Problemas nos rebalanceamentos dos fundos de investimentos ativos


Porque em uma carteira de fundos de investimentos precisamos pensar de uma forma um pouco diferente sobre os rebalanceamentos e a gestão do risco?


Leitores mais antigos do blog que têm acompanhado os progressos e mudanças de minhas carteiras de investimentos já notaram o comentário do quão é difícil rebalancear adequadamente um portfólio composto de fundos de investimentos ativos.

Em muitos textos, fortaleço exaustivamente a importância do rebalanceamento dos ativos das carteiras de investimentos. Além de ser essencial para seu gerenciamento de risco, são eles que contribuirão com a maior parte na rentabilidade a longo prazo de seus ativos. Não é o stock-picking, não é o último macete do Reddit, nem a dica quente do Youtuber famoso que ainda não saiu da casa da mãe.

Rebalanceamento de fundos de investimentos ativos

Mas porque é tão difícil rebalancear tais investimentos e o que estou fazendo para realinhar minhas carteiras com meus objetivos?

A carteira de fundos de investimentos ativos

Em 2018 iniciei a ideia de começar a “terceirizar” minha carteira de investimentos, a qual eu operava ativamente com papéis individuais. A ideia, que persiste até hoje, é diminuir meu tempo no gerenciamento do portfólio, que aumentou muito quando abracei oficialmente a atividade de “gestor profissional”, em 2014. Estava duvidando até então do significado de minha FIRE, uma vez que estava gastando muito de meu tempo acompanhando o mercado financeiro.

Até essa data, não possuía nada em fundos de investimentos, exceto na área particular dos fundos imobiliários. Para iniciar essa terceirização, iniciei a abertura de contas em 4 corretoras digitais (Magnetis, Monetus, Warren e Vérios) que operavam com algoritmos específicos: os famosos robôs de investimento. Esses investimentos abriram a série de acompanhamento de rentabilidades das carteiras de investimento. Especificamente para as rentabilidades das carteiras operadas pelos robôs, acesse esse texto.

Focando no tema “rebalanceamento”, estou, exceto pela eliminação da Vérios, com os mesmos investimentos até hoje, pois eles possuem a particularidade de já serem “autorebalanceáveis” entre as diversas classes de ativos, cumprindo efetivamente sua função no gerenciamento de risco do portfólio.

Problemas nos rebalanceamentos dos fundos de investimentos ativos 1

Em 2019, iniciei aportes em fundos de investimentos ativos, aproveitando a onda dos rebates em plataformas e corretoras específicas. Inicialmente, pensei em diversificar em fundos multimercados, fundos de ações e fundos de crédito privado. Fui utilizando gradativamente os recursos provindos de dividendos, vendas de ações e vencimentos de títulos de renda fixa de minha carteira operada ativamente.

Sentindo falta de mais diversificação, em 2020 acrescentei fundos de fundos (geral), fundos de debêntures incentivadas, além de fundos que investem em obras de infraestrutura no Brasil. Recentemente, acrescentei também fundos de fundos imobiliários para essa carteira, sob meu ponto de vista, passiva.

Para manter a clareza: todos esses fundos são operados através da gestão ativa de terceiros, que é o objetivo dessa carteira. Porém, para mim, ela é considerada uma carteira “passiva” uma vez que exige mínima interveção de minha parte. Ela está, no momento, representada pelos seguintes fundos:

  • Fundos Multimercados
    1. Fundos dos robôs digitais (Magnetis, Monetus e Warren)
    2. Adam Macro Strategy II D60 FIC FIM
    3. Legacy Capital FIC FIM
    4. Kinea Chronos FI FIC
    5. Kapitalo Kappa D FIC FIM
    1. Vítreo Money Rider Hedge Fund
    2. Dahlia Total Return FIC FIM
    3. Verde AM60
  • Fundos de Ações
    1. Alaska Black FIC FIA II BDR Nivel I
    2. Brasil Capital 30 FIC FIA
    3. Fama FIC FIA
    4. Bogari Value D FIC FIA
    5. Perfin Foresight Inst FIC FIA
    6. Indie FIC FIA
  • Fundos de Crédito Privado
    1. Capitalys Pan FIC FIM Cred Priv
    2. Brasil Plural FIC FIRF IMA-B
    3. Kinea Infra (KDIF-FID01B0)
    1. Perfin Apollo Energia
  • Fundos de fundos de investimentos
    • Vítreo FoF Melhores Fundos
    • Vítreo FoF Global
  • Fundos de fundos imobiliários
    • RBRF11
    • KFOF11
    • MGFF11

Ao final de janeiro de 2021, a alocação entre essas classes estava dessa forma:

Alocação fundo de investimentos na carteira passiva
Alocação entre os fundos de investimentos ativos em jan/21. Para ver o número atualizado, clique no link do próximo parágrafo.

Reparem que a parcela de fundos de fundos imobiliários está baixa porque eu os introduzi recentemente no portfólio, mas pretendo chegar a um valor em torno de 15%, porcentagem semelhante a que possuo com os fundos imobiliários na minha carteira ativa própria. Para quem deseja acompanhar o embate entre as rentabilidades entre essas duas carteiras, acessem o comparativo aqui.

Além disso, fiz algumas movimentações em 2020 nos fundos de crédito privado e de ações, que não vinham performando bem frente aos benchmarks (e não via mudança no futuro também), realocando esses saques nos fundos de fundos. Por isso, seus percentuais diminuíram nos últimos meses.

O problema dos rebalanceamentos dos fundos de investimentos ativos

Quando fiz esses resgates, percebi, entretanto. o quão é complicado realizar um rebalanceamento efetivo desses ativos. Os prazos para disponibilização dos recursos em sua conta eram muito grandes. Teve fundos com prazos superiores a dois meses! Em dois meses, quantas coisas pode acontecer em um país instável como o Brasil???

É possível que os fundamentos em que você se baseou para pedir o resgate não fossem mais válidos após dois meses. E aí toda movimentação perderia o sentido. Imagine você pedir o resgate de um fundo de ações em virtude de uma subida do mercado de renda variável e, quando o dinheiro ficasse disponível, o mercado tivesse caído significativamente? Impossível operar com agilidade.

É muito diferente quando movimento os ativos de minha carteira própria ativa, como ações e fundos imobiliários individuais, fundos de câmbio (dólar/ouro) ou em ativos de renda fixa, com resgates quase instantâneos, em torno de dois dias úteis.

Nova estratégia para a carteira de fundos de investimentos

Assim, estou expondo minha ideia de retirar, ao longo dos próximos meses, a maior parte do montante alocado em fundos de crédito privado e de ações dessa carteira de fundos e reposicioná-los nos fundos multimercados, nos fundos de fundos (ativos e imobiliários) e talvez, nos fundos de debêntures de infraestrutura, que são negociados na bolsa e possuem resgates em D+2.

O que desejo evitar nessas movimentações é a dificuldade de possuir, em determinado momento, a alocação que almejo entre cada ativo. E os fundos de crédito privado e de ações, como movimentam apenas uma classe de ativos, estavam destoando essa proposta.

A movimentação em direção aos fundos multimercados e aos fundos de fundos eliminam o problema, pois cada um deles possuem sua estrutura de rebalanceamento ativa internamente. Ou seja, eles já são “rebalanceados” por si próprios. Claro que precisamos confiar nos gestores de cada um deles, mas caso ela seja perdida, não entra nas considerações que estou fazendo nesse post. Nessa situação, os resgates seriam feitos por outros motivos.

O futuro da carteira “passiva”

Dessa forma, durante 2021, sem movimentos bruscos como sempre, vou começar a transferir os recursos dos fundos de investimentos de crédito privado e de ações para os demais. A ideia é que permaneçam apenas os fundos multimercados, os fundos de fundos (inclusive os imobiliários) e os fundos que investem em debêntures e papéis de infraestrutura.

Assim, começo a ficar despreocupado com os rebalanceamentos, e minha atuação somente ocorrerá quando um dos fundos começar a possuir uma participação muito acima dos demais e, dado à natureza das rentabilidades dos multimercados, isso pode demorar um pouco. No caso dos FoFs, aceitarei um valor maior uma vez que o risco está diluído em vários fundos de investimentos.

O objetivo é que essa carteira de fundos de investimentos “ativa” seja ainda mais “passiva” para mim, pois o tempo que eu passaria fazendo ajustes percentuais de alocação diminuirá. E, com menos ativos, o gerenciamento ficará ainda mais otimizado!

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Nélio Oliveira
8 horas atrás

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