmo em 2021, quando iniciei investimentos diretamente em corretoras nos Estados Unidos, fiz a escolha por carteiras de fundos passivos (AOA e AOK).

Esse texto consolida o acompanhamento de rentabilidade da carteira de ETFs. Criei também uma página fixa no blog, que consolida as rentabilidades de todas as carteiras acompanhadas, inclusive com os robôs de investimentos e com um fundo de fundos, que seria a forma mais simples de delegar o tempo, usando-o para a criação do serzinho que se desenvolve diariamente.

O que são ETFs?

ETF é uma sigla para Exchange-Trade Fund, um fundo onde o gestor busca seguir um índice do mercado. Não há gestão ativa: o gestor apenas compra e vende papéis acompanhando a composição de um índice específico.

Por exemplo, um ETF do índice Ibovespa tem, em seu portfólio, as mesmas ações do índice, nas mesmas proporções. O papel do gestor é simplesmente fazer essa manutenção e alterá-la quando a composição do índice mudar. Um papel que poderia ser feito por um adolescente que entenda bem de matemática, ou mesmo um robô mais esperto. Não há análise financeira.

Exatamente por isso, a taxa de administração de um ETF, seja de renda fixa ou renda variável, é muito mais baixa do que fundos de investimentos geridos por renomeados gestores. É verdade que existem muitos fundos ativos que batem regularmente os índices de mercado, mas também é verdade que existem outros tantos que não alcançam a mesma rentabilidade de uma carteira de ETFs.

O que então escolher? Fundos passivos de ETFs, fundos ativos de grandes gestores ou compor sua própria carteira de investimentos?

As vantagens dos ETFs

1) Diversificação

A principal vantagem do ETF é sua diversificação, ou ainda, a facilidade de criar uma carteira de investimentos bem alocada.

Os ETFs de renda variável que seguem o índice padrão da bolsa brasileira são os mais disseminados, mas também existem aqueles que seguem índices de ações de empresas menores, de empresas que pagam dividendos ou de ações de empresas participantes do índice norte-americano S&P500.

Existem também os ETFs de renda fixa, com posições que seguem índices como o IMAB ou IRFM-P2, com títulos indexados à inflação ou pré-fixados. É extremamente simples criar uma carteira diversificada com apenas três ou quatro ETFs. Se escolhêssemos, por exemplo, um ETF como o BOVV11, o SMAL11 e o IVVB11, estaríamos diversificados em centenas de empresas! Acrescentando mais dois de renda fixa, poderíamos ajustar nossa alocação com base em nosso perfil de investimentos.

O rebalanceamento também se torna extremamente simples, como veremos adiante. Talvez sejam esses fatores – a diversificação e o rebalanceamento, os principais fatores que influenciarão a rentabilidade de uma carteira de ETFs.

2) Facilidade em investir no exterior

A facilidade em investir no exterior, para brasileiros, é enorme. Seja porque é possível comprar alguns ETFs (ou BDRs de ETFs) em sua corretora de valores (apesar da grande limitação), seja por nos poupar do tempo e recursos para estudos de empresas estrangeiras.

Mesmo que desejemos alguma sofisticação, como possuir uma melhor oferta para a carteira de ETFs – incluindo ETFs de REITS, os fundos imobiliários norte-americanos ou ações globais, podemos ficar livres de sermos totais outsiders das empresas globais. Para o brasileiro comum, é muito difícil acompanhar o dia a dia, os balanços, e tudo que influencia a saúde das empresas lá fora: eles nos proporcionam uma economia tamanha de tempo.

3) Taxas menores

Como comentado na introdução do capítulo, os ETFs possuem taxas muito baixas, chegando a valores abaixo de 0,05% anuais no exterior. Aqui no Brasil, a indústria entrou em uma grande competição no segundo semestre de 2021, e já possuímos ETFs com taxas de 0,03% (o IBOB11, do BTG), mas ainda precisamos nos desenvolver muito no índice a ser seguido: o IBOV ainda é dominante.

Esses valores mais baixos contribuem muito com a rentabilidade de longo prazo de uma carteira de ETFs, uma vez que são muito menores do que fundos de gestão ativa, que apresentam taxas em torno de 2,0% mais 20% de performance.

4) Rebalanceamento facilitado

O maior diferencial dos fundos de índices é que ele possibilita uma gestão ativa e eficiente de poucos papéis, o que contribui para gerar uma boa rentabilidade de uma carteira de ETFs. Vamos entender melhor: os fundos possuem uma gestão PASSIVA, seguindo um índice específico.

Porém, se soubermos combiná-los de forma que tenhamos vários ETFs com ativos não correlacionados, poderemos facilitar muito a gestão ATIVA de nossa carteira de investimentos, promovendo rebalanceamentos adequados entre as altas e baixas do mercado financeiro.

Como já comentei em outros textos, o rebalanceamento de ativos é fator imprescindível para a boa rentabilidade de uma carteira de investimentos. Além disso, os conceitos de alocação de ativos mostram que ele é fundamental para que nossos vieses emocionais não interfiram no gerenciamento financeiro de nosso portfólio, proporcionando ganhos superiores em um espaço maior de tempo.

5) Boas taxas para aluguel

Os ETFs, em geral, possuem boas taxas anuais para serem disponibilizados para aluguel, caso a estratégia de maior parte da carteira de investimentos seja de longo prazo e você não pensa em operá-los visando ganhos imediatos.

Em maio/21, por exemplo, na corretora Singulare, as taxas anuais para o aluguel de DIVO11 e SMAL11 estão na faixa de 3 a 5% ao ano, um ganho razoável. É uma boa alternativa de rentabilizar passivamente a carteira de investimentos.

As desvantagens dos ETFs

1) Desvantagens fiscais

As desvantagens fiscais dos ETFs são evidentes sob dois aspectos:

  • Ausência de benefício fiscal de venda: se possuímos ações de empresas individuais, possuímos um benefício fiscal de vendas mensais até R$ 20.000,00 com isenção de imposto de renda. Nos ETFs, essa regra não existe. O investidor paga imposto de renda de 15% para toda venda que realizar.
  • Uma vez que os dividendos das ações de empresas do índice são incorporados nas cotas do fundo, pagamos, no momento do resgate, imposto de renda também sobre os dividendos, o que não ocorre quando os recebemos em posse de ações individuais.

Caso o governo, entretanto resolva taxá-los, como consta na reforma tributária, a desvantagem em possuir uma carteira de ETFs deixará de existir.

2) Qualidade da diversificação

Os críticos dos ETFs apontam que em um ETF existem ativos bons e ativos ruins. É verdade: você sempre ficará na “média” do mercado, sem obter rendimentos excelentes, mas também sem correr o risco de ter grandes prejuízos. Mas é um argumento questionável, pois ele pressupõe que temos plenas condições de escolher o que são as “boas” ou as “más” ações.

Porém, o histórico mostra que a maioria dos fundos ativos NÃO batem os índices. Ou seja, precisamos estar acima da média dos gestores financeiros para termos ganhos reais operando ações individuais. Você está? E se colocarmos a variável “nosso tempo disponível” nessa equação? Será que ainda podemos bater o mercado com análises “expressas”?

A alocação da carteira de ETFs e regras de gerenciamento

Veja adiante uma sugestão de operacionalizar isso na prática. Antes, porém, segue a estrutura do blog para disponibilizar todos os acompanhamentos de rentabilidades:

Páginas para detalhar as alocações e rentabilidades das carteiras no blog

Rentabilidade das carteiras ativa e passiva (fundos de investimentos)
Rentabilidade das carteiras dos robôs de investimentos
Rentabilidade de uma carteira de ETFs e fundos de índice (esse post)
Página com todas as rentabilidades consolidadas

O último link apresenta todas as rentabilidades, inclusive de um fundo de fundos no qual tenho algumas cotas. Será que pode ser uma alternativa para a aposentadoria antecipada e independência financeira? Sem dúvidas, seria uma boa escolha em função do baixo tempo requerido para acompanhamento, caso entregue uma boa performance.

Alocação da carteira de ETFs

Abaixo está a alocação da carteira real, mais complexa, que criei para ETFs e outros fundos baseados em índices. Seguem alguns comentários na sequência.

GestorÍndicePapel / FundoTaxaAlocação
VítreoSelicSelic Simples0,00%10%
ItaúIMABIMAB110,25%14%
VítreoIPCA longoInflação Longa0,05%10%
ItaúIRFM P2IRFM110,20%6%
Renda Fixa40%
Black RockSMLLSMAL110,50%7%
ItaúIRBX-50PIIB110,06%7%
ItaúIDIVDIVO110,50%7%
ItaúS&P500SPXI110,21%14%
Renda Variável35%
Banco InterIFIEIFIE110,30%7,5%
Banco InterIFIDIFID110,30%7,5%
FIIs15%
VítreoOuro não hedgeadoVítreo Ouro0,14%5%
VítreoDólarVítreo Dólar0,05%2%
VítreoCriptomoedasCriptomoedas1,5%3%
Seguros/Câmbio10%

Observações:

  1. Tentei incluir na carteira de ETFs os produtos do Bradesco, com taxas de administração mais baixas, mas a liquidez é pífia. O ETF de títulos pré-fixados do Itaú (IFRM11) também possui baixa liquidez, mas mantive para consolidar a ideia, esperando que melhore com o tempo;
  2. Escolhi os fundos de índice da Vítreo em virtudes das baixas taxas de administração, compensando o come-cotas. E, no ambiente interno da plataforma, é fácil fazer rebalanceamentos entre renda fixa e câmbio (dólar e ouro);
  3. Na alocação dos fundos imobiliários, resolvi dividir entre tijolos e papeis, com o IFIE11 e IFID11. Estou analisando se incluo também o KISU11, embora sua taxa anual seja alta;
  4. A fatia das criptomoedas possui, por enquanto, gestão ativa (única alternativa quando da montagem da carteira). Estou estudando se transfiro essa alocação para o novo ETF HASH11 ou uso minha carteira no exterior para comprar um futuro ETF de criptos e alocá-lo na carteira de ETFs;
  5. Em relação à minha carteira ativa, as principais modificações foram a adição de uma fatia mais significativa de ações no exterior (SPXI11) e uma pequena parcela em criptomoedas;
  6. Recentemente (junho/2021), com a criação de minha carteira no exterior, reduzi a alocação dos ativos de câmbio (originalmente em 15%) para 10%, tornando-a mais próxima à carteira ativa.

A taxa de administração final e ponderada dessa carteira está em 0,2455%, ainda penalizada pela taxa de administração do fundo ativo de criptomoedas.

Reforço ainda que esses números só serão atingidos na prática, se escolhermos uma corretora de valores com taxa zero de negociação e custódia. Veja aqui quais são as corretoras que oferecem essa isenção.

Carteira de ETFs alternativa

Como curiosidade, criei uma carteira “virtual” com apenas 5 ETFs e fundos de índice para verificar se, no longo prazo, conseguimos rentabilidade semelhante com menos ativos e menor tempo dispendido. Essa carteira está composta com a seguinte alocação:

GestorÍndicePapel / FundoTaxaAlocação
VítreoSelicSelic Simples0,00%10%
ItaúIMABIMAB110,25%30%
ItaúIRBX-50PIIB110,06%35%
ItaúS&P500SPXI110,21%15%
VítreoOuro não hedgeadoVítreo Ouro0,14%10%

A mesma observação que fiz no item 7 anteriormente vale para essa carteira: iniciei com 15% em câmbio e reduzi para 10% em junho de 2021.

A carteira de ETFs mais enxuta mantém assim, os percentuais nas grandes classes de ativos da carteira real com uma gestão mais simples e uma taxa de administração de apenas 0,14%, uma vez que não possui os fundos imobiliários e o fundo de criptomoedas. Está mais exposta, porém, às ações internacionais e ao ouro, ambos dolarizados. Da mesma forma que a anterior, é passível de receber a inclusão de um ETFs de fundos imobiliários, se surgir algo misto com ativos de tijolos e de recebíveis.

Critérios de rebalanceamento

O rebalanceamento é feito se o desvio de alguma alocação atingir 10%. Por exemplo, para a carteira completa de ETFs, a realocação do ETF SPXI11 será feita se seu percentual cair abaixo de 12,6% ou subir além dos 15,4% (variação de 10% sobre a alocação-alvo de 14%).

A ideia é pensar matematicamente, sem quaisquer vieses. Eles serão realizados independentemente do cenário econômico e notícias do mercado financeiro. Esse é o objetivo, de forma que meu filho, com 10 anos, já seja capaz de fazer sozinho os rebalanceamentos.

Rentabilidades das carteiras de ETFs

As rentabilidades de ambas as carteiras de ETFs começam a ser computadas a partir do segundo semestre de 2020. Porém, para possibilitarmos o embate anual, fiz um backtest para o primeiro semestre, possibilitando a comparação.

Considerações sobre o uso do benchmark IPCA+5% podem ser acessadas aqui.

Rentabilidade das carteiras de ETFs em 2020

O ano de 2020 que parecia terrível em março terminou em recuperação para os mercados e anulou as perdas sofridas. A maioria dos indicadores fechou no positivo.

A boa performance das carteiras de ETFs possui uma explicação racional: as alocações em SPXI11 são maiores em relação com as demais carteiras que possuo. A carteira simplificada, adicionalmente, possui a maior alocação em ouro, isoladamente, de todas as demais. Ambos os índices não possuem hedge, ou seja, são dolarizados. Por sua vez, a carteira de ETFs completa possui 3% de alocação em um fundo de criptomoedas.

Em 2020, os ativos vinculados ao dólar superaram todos os demais investimentos. Ou seja, não foi mágica: foi um acaso das circunstâncias do mercado e da desvalorização de nossa moeda. Resta-nos agora ver os próximos capítulos. Se o real voltar a se valorizar perante o dólar, elas devem devolver boa parte dessa rentabilidade à frente.

O acumulado de rentabilidade de 2020 ficou dessa forma:

Carteira Rentabilidade anual% sobre o IPCA+5%% sobre o CDI
1º) Carteira de ETFs simples17,84%181,5%696,9%
2º) Carteira de ETFs completa11,18%113,7%436,7%
IPCA + 5%10,12%
CDI2,56%

Fazendo uma comparação entre ambas as carteiras de ETFs, a carteira mais simples não possui fundos imobiliários como na carteira completa, não sendo prejudicada pelo índice IFIX que foi o único índice relevante que recuou em 2020 (mais de 10%). Esse espaço é preenchido com uma alocação maior de ouro (mais do que o dobro da carteira completa) e SPXI11, ambos dolarizados, o que beneficiou sua rentabilidade em 2020.

Rentabilidade das carteiras de ETFs em 2021 até o mês de outubro

Nesses primeiros dez meses de 2021, continuamos patinando horrorosamente em praticamente todos os indicadores relacionados a ativos nacionais. A cada mês que passa, fica incrível como está difícil ganhar dinheiro no mercado financeiro esse ano.

É um desafio impossível alcançar uma boa rentabilidade, ainda mais comparada ao benchmarking indexado à inflação, que sobe 12,70% até então. Até corri as performances dos fundos multimercados para checar se alguém se destaca. Nada. Todo mundo perdendo dinheiro…

Com mais uma queda expressiva em outubro (a quarta seguida), o mercado acionário principal brasileiro desaba no período 13,03%, enquanto o S&P500 sobe 22,60%, ampliando, mês a mês, sua vantagem sobre o Ibovespa.

Com a nova valorização de outubro, o dólar acumula uma alta de 8,67% no ano. O bitcoin ainda é um alento, com valorização de 111,41% no mesmo período. O ouro hedgeado virou esse mês para o campo positivo, rentabilizando 3,12% esse ano.

Outubro foi mais um mês que a renda fixa decepcionou, com o IMA-Geral caindo 1,79%, acumulando perdas no ano de 2,15%. Títulos mais longos, muito presentes na carteira ativa como o IPCA+2045, caem 30,18% no período. Muito difícil rentabilizar um patrimônio assim, não?

Se considerarmos ainda que o IFIX, que, com a queda de 1,50% em outubro acumula uma desvalorização anual de 6,80%, temos um quadro bem negativo para uma carteira de investimentos superar o benchmark indexado à inflação, que continua em plena ascensão. Ano totalmente perdido.

As criptomoedas ainda são as principais responsáveis pela valorização da carteira de ETFs completa até então, que sobe 2,12% no ano, apesar da desvalorização de 0,21% em outubro. A carteira de ETFs simples caiu 0,15% no mês e no acumulado, mostra uma queda de 0,65% no ano.

Qual a rentabilidade de uma carteira de ETFs e fundos de índice? 1

A inflação mais juros de 5% continua mantendo nosso benchmark altamente desafiador: alta de 12,70% até então. Desde setembro, foi a primeira vez que a rentabilidade acumulada da carteira de ETFs ampla ficou abaixo até do CDI.

Notem ainda que as carteiras de ETFs, dentre todas as outras acompanhadas no blog, são as que menos sofrem com a situação brasileira SE a situação externa estiver boa, uma vez que elas compõem o portfólio com maior percentual de ativos vinculados ao exterior. Mesmo assim, a economia brasileira não permite que elas deslanchem.

Assim, nosso ranking em 2021 até outubro encontra-se dessa forma:

CarteiraRentabilidade anual% sobre o IPCA+5%% sobre o CDI
1º) Carteira de ETFs completa2,12%16,69%70,19%
2º) Carteira de ETFs simples– 0,65%
IPCA + 5%12,70%
CDI3,02%

Rentabilidades acumuladas das carteiras de ETFs (2020/2021)

Veremos, agora, em um período mais amplo, as rentabilidades acumuladas das duas carteiras de ETFs, iniciadas em 2020. Nesta visão de prazo maior, estamos um pouco (mas só um pouco) menos desconfortáveis em relação ao benchmark e ao CDI, ainda utilizado como o principal benchmark do mercado financeiro. Espero que essa tempestade perfeita de queda de quase todos os indicadores passe logo…

Veja abaixo como está o ranking considerando os anos de 2020 e 2021:

CarteiraRentabilidade anual% sobre o IPCA+5%% sobre o CDI
1º) Carteira de ETFs simples17,07%70,8%301,59%
2º) Carteira de ETFs completa13,54%56,15%239,22%
IPCA + 5%24,11%
CDI5,66%

No fundo, investir em ETFs é uma questão de perfil

Cada pessoa tem um perfil e uma realidade. Você precisa definir onde se encontra nesse momento de sua vida.

Se você tem tempo e interesse, pode valer a pena dedicar-se ao estudo das empresas. Se for uma pessoa inteligente, possuir bom senso, capacidade analítica, entender o mercado onde ela está inserida, estudar também seus concorrentes, possuir algum grau de relacionamento entre insiders e ter uma boa visão de políticas econômicas, nacionais ou globais, você pode performar acima da média.

Mas não é tão fácil, percebe? Aí talvez valha a pena investir em ativos individuais e deixar os ETFs para casos específicos.

Se você tem tempo, mas não tem interesse, foque em investir na formação de uma boa carteira de ETFs. Ela não exigirá tanto estudo, mas demandará um tempo para pedir alguns rebalanceamentos e uma boa gestão de risco. Seria uma solução intermediária.

Porém, se você não tem tempo e nem interesse, talvez nem os ETFs lhe ajudarão muito, pois acredito neles dentro de uma estratégia mínima de rebalanceamento. Sugestão? Delegue totalmente: gaste uma energia inicial escolhendo bons gestores de fundos multimercados, reserve um fundo de emergência líquido e sem risco para despesas inesperadas e seja feliz. Não sinta culpa por alguém ficar falando que você precisa ficar escolhendo boas ações.

Explore mais o blog pelo menu no topo superior! E para me conhecer mais, você ainda pode…
assistir uma entrevista de vídeo no YouTube
ler sobre um resumo de minha história
ouvir uma entrevista em podcast ou no YouTube
participar de um papo de boteco
curtir uma live descontraída no Instagram
… ou adquirir um livro que reúne tudo que aprendi nos 20 anos da jornada à independência financeira.

E, se gostou do texto e do blog, por que não ajudar a divulgá-lo em suas redes sociais através dos botões de compartilhamento?

Artigos mais recentes:

5 13 votes
O texto foi bom para você?
Assine para receber as respostas em seu e-mail!
Notifique-me a
guest
49 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
Jacy
Jacy
2 meses atrás

Muito bom Andre, eu entrei nessa vibe de ETFs por achar muito chato estar analizando balanços de empresas e acho que é possível se dar bem com esses instrumentos, também comecei a investir no exterior neste ano, mas investindo em ETFs Irlandeses e de acumulação para ter benefícios fiscais. Agora para ter a maior tranquilidade contratei um serviço de uma empresa de gestão de patrimônio para gerir 60% do mesmo assim fico muito mais sussegado. Não vi você fazer nenhum post sobre as gestoras de patrimônio, acho que talvez seria interessante. Continuarei lendo seus posts e com eles aprendendo, mas… Leia mais »

Éllen
Éllen
4 meses atrás

Olá André! Analisei a sua sugestão de investir em ETFs neste início e acho que é a melhor opção para mim hoje mesmo. Então vamos lá. Como fazer isso? Vejo que seria interessante eu já começar investindo no exterior. Mas, estou começando agora e não entendo muito bem. Qual seria a melhor corretora para isso? Vi que você falou sobre uma cobrança de taxa da Avenue em outro texto. Você acha que a facilidade na utilização da plataforma compensa o custo? Ou seria melhor eu investir nesses BDRs? Neles não precisa de conta em corretora para o exterior? Achei interessante… Leia mais »

Éllen
Éllen
Reply to  André
4 meses atrás

André, muito obrigada pela resposta! Vou considerar tudo que você falou e pesquisar a respeito, à medida que as dúvidas forem surgindo vou te perguntando, rs. Boa semana!

Pisto
Pisto
9 meses atrás

André, você já deu uma olhada nos ETFs de BDRs? Acho que alguns como o ITOT (através do BITO39) podem ser bons substitutos ao IVVB11 ou SPXI11, devido à menor taxa de adm. Além disso, o ITOT segue um índice um pouco mais amplo, o que considero benéfico (apesar disso, tem rentabilidade similar ao IVV, de modo geral). A única coisa que me preocupa é a liquidez, mas como os BDRs de ETF são recentes, creio que isso melhorará com o tempo. E o que vc acha de alocar também uma parte em ETFs de emergentes? Pode ser uma boa… Leia mais »

Pisto
Pisto
Reply to  André
9 meses atrás

Obrigado pela resposta, André! Realmente a questão da liquidez me desanimou um pouco a comprar alguns ETFs. Com relação a China, citei ela como exemplo por ser um pais bem expressivo dentre os emergentes, porém esse papel que citei abrange todos os países emergentes, então acredito que diminua um pouco a necessidade de um estudo mais aprofundado em cada, já que a diversificação é bem considerável. Outro detalhe que havia esquecido de comentar: nao conhecia os ETFs dr renda fixa antes do seu post e gostei bastante da proposta. Na sua opinião eles sao uma boa forma de substituir o… Leia mais »

Sidnei
Sidnei
10 meses atrás

Olá André,

Apesar de não ser muito fã de criptoativos, sei que existem fundos que investem no HDAI, um índice criado pela Hashdex. Nas corretoras Órama e BTG sei que tem os fundo, sendo que o único fundo que tem 100% de HDAI é o HASHDEX CRIPTOATIVOS VOYAGER FIM IE, disponível apenas no BTG e é para Investidor Profissional apenas. Os demais fundos são para IQ e investidor em geral, mas com percentual de HDAI inferior.

Investidor Inglês
10 meses atrás

Feliz 2021 André!

E o herdeiro, como está?

A rentabilidade da carteira completa ficou bem interessante hein? E olha que teve o IFIX a atrasando como bem pontuou.

Abração!

Investidor Inglês
Reply to  André
10 meses atrás

Que bom que o filhão está bem. Agora é com vocês mesmo hehe.

Eu migrei definitivamente para essa passiva. Apesar de ainda estar longe da IF e precisar buscar o máximo de rendimento possível, com as condições atuais não me vejo capaz disso rsrs.

Vou focar no que está dando certo (operações com opções) e deixar o resto no automático rsrs

Além do mais, tem a carteira fórmula mágica que contribuiu bem ano passado. Vejamos 2021!

Edson
Edson
1 ano atrás

Oi, André. Muito bom seu estudo, obrigado por compartilhar! Algumas dúvidas: 1) Há fundos de ações que consistentemente batem o ibovespa ou IBrX-50 (pelo menos nos últimos anos, mesmo considerando a taxa de administração). Eles têm a desvantagem de carência maior no resgate, mas para o longo prazo não faz tanta diferença. Você não consideraria vantajoso trocar os ETFs de ações por fundos? 2) Me parece que a carteira está exposta ao exterior apenas em ETFs de ações. Não pensa em incluir outras classes? Não considera o fundo da Vitreo Global uma boa opção? 3) Hoje é meio que consenso… Leia mais »

Investidor Inglês
1 ano atrás

Fala André! Acabei perdendo este post sobre sua carteira. Ficou muito massa! Eu comecei o movimento de adesão a essa gestão mais passiva adquirindo DIVO11 e FIXA11 (não gostou deste ETF de renda fixa?) Contudo, farei diferente. Pelo menos por agora. A ideia será concentrar em DIVO11 e talvez BOVA ou PIBB (bova tem opções hehe). Já SMAL, eu talvez não inclua e continue meu garimpo. O bom que com o suporte dos ETFs, ficará mais tranquilo isso aqui. Sem contar a fórmula mágica. Esse ano ela está batendo o ETF SMAL, então talvez isso seja mais um indicio de… Leia mais »

Investidor Inglês
Reply to  André
1 ano atrás

Boa sua definição do FIXA11 hehehe

É, essa de não acompanhar o índice estou de olho. Se continuar assim, coloco em Selic e IMAB11, vamos ver.

No mais, no aguardo desse produto do Inter. Quanto a Vitreo, realmente eles estão atirando para todos os lados haha

Bom final de semana!

LUCAS
LUCAS
1 ano atrás

Os 15% de IR nos ETFs são sobre o montante total da venda ou sobre os ganhos de capital?

Vagabundo
1 ano atrás

Outro ponto, sobre FIIs – acho que deve entrar de alguma forma, mesmo na carteira mais simples. Comecei um experimento de simplificação usando o RBFF11 e tenho o BCFF11 no radar. O que acha desses FOFs ? Qual sua atual alocacao em FIIs ? Infelizmente o IFIX é um indice já muito poluído, por isso começam a pipocar índices alternativos como os da XP e do Banco Inter.

Vagabundo
Reply to  André
1 ano atrás

se nao me engano a vitreo oferece um serviço de gestao de carteira para FIIs, nao sei se ja viu, so’ queria te comentar. No geral vai demorar anos pra gente migrar da gestao ativa pra passiva né ? Mas enfim um dia tem que começar. abs

Vagabundo
1 ano atrás

Excelente post, um dos melhores sobre ETF que eu já vi ! Obrigado por compartilhar, foi um belo resumo do que temos por aí. Eu nao aguento mais ficar mexendo com planilhas e olhando indicadores de FIIs, ações, juros… se eu soubesse tinha começado com ETF desde o meu primeiro aporte. Agora o desafio é transicionar uma carteira cheia de ações e FIIs diversos, um monte de títulos de diferentes taxas e validades para algo assim mais simples de controlar. Tem alguma dica ? É tanta coisa acumulada que nao sei nem por onde começar. Caso a carteira ETF e… Leia mais »

Bilionário do Zero
1 ano atrás

Muito bom isso esse estudo, eu comecei um blog novo uns dias atrás, pra fazer um estudo bem parecido, simular 2 carteiras de investimento, uma passiva com ETF e outra ativa, da minha carteira atual (2 meses atrás), a ideia é comparar pra ver se eu ganho do mercado ou não….

Estou publicando em https://carteirasimples.blogspot.com/

Abraços

Bilionário do Zero
Reply to  André
1 ano atrás

Olá André, obrigado pelas sugestões, sim, eu logo percebi que não conseguiria fazer uma carteira com ETFs que fosse se igualar a carteira com gestão ativa em ações brasileiras e fundos imobiliários, eu tenho a intenção de no futuro adicionar ações estrangeiras na simulação, e por isso acabei colocando o IVVB11, o que no começo deu um resultado muito melhor para a gestão passiva, mas agora no mês 5, eu estou vendo que o ETF SMAL11 é o que tem se destacado mais. Por enquanto a passiva está com 17% e a ativa com 11%, não sei se o estudo… Leia mais »

Felipe Damiani
Felipe Damiani
1 ano atrás

Olá André, excelente post, bem didático como sempre. Porém queria saber os motivos que te levaram a escolher o SPXI ao invés do IVVB. Abraço

Felipe Damiani
Felipe Damiani
Reply to  André
1 ano atrás

Valeu André!

Fábio
Fábio
1 ano atrás

Parabéns, André! Excelente texto. Muito boa a sua diligência com as carteiras. A simplicidade, até o momento, se mostrou eficiente. Veremos como será mais adiante. E mais uma vez, esteja com o “curso intensivo de trocas de fraldas de bebês” em dia! Rs…Parabéns e que essa criança venha com muita saúde! Abraço!

Danilo
Danilo
1 ano atrás

Olá! André. Como sempre mais um excelente texto, meus parabéns e obrigado, mais uma vez, por compartilhar conosco. Apesar que já me convenci, em virtude do meu perfil e objetivos, que irei investir apenas por meio dos ETFs, por enquanto, pra montar minha futura carteira, estou curioso pra ver como será os futuros comparativos das suas carteiras. André, não sei o que têm acontecido pois quase todos os meus comentários tem desaparecidos, provavelmente estam indo pra caixa de spam, assim como o outro que me disse que estava lá de outro post. Tem algo que eu posso fazer pra evitar… Leia mais »

Bilionário do Zero
Reply to  Danilo
1 ano atrás

Olá, eu voltei hoje aqui pra ver uma resposta, e percebi que no chrome meu comentário anterior está visível, e no firefox ele não está aparecendo, é meio estranho mesmo. Tente acessar com outro navegador para ver, talvez com modo privado. Abs

Gustavo
Gustavo
1 ano atrás

Andre. Você já pensou em montar ou já montou uma carteira diversificada com etfs americanos (etfs país desenvolvido e etf sp500, como itot e outros). E comprar também.

Gustavo
Gustavo
1 ano atrás

Andre, algumas pessoas me falaram que a vítreo é uma corretora pequena. No caso tem algum risco de aplicar ou resalva?

Guilherme
1 ano atrás

Sensacional estudo, André!!!

Eu também gosto muito dos ETFs, e, pelo menos para o meu perfil, é o que mais se compatiliza.

Fiquei arrepiado quando li que vc vai voltar a ser pai depois de 26 anos. Deve ser uma emoção e tanto!!! Desejo muito sucesso nessa nova e emocionante missão!!!

Abração!!!

Investidor Internacional
1 ano atrás

Olá VL,

Quando fiz este estudo aqui foi um pouco na linha do que você está pretendendo.

https://www.investidorinternacional.com/carteira-balanceada-estudo-retrospectivo-de-10-anos/

Agora é que muita coisa nova e voltada a classe de ativos, como ETF tem aparecido, mas ainda, como você falou, a liquidez é ruim.

Abçcs!

Acompanhe:
49
0
Por que não deixar seu comentário?x
()
x