Como usar sabiamente o tempo? Com a mala ou com a estrada?

Vanessa soube a duras penas que estava usando de forma errada o seu tempo.

Estava priorizando a mala e esquecendo a estrada, além de todas as coisas importantes à sua margem.

Não espere muito para descobrir essa verdade.


Faz tempo que não leio romances modernos. Consumo mais livros de não-ficção, e, nos últimos anos, deixei a escolha dos romances recaírem sobre os clássicos. Crime e Castigo, Vinte Mil Léguas Submarinas, Orgulho e Preconceito e Os Sertões estão entre as últimas leituras.

Confesso que parte dessas escolhas veio, além do interesse pelas grandes obras, pela profusão excessiva e qualidade duvidosa dos inúmeros novos livros que inundam o mercado. Nos meus testes de Kindle Unlimited, iniciei vários livros, mas na maioria, não conseguia passar do primeiro capítulo. Há uma fartura quantitativa de novos títulos, porém muitos com virtudes duvidosas.

Como usar melhor seu tempo? Com a mala ou com a estrada?

Foi assim, incrédulo, que cheguei a dar uma espiada em um livro chamado “Aquilo que realmente importa“. Ele apareceu na lista de buscas da Amazon quando eu escrevia nesse blog sobre minimalismo, após assistir a série homônima na Netflix. Apesar do tempo relativamente curto, tenho dividido sua leitura com outros livros de cabeceira, uma vez que me surpreendi com seu texto leve, simples e agradável, sob um tema que aprecio muito: como você está usando seu tempo?

O livro, de C. Nan Bianchi, conta a história de Vanessa Zandrine, que troca todo seu tempo pelo trabalho, em meio às suas definições e expectativas de sucesso pessoal. Vive em sua própria corrida de ratos, vendendo sua vida para receber mais salário, encher seu armário de tranqueiras e, assim, dependendo cada vez mais de dinheiro.

O quão pesada está sua mala?

Até que seu avô, há meses no hospital, morre sem esperar sua visita, adiada por meses pela sua “falta” de tempo. Uma vez que ambos possuíam uma forte ligação, sua morte traz momentos de reflexões profundas na vida da executiva, o que a faz refletir sobre o significado do título do livro: o que realmente importa?

O momento decisivo para Vanessa perceber que o caminho que seguia traria muitas decepções, foi a leitura de uma carta que seu avô deixou. Gostei muito de um trecho em particular:

Eu sempre gostei de pensar que quando a gente vem à vida recebe uma estrada desconhecida à frente e uma mala de viagem. E, exatamente por isso, é muito fácil acreditar que o objetivo de estarmos aqui é encher a mala ao máximo, como se isso fosse a prova irrefutável de que a viagem foi um sucesso.

Assim passamos a jornada nos preocupando em acumular posses e, percebemos aflitos que a mala nunca fica cheia o bastante. Então continuamos insistindo e a enchendo mais e mais e não notamos que com isso ela vai se tornando cada vez mais pesada e difícil de carregar. Quando nos damos conta, estamos a arrastando pelo caminho e perguntando por qual razão estamos tão cansados.

A verdade é que há um truque nessa mala, querida: no final da estrada, descobrimos que ela não segue viagem conosco. A gente pode tentar preenchê-la com o que quiser, mas quando acaba a temporada aqui, tudo o que podemos levar é o resultado de nossas ações. A gente só leva da viagem a consciência da viagem que se fez.

Todo o resto fica.

A mala não é o objetivo, Vanessa, a estrada o é. Você pode aproveitar o caminho, ou se arrastar por ele. É uma questão de escolha.

Prioridades definem seu tempo

“É uma questão de escolha”, finalizava o avô de Vanessa na carta. Não sei se ele era estudado em filosofia oriental, mas Lao Tzu disse uma certa vez a mesma coisa:

“O tempo é uma coisa criada. Dizer ‘eu não tenho tempo’ é como dizer ‘eu não quero’. ” – Lao Tzu

Vanessa tinha seus objetivos na vida. Tudo que ela fazia, dedicando-se integralmente ao seu emprego, visava uma troca futura. Ela queria galgar sua carreira e essa era sua escolha no momento. Quando dizia que não tinha tempo para nada, priorizava o que era mais importante para ela. Na verdade, não é uma questão de tempo, mas de escolhas.

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Como usar o tempo? O que seria mais prioritário: encher a mala com coisas que se vão ou vivendo experiências que nos gratificam? Você está zelando pelo seu tempo kronos para desfrutar mais o tempo kairós? Ou deixando a vida levar você para qualquer lugar?

Vanessa repensou, após uma dura reflexão com aquela carta em suas mãos, quais seriam suas reais prioridades. Encher a mala com tranqueiras ou aproveitar mais a estrada que está à sua frente e todos os prazeres de suas margens?

Você, leitor(a), já pensou sobre isso? Será que há algo que deveria estar fazendo mais ou diferente? Por que não fazer agora? Lembre sempre daquele poema: o tempo é curto e a música acaba.

O tempo é nosso maior ativo. Ele possibilita escolhas!

Falo bastante sobre ativos aqui no blog, e em como montar uma boa carteira de investimentos com eles. Porém, eles nunca serão um fim em si mesmo. São, na verdade, meios para se adquirir o maior de nossos ativos: o tempo.

A princípio, o tempo parece um ativo inconveniente. Afinal, não rende juros, muito menos compostos. Pior: mesmo que aceitemos que ele não renda juros, nem mesmo o principal podemos usar no futuro, uma vez que é impossível acumulá-lo. Uma vez que existe, já se foi… É como uma constante depreciação, ano a ano, mês a mês. Nem mesmo podemos o considerar para um empréstimo, uma vez que nem o mais agradecido destinatário pode pagar.

É ao menos, democrático: todos temos o mesmo, com algumas exceções, quando nascemos. O quão longe ele durará e como será aproveitado vem de nossas próprias decisões. É o ativo onde temos total protagonismo na vida. E, para o bem ou para o mal, todas as consequências de nossas atitudes estarão sob nossa total responsabilidade.

Apenas dando valor ao tempo, podemos escolher sabiamente. Quem vive no automático, não pensa, não reflete, não está à frente de sua vida. E pode continuar acumulando coisas na mala sem saber mesmo o porquê.

Vanessa aprendeu isso com dores que, talvez, ela vá levar para o resto de sua vida. Se você ainda tem o tempo necessário para não passar pela mesma situação, não deixe as coisas mais importantes para depois. A mala, não segue viagem. A consciência da viagem, sim!

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6 thoughts to “Como usar sabiamente o tempo? Com a mala ou com a estrada?”

    1. Grande Stark, obrigado novamente pelo comentário!

      Estou aproveitando a viagem para adiantar o livro também. Leitura leve, tranquila, que cabe muito bem em uma viagem de relaxamento.

      Grande abraço!

  1. Oi André, tudo bem?

    Bem que você falou que o post teria tudo a ver com o meu último post. Adorei. Vou acrescentar na lista dos livros para ler, acho que vou gostar, apesar de como você, estar lendo mais livros de não-ficção nos últimos anos. Acho que eu aprendi nessa pergunta que Vanessa fez “o que realmente importa” quando meu primeiro casamento acabou, em 2008. Foi quando houve uma mudança radical nas minhas prioridades. Meu marido atual sempre fala que eu falo muito sobre morte, e ontem mesmo ele disse isso novamente. Só que eu respondi que eu penso na morte, não pensando em morrer, e sim, para me lembrar a todo momento que a vida é finita, e que eu preciso viver de uma forma completa, feliz, sem arrependimentos. O tempo passa rápido demais e preciso aproveitar a jornada que é a estrada da melhor forma possível. E quando digo melhor forma possível, nem é sobre comprar coisas, viajar para lugares caros, e sim estar presente enquanto estou com as minhas filhas e com meu marido, registrar mentalmente todas as brincadeiras que fazemos, os sorrisos, o abraço, a sensação de ter as mãos pequenininhas em volta do meu pescoço. Pra mim, isso é aproveitar o tempo. Obrigada pelo post, me fez refletir novamente sobre a importância de definir prioridades na nossa vida. Um grande beijo. Yuka.

    viversempressa.com

    1. Olá Yuka!

      De fato, estar consciente da finitude da vida é uma grande força motriz para priorizarmos o que é realmente importante. Acredito que sua forma de lidar ativamente com algo que todos vamos enfrentar um dia está corretíssimo.

      Pensando dessa forma, a tendência será sempre nos transformamos em pessoas melhores, principalmente a quem amamos.

      Beijos e obrigado pelo comentário. Desculpe-me o atraso, pois estou em uma pequena viagem!

  2. Que post, André!

    Considero tempo e saúde nossos ativos mais preciosos. Porém, são os mais desperdiçados.

    “A mala não é o objetivo, Vanessa, a estrada o é. Você pode aproveitar o caminho, ou se arrastar por ele. É uma questão de escolha.”
    No mundo de ilusões e distrações no qual vivemos, a mala parece ter se tornado o objetivo maior. Enquanto isso, o que realmente importa quase sempre é descoberto quando já é tarde demais, como no caso da morte do avô da protagonista citada no post.

    “Na verdade, não é uma questão de tempo, mas de escolhas.”
    Priorizar o que importa: uma escolha sábia, mas muito prejudicada pelos excessos da vida atual.

    Agora que estamos chegando no final do ano, mais uma vez esse momento tão apropriado para esse tipo de reflexão se aproxima. E muitas vezes o que poderia ser modificado é novamente engolido pelo mar das distrações, ilusões e excessos do novo ano – para a maioria das pessoas. Então me pergunto: até quando?

    Abraços,

    1. Obrigado, Rosana!

      É verdade! Afinal, o que seria do tempo se não tivermos saúde para desfrutá-lo, né?

      A mala é visível. Ela pode ser mostrada e usada como um pseudo-troféu para provar sucesso. É lamentável que muitas pessoas nunca perceberão na vida que ela não deveria ser o foco. E continuam a fazer as escolhas erradas…

      Estou ainda no começo do livro, lá pelos 20%, e ontem li justamente a passagem onde Vanessa passa o final de ano na casa dos pais e reflete que o final de ano é uma época muito mais voltada a “dar” do que “receber”. Ela percebeu o que é importante. Torcemos para que mais e mais pessoas percebam também.

      Abraço e bom final de semana!

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