O ranking do coeficiente de Gini na distribuição de renda e pobreza


O coeficiente (ou índice) de Gini de um país não avalia a condição de pobreza da população: ele é apenas um marcador da distribuição de renda.
Analisando alguns países no ranking do índice de Gini, é possível demonstrar o que o pensamento racional já sabe: a distribuição ou a desigualdade de renda não está associada com a pobreza.
Torna-se claro, assim, que o discurso em melhorar a desigualdade de renda não traz efeitos a quem, de fato, necessita.


Os anos PT foram desastrosos para o país. Mesmo agora, em 2020, ainda sofremos as consequências de uma administração incompetente e corrupta, seja na economia, na educação ou nas conquistas sociais. E, pelo jeito que o mundo anda, voltaremos atrás mais algumas casas…

É verdade que nosso presidente atual não ajuda muito. Mas é impressionante que o antigo governo de esquerda ainda encontre defensores. Um dos pontos mais propagados por essas vozes foram as “conquistas sociais” nos anos de seu governo. Embora seja possível defender um ou outro ponto nesse campo, suas estratégias de atacar outras alternativas ao defender de forma racional certos conceitos, são constantemente usadas.

Coeficiente ou índice de Gini não mede pobreza, e sim desigualdade
Coeficiente de Gini e distribuição de renda: insuficientes para explicar a pobreza

No desespero de encontrar boas notícias em dados objetivos que meçam a eficiência e a eficácia da administração passada, um entusiasta progressista me apresentou, em um debate dentro de uma comunidade virtual*, um link onde o Brasil estava melhorando no ranking do coeficiente de Gini (apesar de estarmos discutindo crescimento econômico…) e assim, o país estaria mais justo, com uma melhor distribuição de riqueza.

Apesar de usar argumentos lógicos, foi impossível discutir com a pessoa, cega quanto à racionalidade dos fatos e apaixonada por um espectro político.

O IDH (índice de desenvolvimento humano) é outro coeficiente relacionado a uma expectativa de melhoria social entre as pessoas. Composto pela renda per capita (que justamente não considera sua distribuição entre a população), anos de frequência escolar (que ignora analfabetismo funcional) e expectativa de vida (que não pode ser tomada como qualidade de vida da população), ele é imperfeito, assim como o índice de Gini, para definir algum avanço social. Poderei escrever sobre o IDH em outro texto posteriormente.

O aspecto imoral da distribuição de renda

O conceito de distribuição de riqueza no progresso de um país é frequentemente associado a uma melhor condição social. Nesse texto, o coeficiente de Gini mostrará que essa associação não existe. É possível a existência de sociedades ricas com índices Gini “altos” (quanto maior, maior a desigualdade de renda) e sociedades pobres com baixos índices de Gini.

O debate sobre desigualdade de renda e pobreza pode ir muito além de meras análises estatísticas. Uma vez que governos socialistas pregam uma transferência cada vez maior da riqueza dos mais abastados para os mais pobres, o assunto pode ser conduzido ao debate moral, como mostra um pequeno trecho de um artigo já escrito nesse blog:

(…) a imposição de uma igualdade de renda demanda a supressão da desigualdade das pessoas. Mas as pessoas são naturalmente desiguais, possuem metas desiguais, possuem motivações desiguais. (…) O que precisa estar garantido, é a igualdade de direitos entre todos os seres humanos, que deve estar acima de tudo e independe de quaisquer classificações como cor de pele, preferências sexuais e afins. A real demanda é garantir as condições necessárias, como oportunidades de educação básica de qualidade a todos, de forma que suas próprias motivações internas, viabilizadas por suas capacidades intrínsecas, construam seu futuro (…)

Para ler o artigo todo, acesse “Como ajudar genuinamente os pobres e necessitados“.

Nessas ocasiões eu foquei o aspecto moral da redistribuição de renda. Mas o debate posterior, com o iluminado progressista sobre o ranking do coeficiente de Gini, lembrou-me que uma segunda forma de análise, mais pragmática, gera mais uma prova cabal de que uma melhora nesse indicador não leva necessariamente a uma sociedade mais justa.

O coeficiente de Gini e sua (não) relação com a justiça social

O indicador de Gini é calculado através de uma razão de áreas do gráfico de Lorenzo, definindo uma expressão geométrica para demonstrar como a renda na população relaciona-se com o seu número em termos percentuais.

Coeficiente, índice de Gini e a curva de Lorenzo
Curva de Lorenzo

Assim, no eixo das abscissas, são dispostos os percentuais acumulados da população em ordem de renda crescente. Já no eixo das ordenadas, são colocadas as rendas, também em percentuais acumulados. A reta traçada a 45º mostra a situação de “igualdade perfeita”, ou seja, os mesmos percentuais de pessoas possuiriam os mesmos percentuais de renda.

A curva real está a uma certa distância dessa situação, e a aproximação de ambas mostra o quão de igualdade de renda existe no território considerado.

coeficiente de Gini mede essa distância e varia de 0 a 1, sendo o “0” a situação de igualdade perfeita e “1” a total desigualdade de renda. O índice de Gini é o coeficiente expresso em pontos percentuais do coeficiente (multiplicado por 100).

Existem várias tabelas desse ranking na Internet, mas na Wikipédia os dados parecem um pouco mais atuais. Tendo em mente que quanto menor o valor, melhor é a distribuição de renda, vejamos alguns dados interessantes:

PaísÍndice de Gini
Chile44,4
EUA41,4
Israel39,0
Itália35,9
Luxemburgo34,9
Austrália34,4
Reino Unido34,8
Canadá33,8
Japão32,9
Suíça32,7
Alemanha31,9
França31,6
Iraque29,5
Timor Leste28,7
Argélia27,6
Casaquistão27,5

Percebam que nesse ranking selecionado, os países que possuem maior coeficiente de Gini (e maior desigualdade de renda) são países bem mais ricos, onde as pessoas mais pobres vivem muito melhor. O Chile, por exemplo, em conjunto com o Uruguai, com o menor índice de pobreza na América Latina. Os demais países dispensam apresentação: na tabela acima estão ao menos 5 dos 10 países mais ricos do mundo.

Já com um índice de Gini menor, que mostra uma desigualdade de renda menos acentuada do que os países citados, estão algumas das mais pobres nações mundiais. Como isso seria possível?

É verdade que os dados foram selecionados, assim como também é notório que outros exemplos poderiam ser expostos mostrando uma situação inversa. Mas entenda o leitor que, o que espero demonstrar é que, qualquer índice estatístico, se aplicado na tabela completa, não mostrará relação entre uma melhor igualdade de renda, medida pelo coeficiente de Gini, com uma melhor condição de vida, mesmo das pessoas mais carentes. É impossível demonstrar isso matematicamente.

A (des)importância do coeficiente de Gini

Será que o índice de Gini ou a desigualdade de renda é, de fato, o indicador a ser perseguido? Ora, qual é a vantagem de uma pessoa pobre morar no Iraque e confortar-se com a situação em que todos são tão pobres como ele?

Ou será que ele não preferiria morar em países piores colocados no ranking do índice de Gini, como o Canadá, na Austrália ou na Suíça em uma condição de vida infinitamente melhor, mesmo existindo muitas pessoas mais ricas? A demanda imigratória para esses países torna a pergunta retórica.

Será, que no fundo, o que move as pessoas envolvidas com a esquerda política, com o progressismo e coletivismo a clamar por igualdade não é puramente a inveja? Sua preocupação não seria promover melhores condições de vida para as pessoas mais pobres e não procurar meios para imitar o sacana do Robin Hood?

A economia, na verdade, não é um jogo de soma zero, onde que, para alguns ganharem, outros devem perder. Na verdade, nosso padrão de vida possui uma relação íntima com as criações e descobertas realizadas por empreendedores visionários. E eles devem ser remunerados pelas suas realizações, para manter o círculo virtuoso.

Assim, é possível termos uma sociedade com bilionários (através de mérito, não de corrupção) e muitas pessoas, comparativamente a elas, pobres, mas com um padrão de vida muito superior aos pobres em eventuais bastiões da igualdade de renda. Os países outrora socialistas eram assim: uma distribuição qualitativa da pobreza. Exceto para os funcionários do Estado, entidade tão amada pelos “movimentos sociais”.

Enfim, o problema não é a desigualdade de renda e a colocação do Brasil no ranking do coeficiente de Gini: o problema é a pobreza em si! Ideais socialistas, defendidas por ampla maioria da população, apenas repartem de forma relativamente igualitária a pobreza, e nunca criam riquezas.

Precisamos parar de debater desigualdades, e sim criar formas racionais para diminuir e exterminar a pobreza. Como? Com menos Estado e mais indivíduos.

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