A perspectiva do tempo e sua influência na independência financeira


Como sua perspectiva do tempo pode afetar a jornada para a independência financeira?

Faça um pequeno teste e veja se você precisa analisar algumas limitações para liberar obstáculos em seu caminho!


Quando falamos de independência financeira, uma variável é protagonista nos debates sobre o assunto: o tempo. Não só pela perspectiva mais óbvia de sua relação direta com a rentabilidade de nossa carteira de investimentos (ah, os juros compostos!), mas também pelo modo como o vivemos no dia a dia. Mais ou menos como a diferença entre os termos gregos kronos e kairós já comentados em outros carnavais.

Apesar de o tempo desempenhar um papel importante na vida de cada um de nós, a maioria das pessoas, infelizmente, ignora suas atitudes e efeitos decorrentes, seja no presente ou no futuro. Raramente alguém reflete como sua própria vivência individual em relação ao tempo pode influenciar sua família e o meio que o cerca.

Existe um teste interessante para saber como suas atitudes se apresentam em relação ao tempo. Seus resultados podem ser uma grande fonte de informação em como você relaciona passado, presente e futuro, e pode apontar soluções para equilibrar melhor suas perspectivas quanto a essas variáveis. E, como vimos no início, você estará à frente da maioria das pessoas se souber como vincula o tempo com sua independência financeira.

Como sua perspectiva do tempo pode afetar a jornada da independência financeira?

O estudo do The Time Paradox

O estudo original que apresenta esse teste provém do livro “The Time Paradox“, do psicólogo comportamental Dr. Philip Zimbardo com o Dr. John Boyd como colaborador e coautor. Ele analisa o relacionamento singular do tempo com nosso raciocínio e comportamento. Tive acesso a suas ideias por outro livro que pode ser de lido de graça para os assinantes do Amazon Prime (cuja assinatura é avaliada aqui) chamado “A mente acima do dinheiro“, de Brad e Ted Klontz.

No livro de Zimbardo, há um teste que você mesmo pode fazer rapidamente no link abaixo e checar onde você se situa em um quadro, construído pelo autor, com cinco orientações de tempo que aparecem com maior frequência na população:

  • Orientação futura;
  • Orientação hedonista presente;
  • Orientação fatalista presente;
  • Orientação positiva do passado;
  • Orientação negativa do passado.

Como em quaisquer pesquisas realizadas instantaneamente, é bem mais interessante analisar como cada uma das orientações são definidas e refletirmos sobre elas com relação ao modo que estamos vivendo do que se preocupar com os resultados que você atingiu.

Cada pessoa tem uma tem grande probabilidade de possuir alguns aspectos de todos os cinco tipos, em função de seus comportamentos e formas de ver o mundo. No meu caso, a pontuação mínima foi de 1,7 e a máxima de 3,69 (em uma escala de 5,0). Sempre é muito raro uma pessoa se encaixar com perfeição em um dos quadros e expressar exclusivamente os aspectos daquela categoria.

Mesmo assim, nossas atitudes em relação ao tempo nos dizem muito sobre como vivenciamos assuntos não resolvidos e que tipo de comportamentos temos maior tendência de apresentar.

Quer um tempinho para fazer o teste antes de continuar? É bem rápido. Clique aqui e vá direto para a página da pesquisa.

Os resultados da perspectiva do tempo e a relação com sua independência financeira

Ao final do teste, você terá uma pontuação de 1 a 5 para cada uma das orientações citadas anteriormente. Compare o que significa cada uma delas e veja se faz sentido para você.

1) Orientação futura

Uma pessoa orientada para o futuro toma decisões e organiza sua vida pesando os resultados possíveis de várias ações e analisando causas e consequências. É solidária com a “gratificação tardia”, e gosta de enfrentar e solucionar problemas com planejamento.

Lembra do teste do Marshmallow de Walter Mischel? Provavelmente as crianças que resistiram os 15 minutos tornaram-se pessoas com alta orientação para o futuro (e, não por acaso, tiveram um maior sucesso em suas vidas).

Entretanto, levado ao extremo, o excesso de valor ao futuro pode comprometer o desfrute do presente e do que realmente importa. Pode gerar ansiedade e um controle exagerado em relação às suas finanças, prejudicando seus relacionamentos pessoais e levando ao excesso de trabalho. Essa orientação excessiva ao futuro pode ainda ser uma tentativa subconsciente de evitar as lembranças e os sentimentos dolorosos do passado.

Esses indivíduos tendem a alcançar rapidamente sua independência financeira, mas não usufruem adequadamente da jornada que enfrentam, podendo gerar arrependimentos nos anos de desfrute.

2) Orientação hedonista presente

Alguém que pontuou mais na orientação hedonista presente reflete um quadro com foco em experiências sensoriais e gratificação imediata. Não surpreende, assim, que essas pessoas sejam cheias de vida e amem a diversão, principalmente os esportes radicais e o culto da “emoção-choque”. Em geral, são as pessoas mais divertidas da festa, com um toque de volatilidade temperamental.

Segundo o autor, apreciam experiências e atividades intensas com recompensas imediatas no presente, com probabilidade de ser vulnerável a vícios de todos os tipos.

Financeiramente, quem pontua fortemente nessa orientação, tende a ter problemas excessivos com o dinheiro, provavelmente por necessidade extremas de despesas, vergonha de suas limitações e compulsão por jogo. O uso do tempo somente para o presente lesa fortemente a conquista da independência financeira.

3) Orientação fatalista presente

Já os participantes do teste que se caracterizaram por uma pontuação maior na orientação fatalista presente, acreditam que possuem pouco controle sobre suas vidas, não fazendo sentido planejar o futuro. Essas pessoas costumam ter um desempenho ruim seja na escola quanto no trabalho, graças ao autocumprimento de suas profecias a respeito do próprio fracasso.

Não são protagonistas de sua vida: creem que os resultados não ocorrem pelo seu comportamento. Cantam sempre mentalmente aquela música “Vou deixar, a vida me levar…”, já que não podem controlar seu destino.

O psicólogo afirma que “uma das maiores causas desse quadro parece ser as experiências negativas na primeira infância, que resultam em um tipo de desamparo aprendido, a crença de que não vale a pena tentar“.

Isso gera uma situação de dependência financeira onde sua vida está nas mãos dos outros. Não precisa dizer que essa percepção do tempo nunca levará essa pessoa à independência financeira, concorda?

4) Orientação positiva do passado

Os indivíduos com a característica de orientação positiva do passado tendem a ser caseiros, centrados na família e nos amigos próximos; valorizam as raízes e a continuidade. Esse pensamento tateia extremos que podem ter consequências muito positivas, mas também muito negativas.

Na tomada de decisões, geralmente olham para o passado e reforçam mentalmente as coisas que deram certo. Esse é um pensamento clássico conservador do qual sou adepto: devemos manter o histórico de ideias e boas realizações de grandes mestres do passado: afinal, a evolução de nossa sociedade proveio do conhecimento acumulado.

Porém, é verdade que também há situações anteriores que não foram proveitosas, mas o excesso de orientação positiva ao passado tende a trazer aversão ao risco e baixa disposição a experimentação de novos métodos. O correto uso do tempo nessa orientação será primordial para a obtenção da independência financeira no futuro.

5) Orientação negativa do passado

Quando, o que foi vivido é algo traumático, o quadro de alguém orientado negativamente ao passado leva, segundo o Dr. Zimbardo, a “museus de trauma, fracasso e frustração, eternamente reciclando um passado impossível de ser alterado em detrimento dos bons tempos do presente”. Os assuntos financeiros não resolvidos fazem parte desse museu.

A pessoa não vê o presente de forma positiva, uma vez que as decepções do passado mutilam sua iniciativa de tornar a vida melhor, a despeito dos quadros e expectativas muito diferentes que se apresentam. A prioridade é tornar o presente um modelo do que deve ser evitado, e não como ele pode catapultar as pessoas ao sucesso. Ou seja, uma orientação do tempo danosa para nossos triunfos, sejam financeiros ou em diversos aspectos da vida.

Como interpretar esses resultados?

Independentemente de sua pontuação em cada categoria, é importante observar que, quando mantemos assuntos não resolvidos, o passado atravessa o tempo presente e invade o futuro. O autor coloca esse pensamento da seguinte forma:

“Pense da seguinte forma. Você tem apenas dois pés. Digamos que o esquerdo esteja sobre uma calçada plana, sem buracos. Se o seu pé direito estiver atolado em areia movediça, você não conseguirá firmar-se na calçada, e certamente não poderá caminhar por ela. De modo semelhante, para preencher sua vida presente e caminhar de maneira eficaz para o futuro que deseja, você precisa sair da areia movediça; identificar os assuntos não resolvidos do passado e tratá-los”.

Em suas conclusões, destaca-se que nem toda experiência danosa origina assuntos problemáticos: se as coisas fossem assim, nossa psique nada teria além de enormes fardos. A questão é, então, por que algumas experiências dolorosas ou inquietantes ficam registradas e outras não? E, mais importante, como encerrar os assuntos não resolvidos e se libertar de sua opressão?

Financeiramente, é importante conhecer nossas condições e limitações se desejarmos entender porque a jornada até a independência financeira torna-se tão penosa. A leitura dos livros abaixo podem ser uma grande ajuda nesse entendimento.

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Ou leia um pouco de minha história aqui ou então, ouça a entrevista que fiz para o podcast do blog SRIF365.

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AndréPoupador do Interior Recent comment authors
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Poupador do Interior
Visitante

Fiz o teste e o resultado foi muito preciso. Posso dizer com tranquilidade que acertou vários aspectos da minha personalidade.

André
Admin

Que joia, Poupador!

É uma boa ajuda para planejarmos formas de melhorar nossas fraquezas e potencializar as fortalezas na direção de nossos objetivos!

Obrigado pelo comentário!

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