Quantas ações ter na carteira de investimentos? Avalie 5 ideias!

No início, muitas pessoas procuram ajuda em como começar a investir em ações e montar uma carteira de investimentos pessoal.
 
A dúvida seguinte reside na quantidade ideal de papéis que podemos comprar para nosso portfólio: qual o melhor número de ações de forma que haja uma boa diversificação sem prejudicar o gerenciamento da carteira?
 
Veja aqui meus 5 pitacos sobre as vantagens e desvantagens na extensão da diversificação.

 
Existe um número ideal de ações para ter em sua carteira de investimentos? Quantas ações ela deveria possuir? Veja 5 ideias e avalie você mesmo!
 

Antes de começarmos, alerto que todos os comentários desse texto referem-se somente à parcela destinada a ações e renda variável no portfólio. Leitores antigos já sabem que sugiro montar sua carteira sobre 4 pilares: renda fixa, renda variável com ações, fundos imobiliários e câmbio. Para conhecer mais detalhes sobre o assunto, acesse “Alocação de Ativos: um guia para iniciar sua carteira de investimentos“.

Vamos analisar agora as variáveis que ajudam a definir o número ideal de ações em nossa carteira de investimentos pessoal.

 

1) O fundamental: gerenciamento de risco dentro do pilar de renda variável

 

A escolha de boas ações de empresas envolve estudos, informação, feeling e um bom gerenciamento de risco. Por melhor que sejamos competentes na seleção, nunca teremos 100% de sucesso, principalmente a curto e médio prazo.

O primeiro ponto que devemos analisar para chegar a um número ideal de ações em nossa parcela de renda variável da carteira de investimentos é possuindo uma noção clara de gerenciamento de risco entre esses ativos. Não podemos seguir em frente se não mantivermos nossa alocação com uma boa relação de risco/retorno.

Dessa tese simples, concluímos que diversificar é preciso. Nada de apostar apenas em uma ou suas empresas. Porém, quantas ações devem compor nossa carteira de investimentos?

Muitos estudos mais antigos dizem que o ideal é ter ao menos 15 ativos para dirimir riscos às escolhas nas ações. Papéis adicionais diminuiriam o risco marginalmente e não valeriam a pena, pois exigiriam muito controle. Outros, pregam que a volatilidade nos últimos anos aumentou muito, e seriam necessários mais ativos, talvez chegando a 30 ou mais.

O fato é que se procurarmos por aí, veremos gente falando de tudo. Não há número mágico. Eu, por experiência, recomendaria que um pilar robusto de renda variável, sem fundos de índices (ETFs), deveria ter ao menos 20 ações, equilibradas entre os montantes investidos. Compreendo quem pense que 15 sejam suficientes, assim como outros que preferem 30 ou mais papéis.

 

O mais importante é setorizar corretamente

 

O que todos podemos concordar é que é necessário, entre esses ativos, ter uma participação equilibrada de vários setores da bolsa brasileira, como energia (fósseis e renováveis), combustíveis, financeiro, saúde, saneamento, educação e outros.

Não teria muito sentido, por exemplo, ter 30 ações e, de todo seu portfólio, 80% estar concentrado em 3 empresas de energia elétrica e 20% em outros 27 papéis. Uma carteira de investimentos com 10 ações, equilibrando cada uma delas em diferentes setores do Ibovespa, oferecerá menos risco, mesmo com um número reduzido de empresas. Preocupe-se primeiro com esse equilíbrio do que com o número de ações em si.

Esse primeiro aspecto, o gerenciamento de risco, é o ponto de partida para responder à questão do número ideal de ações que precisamos ter em nosso portfólio. Ele deve ser sua orientação principal. Diversificar e rebalancear é o segredo para um crescimento perene de nossa carteira de investimentos.

Mas há outras questões que também devem ser consideradas.

 

2) O montante disponível para montar uma carteira de ações

 

A quantidade de dinheiro é determinante para decidir o número de ações que irá compor sua carteira. Isso tem muito menos a ver com o lote mínimo de ações, uma vez que você pode comprar tranquilamente através de lotes fracionários. Não é demérito nenhum, e, através dele, você pode usar menos capital. Diria que mais de 90% das ações do Ibovespa exigem um valor de investimento menor do que R$ 100,00 serem adquiridas.

O problema maior é com o custo de corretagem da corretora na qual você é cliente. A única corretora que mantém atualmente taxa zero para operações com ações individuais é a Clear. As demais possuem gratuidade em outros produtos, como ETFs ou contratos futuros, mas cobram alguma taxa para as ações.

Para auxiliar sua escolha, veja o texto “As corretoras de valores com a menor taxa de corretagem” e acesse uma tabela com os preços praticados em todos seus produtos, além de uma calculadora para estimar seus gastos mensais com taxas.

 

As corretagens podem diminuir muito seu lucro futuro

 

Na prática, vamos supor, por exemplo, que você tenha R$1000,00 para investir inicialmente. Se pensar apenas em gerenciamento de risco, precisaria dividir esse valor comprando 15 ações no mínimo. Isso geraria um valor de corretagem que pode ir de R$0,00 na Clear, passando por R$ 74,85 na Easynvest até absurdos R$ 283,50 na XP Investimentos, caso não haja negociação prévia.

Comprometer mais de 2% com taxas em seu investimento já é muito. Imagine 7,5% ou quase 30%?

Nessa situação, caso você não seja um cliente da Clear, você precisaria deixar um pouco de lado o gerenciamento de risco e ir montando sua carteira gradualmente. Ou então, pensar inicialmente em investir em um fundo de renda fixa com taxa zero ou em um ETF até acumular um valor maior para montar sua carteira de ações individuais posteriormente.

Se desejar conhecer mais sobre os ETFs e de como eles podem ser vantajosos em relação a uma carteira de ações individuais, veja o texto “ETFs x ações individuais, o que é melhor?“.

 

3) O controle do portfólio

 

Aqui temos uma clara desvantagem para quem opera ativamente com muitos papéis na carteira: o tempo disponível para seu gerenciamento é maior. É fundamental estar antenado com as constantes notícias, publicações de balanços e avaliar regularmente o preço dos ativos frente ao valor percebido, de forma a lançar suas ordens de compra e venda, se necessário.

Uma forma de atuar nesse processo é manter uma faixa de preços mínima e máxima para cada ativo (que pode ser alterada regularmente). Quando faço uma operação, defino com base em meu próprio entendimento, um preço futuro de venda parcial da posição e um preço para compras adicionais. Faço isso usando os alertas por e-mail da Socopa, que são muito bons e nunca me deixaram na mão.

Isso ajuda as pessoas que não pretendem estar com o home-broker sempre ativo, ou possuem um trabalho prioritário à atividade de investidor. É claro que há a necessidade de algum conhecimento de precificação de empresas, mas, principalmente, à fidelidade do processo de rebalanceamento de ativos, do qual sou adepto.

Quem opera com menos ativos, possui uma probabilidade maior de ser menos demandado a rebalancear seu portfólio e a atualizar seus controles contábeis, que serão necessários para o pagamento de impostos e ajustes na declaração anual de imposto de renda. E, claro, possui uma menor probabilidade de ser contemplado com altas individuais de algumas ações, assunto para o próximo tópico.

 

4) A rentabilidade do portfólio

 

Esse é outro ponto de discussão nos círculos dos investidores. Muitos argumentam que uma carteira bem diversificada (considerando as observações do primeiro tópico) com 15 ações tende a ir tão bem quanto um portfólio com 25 a 30 ações. A diferença seria marginal.

Eu tendo a concordar com essa ideia SE estivermos falando de um investidor passivo, ou seja, que não possua uma atividade constante de compra e venda de ações quando elas atingem um determinado preço.

Os alertas da Socopa pipocam em meu e-mail umas 20 vezes por mês, sendo que em metade das situações, minhas ordens acabam sendo acatadas. Ou seja, faço cerca de 10 operações no mês, o que considero uma atividade “ativa”, apesar de ser muito distante do modus operandi de um day-trader.

 

Mais ações na carteira de investimentos ativa: maior rentabilidade

 

Atribuo a rentabilidade que obtive até hoje no mercado financeiro devido a essa forma de operação. Na semana passada, comentei no texto sobre independência financeira passiva ou ativa que o período que obtive menor rentabilidade do patrimônio foi quando voltei à faculdade e deixei meus investimentos meio ao sabor do vento. Não funcionou bem.

Assim, possuir muitos ativos, pode ser um diferencial para agir em altas e quedas de preços, aliando essas variações ao rebalanceamento de ativos, visando trazê-los para sua alocação percentual inicial. Nesse perfil de operação, talvez 30 ativos sejam melhores que 15.

Mas para quem possui outra atividade e não vê como se beneficiar desse modo de operação, como minha filha, acredito que não seja necessária uma diversificação tão grande. Possivelmente, ter 15 ou 30 ativos bem diversificados setorialmente, mas não atuar ativamente no mercado financeiro, não fará muita diferença.

 

5) A vantagem em não pagar imposto de renda

 

Ter muitas ações pode também ser benéfico no pagamento mensal do DARF do imposto de renda. Apesar de existir um limite de R$20mil em vendas, abaixo do qual há isenção do imposto, muitas vezes precisamos aproveitar algumas oportunidades que farão com que esse valor seja ultrapassado. Uma operação como essa faria com que fôssemos obrigados a pagar 15% de imposto para o lucro obtido no mês.

Em uma carteira de ações numerosa, entretanto, não é raro que tenhamos simultaneamente, operações em aberto no lucro e no prejuízo. Podemos então, compensar o lucro na venda com o prejuízo em outras posições. Se a pessoa possui poucos ativos em sua carteira de investimentos, a possibilidade dela realizar tal mecanismo é mais remoto.

Nesse procedimento, não é necessário desfazer da ação vendida no prejuízo para a compensação: você pode operar a venda no final do último dia do mês e comprá-la novamente no início do pregão do dia útil seguinte. A diferença será mínima e possivelmente, compensará o não pagamento do imposto de renda. Quem sabe, com sorte, obter ainda algum preço médio mais baixo?

Isso pode soar preciosismo, mas em uma carteira visando o longo prazo, garanto que investir em seu próprio portfólio o lucro que iria para a Receita Federal, fará uma grande diferença no futuro.

 

Uma observação final em relação aos fundos imobiliários

 

Para finalizar, vale um comentário sobre os fundos imobiliários (FIIs), ativos de renda variável que funcionam de uma forma um pouco diferente nesse contexto.

Existem 3 tipos principais de FIIs: os de tijolos, de recebíveis e os fundos de fundos (FoFs). Esse último poderia ser a melhor aposta para uma boa diversificação, necessitando de poucos papéis para equilíbrio dos riscos. Adquirindo-os, entretanto, você pagará uma taxa de administração cumulativa (do FoF) e dos ativos que o compõem e ficará a mercê desse acúmulo de tarifas.

 
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Eu prefiro diversificar entre fundos de tijolos setorialmente, possuindo papéis de shoppings-centers, logística, escritórios e educação. Existem outras possibilidades também. Completo a carteira com cerca de 1/5 do percentual com fundos de recebíveis, uma alternativa para receber um pouco mais de rendimento nessa época de juros baixos (com maiores riscos, entretanto).

Em relação ao imposto de renda, a forma de apuração também é diferente das ações, e usar a estratégia acima pode não valer a pena. Uma porque sua volatilidade é bem menor do que os papéis de empresas, dificultando a existência de “oportunidades”. Os alertas para os fundos imobiliários são relativamente raros. Além disso, como é um ativo vinculado a juros de mercado ou imóveis, é um pouco difícil existir papéis no prejuízo a longo prazo para compensar o imposto.

Dessa forma, os 5 itens comentados acima são exclusivos para papéis de renda variável relacionados a ações de empresas. Os fundos imobiliários são uma categoria à parte.

 

Finalizando…

 

Enfim, essas são minhas justificativas do porquê eu ainda ter um número considerável de ações em meu portfólio, assim como nosso amigo da finansfera Uó. Ele já possui bem mais, agora está mais sossegado!

No final das contas, chegamos a uma resposta “padrão” para a pergunta “Qual a quantidade de ações ideal para uma carteira de investimentos?” e ela é… depende!

Depende de quanto será sua dedicação ao processo de investir no mercado. Vários textos aqui no blog mostram que não existe uma resposta certa para várias perguntas. Há reflexões sobre cada ponto e cada um deve avaliá-los em virtude de sua própria realidade.

Se o mercado financeiro é sua “profissão” e você possui tempo para dedicar a ele, vá com um número maior de ativos. Caso você tenha um trabalho prioritário fora da área, vá de menos. Usando uma estratégia de poucas operações, adicionar mais ações não fará muita diferença a longo prazo, se a distribuição setorial estiver boa.

O quanto você diversifica? Poucas ou muitas ações? Por que não dividir com os futuros leitores seus pensamentos?


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One thought to “Quantas ações ter na carteira de investimentos? Avalie 5 ideias!”

  1. Pessoal, segue o link de parte dos comentários no Disqus, que não migraram para o WordPress mas continuam em sua plataforma. Muitos, nem por lá estão mais…

    https://disqus.com/home/discussion/viagem-lenta/quantas_acoes_ter_na_carteira_de_investimentos_avalie_5_ideias/

    Se desejarem ler mais sobre o assunto, ou comentar com sua conta Disqus, ou ainda, se tiverem conhecimento desse bug de migração e quiser ajudar, é só enviar um email para mim.

    Obrigado!

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