Quais mudanças financeiras você pode fazer no próximo ano?


Dentre suas metas de virada de ano, a reflexão das mudanças financeiras necessárias à sua vida está presente?

Por que não investir na tranquilidade em relação ao dinheiro, arregaçar as mangas e checar o que é necessário mudar?


Bill Gates, segundo um documentário lançado recentemente pela Netflix, passa cerca de duas vezes por ano longe das pessoas e da civilização. Nesses períodos, que duravam em média uma semana, ele passava lendo e refletindo sobre as tendências mundiais de seus assuntos de interesse.

Ele não autoriza visitas nesse período, nem mesmo de familiares. Garante que a renovação da mente, seja no expurgo de ideias viciadas ou na absorção de melhores conceitos, é potencializada em momentos de solidão.

Bill Gates, seu sucesso financeiro e reflexões no documentário na Netflix

Como escrevi em um texto antigo sobre viajar sozinho, ocasiões de solitudes proporcionam silêncio e tranquilidade, promovendo a ligação com nossa fonte de criatividade e diminuindo a turbulência que existe na nossa mente. Bill Gates já sabia disso há tempos. Talvez isso o ajude a continuar sendo o homem mais rico do mundo apesar de manter seus investimentos bilionários na maior empresa de filantropia do planeta.

Ou talvez você não tenha seus bilhões, nem o luxo para ficar uma semana sem fazer nada. Talvez não tenha também uma cabana secreta em uma floresta. Mas, independente de tudo isso, você pode reconhecer que é necessário reavaliar regularmente hábitos e revisitar as ações que o levaram a chegar onde está agora. E, se não é o lugar que ainda deseja permanecer, procurar crenças e maneiras de fazer algo diferente.

Por que devemos mudar?

Podemos pensar esses momentos de contemplação sob amplas perspectivas, desde concepções mais metafísicas que nos fazem repensar o sentido da vida, bem como restruturar o significado de agradecimento por tudo que somos e possuímos, como vemos anualmente nos Estados Unidos em seu thanksgiving.

Porém, como o objetivo principal desse blog é auxiliar as pessoas a alcançarem sua independência financeira (e, com ela, ter tempo suficiente para escalar graus mais profundos de conhecimento), ficarei dentro dessa perspectiva nesse texto.

Há um conceito, que li em algum lugar no passado, que cita o termo “ilusão de fim de história“, cunhado pelo psicólogo Jordi Quoidbach em um artigo de 2013. Ele significa que as pessoas tendem a crer que já mudaram muito no passado, mas isso não ocorreria com frequência no futuro.

Ou seja, elas atribuem que, do passado até o momento presente, sofreram mudanças significativas em crenças e atitudes, mas acreditam que mudarão pouco no futuro, e já são as pessoas que serão pelo resto de suas vidas. O curioso é que a pesquisa encontrou isso para pessoas de diferentes faixas etárias, de jovens a idosos. O presente é o momento divisor da definição de sua personalidade.

Esse pensamento acaba se tornando um problema, uma vez que as deixam desinteressadas em fazer, nesse caso, as mudanças financeiras necessárias. Pior: ficam ainda mais resistentes a serem pessoas melhores, para elas mesmas e para os outros.

Como conservador clássico, acredito no valor da estabilidade: se chegamos até aqui, há muitas características em nós mesmos que devem ser mantidas. Devemos passar longe de jogar a água suja da banheira com o bebê junto: revoluções são para os fracassados e desesperados. De qualquer forma, o aperfeiçoamento é vital, independentemente de quão bem sucedido você seja. Espelhe-se em Bill Gates e acredite que a ideia serve a todos nós.

Se desejar conhecer mais sobre o conservadorismo clássico (que, convenhamos, nada tem a ver com as atitudes de nosso presidente), dê uma chance aos livros abaixo e coloque-os na sua cabeceira de leitura nessas férias. 🙂

Como ser um conservador
As ideias conservadoras
Russel Kirk

Bem, e quais as mudanças financeiras que devemos repensar?

Eu apostaria que a maioria dos leitores está familiarizada com todos os conceitos abaixo, mas lanço a provocação: apesar de a teoria ser elementar, quantos a praticam frequentemente? Quantos serão, de verdade, financeiramente independentes no futuro?

A mudança de hábitos ocorre essencialmente com as atitudes. Antes de pensar, aja. Conforme você perceber as transformações que estarão ocorrendo em sua vida, seu pensamento encorajará a manutenção das novas atividades. Veja se você está praticando todas elas:

1) Tenho um orçamento e um fluxo de caixa?

É comum, principalmente em um ambiente de euforia no crescimento econômico e aumento dos preços das ações, a eclosão de milhares de pessoas querendo entrar no mercado financeiro. São nesses momentos, onde a procura pelo dinheiro fácil é maior, que ocorrem um dos maiores erros dos aspirantes a investidores: começar a investir sem ter controle sobre seu orçamento e fluxo de caixa.

Saber o quanto você ganha, onde você gasta e qual seu lucro líquido mensal é primordial na definição dos ativos que irá comprar em seus bancos ou corretoras de valores.

Liquidez é um conceito que precisa ser muito bem entendido: se você investir em ações, por exemplo, e precisar o dinheiro no curto prazo, poderá ter grandes prejuízos. O controle regular das finanças através de um orçamento evita erros primários.

Existe um texto nesse blog que explica o beabá sobre o assunto e fornece um brinde para você: “Uma planilha de controle de gastos para seu orçamento e fluxo de caixa“.

2) Eliminei dívidas e criei uma reserva financeira antes de investir?

Um dos consensos mais usuais no mercado financeiro é que, em um mesmo país, o custo da dívida é maior que a receita de um investimento. Assim, não há sentido em investir sem antes quitar todas as dívidas. A ideia de ganhar mais do que os juros pagos é uma prática que, na maioria das vezes, não dará certo.

Quitadas as dívidas, é necessária a criação de uma reserva de emergência, também ANTES de começar a investir. Esse “colchão” servirá para gastos emergenciais como problemas críticos de saúde ou custos de um acidente de carro. O não planejamento pode gerar uma situação emergencial e tal montante é para ser usado somente nesses casos.

Qual o valor devemos mirar para emplacar essa mudança financeira na nossa vida? Foque no valor de seus gastos médios mensais (olha de novo a importância da planilha de orçamento e fluxo de caixa). Se você possui um emprego estável e orçamento controlado, possivelmente 3 meses são suficientes. No extremo oposto, talvez sejam necessários até 12 meses de despesas.

O tempo para as mudanças financeiras é agora. Saia da prisão do calendário!
O tempo para as mudanças financeiras é agora. Saia da prisão do calendário!

O ideal é deixar o mínimo valor possível, desde que você se sinta seguro com sua reserva, uma vez que o dinheiro alocado rende muito pouco, pois ele precisa possuir uma condição fundamental: liquidez imediata. Ele precisa estar disponível no máximo no dia seguinte, sem incorrer em perdas financeiras.

Para suprir essa condição, sua reserva de segurança deve estar investida em fundos DI de curto prazo ou em CDBs de liquidez diária de bancos e corretoras de valores, o que, geralmente, entrega uma rentabilidade bem baixa, principalmente na nova era de juros baixos.

Veja que o colchão financeiro não é um “investimento” real. Ele é apenas uma “reserva”: rende muito pouco e não estará disponível para suas estratégias de investimentos, como alocações e compras em momentos de baixa no mercado. Considere-o apenas como um seguro e resista a usá-lo de forma errada, ok?

3) Defini qual o meu perfil de investimento?

A definição de seu perfil financeiro é fundamental para sua estratégia no mercado de capitais. Entretanto, nesse contexto, minha definição para esse rótulo é diferente dos clássicos “conservador”, “moderado” e “agressivo”, que, no fundo, não dizem muita coisa.

O que desejo transmitir com o conceito de “perfil” passa por duas variáveis:

  • o quanto você vai dividir seu tempo com o mercado financeiro: vai estudar e aprender para praticar, independentemente, a gestão de seus investimentos?
  • o quanto você gosta do mercado financeiro, pois não é só uma questão de tempo. Para mergulhar no assunto e gerenciar seus próprios investimentos você precisa, ao menos, se dar bem com ele.

Com base nessas premissas, podemos definir sua estratégica básica de atuação no mercado. Eu pensaria em três perfis de investimentos:

3.1 – O resignado: “Não gosto do Sr. Mercado, mas aceito que preciso dele

Esse perfil precisa de uma assessoria financeira constante e não quer dor de cabeça: prioriza atividades completamente diferentes em seu tempo livre. O mais difícil aqui é estabelecer uma relação de confiança onde não hajam conflitos de interesses. Difícil, mas atualmente, possível de encontrar.

Possíveis investimentos: fundos geridos por terceiros (inclusive com rebalanceamentos automáticos com robôs de investimentos – veja meu acompanhamento de rendimentos)

3.2 – O equilibrado: “Até aceito conversar com ele, mas sem muito papo-cabeça

Aqui a pessoa quer uma certa liberdade para escolher seus ativos e investir ela própria seu dinheiro, porém, não quer estudar a fundo o mercado financeiro e balanços de empresas para mergulhas na bolsa de valores.

Pode estabelecer uma parceria mais profícua com corretoras de valores sem agentes autônomos ou com sugestões de casas de análises e será capaz de administrar sua carteira de investimentos de uma forma mais serena.

Possíveis investimentos: ETFs, crédito privado e fundos multimercados e ações sugeridas por agentes do mercado.

3.3 – O entusiasta: “Sou fã! Quero uma grande parceria com ele!

Nesse caso, a pessoa gosta do assunto e tem tempo disponível para estudar o mercado financeiro. Provavelmente será consumidora de cursos e estará presente em eventos online e acompanhará grandes nomes do mercado.

Com conhecimento, esse perfil pode estar apto a escolher praticamente todos os produtos financeiros disponíveis e terá, teoricamente, a habilidade de gerenciar sua própria carteira de investimentos ativamente.

Reforço que não há “certo” e “errado” nas escolhas acima. Tudo se resume a uma escolha de perfil. Uma pessoa sem interesse e sem tempo disponível se dará muito pior se escolher a opção “3” do que aquele que foi comedido e escolheu a opção “1”. Você precisa reavaliar sua condição e realizar essa mudança financeira?

Minha filha, por exemplo, escolheu o perfil intermediário: ela mesma faz as alocações, mas não fica estudando muitos os ativos que compra. Veja como foram os primeiros passos na montagem de sua carteira de investimentos.

4) Estou controlando meus investimentos corretamente?

Finalmente, dívidas zeradas, orçamento controlado e perfil de investimentos definido, vamos começar a investir!

É importante agora monitorar de perto seus ganhos e perdas frequentemente, para tomar as decisões corretas de alocação. No link anterior do texto sobre a carteira de investimentos de minha filha, há uma planilha disponível para download para controle de seus ativos.

Quando à estratégia, gosto e tenho tanta confiança na alocação de ativos que fiz um guia para quem deseja conhecer melhor o método. A diversificação e o rebalanceamento que ele propõe mantém seu portfólio robusto e resistente a longo prazo e permite uma maior probabilidade de você estar comprado nas altas dos papéis e vendido nas baixas. Vale conhecer!

5) Estou pensando em sucessão patrimonial?

Por fim, precisamos pensar nas pessoas que amamos quando passarmos para o lado de lá. É uma conversa difícil consigo mesmo, mas, como todos vamos enfrentar esse momento, não deve ser deixada de lado.

Pensar na própria morte pode parecer algo lúgubre, mas é um assunto que o blog Viver Sem Pressa tratou magistralmente no artigo “Por que pensar em morrer é tão importante?“. Vale a pena lê-lo!


As previdências privadas são os caminhos naturais para quem quer facilitar a transmissão da herança, uma vez que não exigem inventários judiciais, pagamento de custas e impostos: os beneficiários são definidos na apólice do próprio plano e, no caso de morte, a transferência do saldo é feita sem burocracia.

Há outras vantagens como abatimento na base de cálculo na declaração anual de IR e redução de impostos (PGBL até limite de 12% da renda anual) e isenção de come-cotas. O planejamento dos resgates deve ser feito com cuidado avaliando o prazo em que o dinheiro ficará investido.

Exatamente por isso, é interessante investir no produto não quando o seu tempo de partir esteja próximo, mas enquanto você ainda estiver bem e diligente para escolher as melhores opções, pois como qualquer investimento, é necessário pesquisar fundos com baixas taxas de administração, isenção de taxa de carregamento e acompanhar sua gestão.

Mudanças financeiras: caminho para a independência financeira

Bem, esses são as mudanças financeiras básicas a pensar quando nos propormos um tempo de desaceleração. E o final de ano é um tempo, digamos, propício a essas reflexões, mesmo que saibamos que o calendário pode ser uma armadilha ao nosso desenvolvimento pessoal.

Eles envolvem uma faxina de nossa situação financeira (dívidas), criação de uma reserva financeira e na sequência, o nascimento de um patrimônio bem gerido e sólido para ser desfrutado tanto por nós em vida como pelas pessoas que amamos e ficarão por aqui quando partirmos.

Direcionar bem sua vida financeira é um passo essencial para manter sua paz e liberdade em alto nível e disseminar felicidade e otimismo a todos em sua volta.

E você, já fez seu planejamento para os próximos anos? Em qual estágio você se encontra?

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AndréLeobino Recent comment authors
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Leobino
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Leobino

Artigo muito propício para esta época do ano! gostei mto da tipologia dos tipos de investidores.
Essa questao da divida é facil de entender e difícil de aplicar, ainda mais nesse momento de euforia dos mercados. No meu caso, tenho um financiamento imobiliario, que fiz lá tras e sou loco para liquidá-lo. Toda vez que recebo uma bolada vem aquela tentação: “abater” ou “investir tudo”?! Ainda que tenha plena ciencia de que os juros do financimaento sao superiores aos potenciais ganhos no mercado, o emocional sempre balança, ja que as parcelas sao “controlaveis”

André
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André

Pois é Leobino, são esses vieses que atrapalham chegar mais rapidamente à independência financeira.

Você estaria tomando a atitude correta se for um grande investidor e “tirar” do mercado juros maiores do que o financiamento. Mas sabemos que isso não vale para a maioria das pessoas.

Obrigado pelo comentário e bom final de semana!