Por que blogar? Um papo sobre desafios, monetização e independência financeira


Por que blogar pode ser bom, mesmo se você for financeiramente independente?

E por que não oferecer bons serviços aos leitores e, ao mesmo tempo, bater metas de desafio pessoal?


Recebi essa semana um e-mail de um leitor do blog questionando qual seria a motivação e se vale o esforço para mantê-lo ativo. Além disso, se seria necessário o empenho em divulgar empresas com as quais tenho parceria em afiliação, uma vez que não preciso do dinheiro da monetização.

Achei o ponto pertinente e resolvi responder de uma forma mais ampla nesse texto. Talvez outras pessoas possuam a mesma dúvida. Vou explicar o meu ponto de vista e o que me move atualmente a manter a atividade.

Por que blogar sem precisar sendo independente financeiramente?

Se fosse para resumir a questão, eu diria que, sendo financeiramente independente e não possuindo um emprego ativo, é natural que busquemos uma razão e fonte de motivação para a vida. É algo inerente do ser humano. Muitas vezes nos sentimos capazes de abraçar mais atividades e fazer mais do que já estamos fazendo. As opções são inúmeras, depende da história e ideal de cada um e tais impulsos podem ser alterados durante o decorrer da vida.

Em março de 2020 completo 10 anos de independência financeira. Em relação ao patrimônio, acredito que o sucesso foi completo. Mesmo sem nunca ter recebido qualquer salário nesse tempo, saí de uma TNRP de 10% em 2010 para 2,6% em 2020. Não tenho do que me queixar.

Motivacionalmente, excluindo as atividades inerentes de família, fiz uma nova faculdade, viajei bastante, me dediquei ao voluntariado, criei uma rotina de leitura que nunca pude ter quando empregado, cuidei melhor da saúde e… gerei um blog. Farei um post comemorativo desses 10 anos oportunamente onde entrarei mais em detalhes.

Vamos focar nesse post, o blog e sua monetização.

Por que ter um blog?

É possível escrever várias e várias linhas para responder essa pergunta. Sem ser repetitivo, procurarei condensar os motivos principais para uma pessoa iniciar um blog, uma vez que esse não é o assunto principal do texto. Dentre eles, encontram-se:

  • Auto-aperfeiçoamento e desenvolvimento pessoal: escrever faz bem à pessoa, desenvolve seu cérebro e previne o Alzheimer. O efeito consequente é que você acaba lendo e pesquisando mais, se deseja criar posts de qualidade. O blog impulsiona seus autores a aprimorarem seu conhecimento, disciplina e criatividade. Isso é bom, não?

  • Relacionamentos: para alguém financeiramente independente que não possui um emprego fixo, o círculo de convivência diminui naturalmente. O blog ajuda a manter um vínculo social mesmo que seja on-line. Seja em comentários, e-mails que recebo, ou em alusões sobre o blog em conversas com pessoas “reais”, o sentimento que você impacta o mundo de alguma forma mantém-se vivo.

  • O terceiro ponto é a motivação de realizar esse impacto: quando escrevemos algo que julgamos útil, necessário e que ajuda as pessoas, sentimo-nos participantes da espiral positiva da vida. Se as pessoas leem seus textos e retornam de forma positiva, alimentam-nos com a alegria de participar de suas conquistas.

  • E, por último, o assunto que irei enfatizar na sequência: o blog como fonte de desafio pessoal. E aqui também inclui o estímulo que vem do acompanhamento dos dados analíticos e da monetização. Não pelo dinheiro em si, mas como um resultado pela recompensa de seu trabalho.

A vida precisa de desafios pessoais

Muitas pessoas que buscam a independência financeira não sabem direito o que fazer quando ela chegar. Há muitas opções, como ficar viajando meses e anos pelo mundo (caso não possuírem algum compromisso familiar), fazendo algum trabalho que gosta apenas por prazer ou simplesmente não fazendo nada.

A última opção, em verdade, é insustentável. O ser humano precisa de propósito. Esse blog, desde 2012, deu uma parte de vazão a essa finalidade, sempre em paralelo com outras atividades. Em 2019, porém, uma dessas atividades foi interrompida: a entidade na qual eu era voluntariado fechou, e não encontrei algo viável que a pudesse substituir. Ou seja, tive um tempo maior a ser preenchido.

Desde o segundo semestre de 2019, direcionei esse tempo ao blog, culminando com a mudança de hospedagem e de CMS, para aprender (WordPress, gerenciamento de hospedagem, etc) e deixá-lo com um aspecto mais profissional. Em paralelo, assumi o desafio pessoal de torná-lo mais proveitoso aos visitantes.

A medida do desafio pessoal

Não adianta ter um desafio pessoal se os seus resultados não podem ser medidos, concordam? Afinal, “não se gerencia o que não se mede e não há sucesso no que não se gerencia“, já diria Deming no século passado.

O blog fornece a você muitas medidas dos resultados de seus esforços através da ferramenta Google Analytics. A quantidade de dados e métricas é impressionante: empolga muito quem sempre gostou de avaliar números e como as mudanças realizadas interferem nos resultados. Simulações de causas e consequências.

Desde a primeira faculdade gostei de simulações que avaliam efeitos de nossas decisões. Os poucos jogos que gostava eram simuladores como o Civilization (comecei com o 2) e Sim City. Mesmo na faculdade dos anos 90, minha segunda iniciação científica foi sobre controles de automação industrial, comparando um sistema de lógica fuzzy com o PID.

Outra vivência com números ocorreu durante meu emprego de mais de 12 anos na cervejaria: a equipe era sempre cobrada a atingir as metas da empresa. Era responsável por diversos indicadores na fábrica, sempre comparados com outras unidades fabris. A competição acabou fazendo parte do dia a dia. Assim, esse sentido de desafio pessoal, simulações e resultados sempre fez parte de minha vida. É uma área que tateio com prazer e que senti um pouco de falta após a independência financeira.

Embora o propósito seja nobre, é difícil medir sucesso em ajudar pessoas individualmente, seja em família ou entre amigos. No trabalho voluntariado, a medida existe, mas a avaliação é mais qualitativa. Não há metas e números que mostrem, notoriamente, seus resultados. O blog e sua monetização preenche esse espaço que ficou meio órfão na minha vida.

Sabendo ainda que minhas metas serão atingidas se eu puder ajudar mais pessoas, é um estímulo maior a continuar nesse processo. É como uma empresa em um capitalismo de livre mercado: seus objetivos só serão atingidos se ela trouxer valor ao seu público. Atualmente, até que outra motivação mais instigante, ou alguma necessidade maior aparecer na minha vida (e isso sempre pode acontecer), é com o blog que consigo (matematicamente) aferir algum benefício a terceiros.

Sobre monetização: por que algumas pessoas torcem o nariz?

A monetização nesse blog foi criada simplesmente para incrementar esse desafio pessoal. Nunca foi por dinheiro. Aliás, se as pessoas soubessem a mixaria que recebo com ela, aceitariam essa tese tranquilamente. E não buscar fontes de receitas alternativas é uma consequência direta de oferecer algo que seja realmente viável para os leitores.

Hoje tenho apenas duas empresas afiliadas no blog: a Remessa Online e a Amazon (estou em processo de desativação do Adsense). A primeira, realmente oferece valores mais baixos de transferência de dinheiro ao exterior (simulo sempre em abas anônimas e posto regularmente os resultados frente a concorrência). A segunda é a maior vendedora de livros no Brasil, e livros… os leitores sabem como dou importância a eles na formação pessoal de cada pessoa.

Outros serviços que sugiro, como o Amazon Prime e o Kindle Unlimited, são duas coisas que já testei e aprovei sua qualidade. Ou seja, fornecem real valor aos leitores. Em outros momentos, comparo corretoras de valores, avalio contas digitais, robôs de investimentos e fundos de terceiros, sem qualquer afiliação ou intenção de lucro. A finalidade é sempre, com ou sem monetização, oferecer algo de valor aos leitores. Ponto.

Existem programas de afiliados que dão uma boa grana, como, por exemplo, zilhões de cursos da área financeira disponíveis para afiliação, mas como vou recomendar algo que não testei? Como sou um consumidor “frugal”, infelizmente não tenho essa sanha de consumo para depois oferecer (ou não) algo para os leitores. Eventualmente, posso sugerir uma coisa e outra (estou fazendo um curso bem legal de marketing digital), mas isso ocorrerá apenas após um teste aprovado.

Como monetizar de uma forma menos “envergonhada”

Sempre fui péssimo vendedor. Seja de produtos e também de mim mesmo. Sou consciente de que continuo sendo, apesar de algum progresso. Sem entrar no mérito da importância do assunto, pensei várias vezes antes de levar mais a sério a tentativa de monetização do blog. A resistência pessoal era grande.

Um primeiro ponto é a falta de anonimato. Na ânsia de escrever sobre nossos conhecimentos e experiências, muitas vezes nos perguntamos se estamos compartilhando informações que não deveríamos. Se você é um blogueiro anônimo, menos mal. Se todo o seu círculo de amizades te conhece e sabe que o blog é seu, pode embaraçar. A exposição pública pode trazer-lhe algumas complicações.

Estar no segundo grupo, como esse blogueiro que vos fala, pode fazer com que sintamos um pouco retraídos em expor tudo que gostaríamos. Erguemos paredes e compartilhamos apenas uma versão filtrada do que podemos escrever. Imagina comentar sobre as bobagens financeiras que um parente faz e o texto ser lido justamente por… ele? Mas, vamos concordar, essa situação também traz uma segurança maior para todos os leitores no sentido da veracidade das informações, uma vez que temos um nome a zelar.

Nesse contexto, entra a dúvida existencial de fazer algum marketing no blog ou não. Justamente pelo respeito que tenho a todos que conheço, o medo é tremendo: eu preciso garantir que as sugestões são realmente boas. Não sujaria amizades e relacionamentos por nenhuma remuneração, até porque muitos leitores, que me conhecem na vida real, sabem que não preciso dela.

Essa argumentação pode ser decisiva para oferecer aos demais leitores o que realmente é bom, sem sentir-se retraído por tentar “vender ” algo. E, de quebra, para alguém acostumado com estatísticas e indicadores de metas, funciona também como um já comentado desafio pessoal.

O marketing, em si, não é vergonhoso

Apesar de já ter estudado sobre marketing no passado, o curso que estou fazendo tem me deixado mais à vontade com ele.

Fazemos marketing o tempo todo para nossos amigos. Podem reparar: em todas as conversas, sempre haverá alguém que perguntará se conhecemos aquele restaurante, se gostamos de comprar naquela loja ou se não nos arrependemos de adquirir nosso novo celular.

E, mesmo que ninguém pergunte, acabamos comentando sobre. Sem que, com isso, possamos parecer agressivos, falsos ou sorrateiros. Por que com o marketing pela internet, através dos blogs, podemos parecer assim?

Se ofereço algo que testei e que realmente traz valor aos leitores, eu deveria sentir vergonha sobre isso? Estou cada vez mais consolidando a opinião que não. Principalmente quando essa é a motivação principal. Os trocados que provêm disso são apenas uma consequência. Não são a motivação por trás de qualquer promoção.

Ver os resultados e indicadores posteriores, esses sim motivam bem mais. De novo, conquista pessoal. Saber que fui eficiente em promover algo e contribuir com coisas boas para outras pessoas.

Concluindo…

Espero que tenha respondido adequadamente ao leitor que questionou a ideia de blogar, principalmente com alguma monetização, mesmo já surfando a independência financeira há 10 anos. Não é uma questão de dinheiro: é simplesmente desafio pessoal, em um momento que me falta uma instigação maior para fazer algo acima de minhas capacidades.

Espero também que tenha deixado claro para todos os leitores que, qualquer coisa que é oferecida nesse blog, é algo que atribuo valor. No momento que a Remessa Online, por exemplo, deixar de ser uma opção atraente, interrompo a parceria. O (pouco) dinheiro que entra não me faz falta alguma.

Apesar de eu sentir-me bem escrevendo e trazendo informações nas quais vejo qualidade, entretanto, é possível que minhas prioridades mudem no futuro. Ficar um tempo longe do blog ou diminuir as postagens? Por que não? A independência financeira nos permite o dom da escolha. Mas o fato é que essa atividade atualmente está em um bom momento e estou me sentindo muito motivado a continuar. Me faz aprender mais. Me faz bem. Me faz feliz.

Obrigado, leitores, mais uma vez pela leitura! Sintam-se à vontade para comentar seus pensamentos nos comentários abaixo.

Explore mais o blog pelo menu no topo superior!…
Ou leia um pouco de minha história aqui ou então, ouça a entrevista que fiz para o podcast do blog SRIF365.

E, se gostou do texto, por que não ajudar a divulgá-lo em suas redes sociais através dos botões de compartilhamento?

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Luiz Carlos
5 meses atrás

Ótimo texto e com dicas preciosas.

Bilionário do Zero
5 meses atrás

Saudações! Interessante essa questão, eu sou um blogueiro de carteirinha, tenho diversos blogs, que ao longo da minha vida fui desenvolvendo, alguns sozinho, outros com amigos, por exemplo, toda vez que aprendia algo novo e interessante na faculdade, logo fazia um artigo ou tutorial e publicava em um blog. Eu acredito fortemente que compartilhar conhecimento é algo muito positivo. O conhecimento é uma das poucas coisas que se multiplica ao se dividir. E a Internet proporciona possibilidades para quem tem interesse em aprender e não tem condições de pagar, se souber pesquisar pode aprender quase tudo de graça, as vezes… Leia mais »

Simplicidade e Harmonia
Simplicidade e Harmonia
5 meses atrás

André, Boas reflexões. O conhecimento é reforçado quando o compartilhamos com outras pessoas através da escrita. Além disso, aprendemos muito nos comentários e em outros blogs que acabamos conhecendo durante a jornada da vida. Em relação à monetização, não vejo como algo negativo, muito pelo contrário, pois pode acabar motivando ainda mais os donos de blogs. Um bom final de semana! Obs: continuo com problemas com comentários no WP, que não estão aparecendo em muitos sites dessa plataforma quando me identifico com o e-mail. Será que o WP limita uma certa quantidade interação em blogs identificando os comentários como s… Leia mais »

Simplicidade e Harmonia
Simplicidade e Harmonia
Reply to  André
5 meses atrás

André,

Em alguns blogs meus comentários são entendidos como spam, nem chegam a aparecer, embora form registrados pois aparece o número do comentário na barra de endereço. Boa ideia: vou tentar o suporte do WP.

Abraços!

Lucinalva
5 meses atrás

Olá André
Parabéns pelo seu blog, tem um conteúdo excelente. Gosto muito de blogar, escrever faz bem, como você colocou aqui. Aprendo sempre com as pessoas. Um forte abraço.

Stifler Pobre
5 meses atrás

Mesmo eu tendo ad-sense no meu blog, eu visito não só o seu como o de vários blogueiros e não vejo nenhuma propaganda rsrss eu usava o ad-block e agora já bloqueio anúncios diretos no roteador, mas em compensação eu ajudo quando possível, por exemplo eu já usei o seu cupom “viagemlenta” na BeeCambio ! rsrsrs

Diário
5 meses atrás

Poxa, show de bola. Eu também vinha me perguntando por que os anúncios de parceria, e também toda dedicação. Como você falou, realmente você está num bom momento do blog, pois sempre tem postagens novas com bons conteúdos.

De qualquer forma, parabéns. Continue assim. Forte abraço e fica com Deus

Dinheiro Investimento e Lazer
5 meses atrás

Acredito que não existe problema nenhum em fazer vendas e indicar produtos bons. Afinal, a gente gasta tempo escrevendo artigos e os nossos blogs são pagos (todos os anos temos de pagar domínios e hospedagem). Eu também indico livros bons e um curso de Marketing Digital que fiz achei muito bom, acho que não há problema nenhum em vender cursos e livros bons que ajudem as pessoas. Todas as empresas do mundo (mesmo aquelas que a gente investe na bolsa) fazem marketing (até digital) e são especialistas em vendas, por isso tem a suas receitas tão grandes. Abraço e sucesso,… Leia mais »

Cowboy Investidor
5 meses atrás

Olá, André.

Concordo contigo. Depois que comecei a escrever eu adquiri muito conhecimento. Às vezes eu fico um tempo sem escrever por falta de motivação, mas tem hora que ela chega e a quantidade de postagem aumenta.

Eu também estou afiliado a Amazon, mas só indico e indicarei livros que li e gostei.

Abraços!

Investidor Inglês
5 meses atrás

Fala André! 10 anos já? que massa! Parabéns cara!

Eu também estou nessa pelo desafio. E diferentemente de você, quero ver se consigo fazer grana. rs A fonte está seca e preciso de uma nova rsrs

Além é claro, que escrever é uma baita ferramente de aprendizado. Quem fez a frase abaixo não a fez a toa;

Todo homem deve plantar uma arvore, escrever um livro e ter um filho…*autor desconhecido

E o blog se encaixa muito bem em “escrever um livro”. Já pensou nisso? Seria um baita desafio? Poderia ser uma bibliografia sua.

Abração!

Renata
Renata
5 meses atrás

Legal, mas o que é TPRN?

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