Duas reservas de emergência?

Olá pessoal! Estou de volta para contar algumas divergências familiares sobre reservas de emergência, na nossa batalha conjunta para sermos financeiramente independentes. Foi um debate interessante!

Antes, quero parabenizar o André pela publicação do livro “Viagem Lenta”. Eu já estou lendo e ele conta sua fantástica aventura até a independência financeira. É também reconfortante conhecer os desafios que passou e os erros que cometeu, e mesmo assim, conseguiu chegar lá. Um estímulo para nós, imperfeitos, que não sabemos muito bem como lidar com essa questão. Ou então, convencer nossos próximos de como isso é importante…

Duas reservas de emergência?

Reserva de emergência é só para coisas ruins?

Quem lê o blog há um tempo, sabe que estou na jornada de convencer minha esposa e meus filhos a serem menos “gastadores” e pensem em economizar mais para o futuro. Dia desses escrevi sobre a reserva de emergência e como consegui completá-la vendendo meu segundo carro.

As decisões que tomo nunca são isoladas. Tenho que conversar e convencer a patota antes, pois não adiantaria forçar a barra e minha vida virar um inferno. O bom efeito colateral disso tudo é que às vezes sai uma discussão boa.

E ela apareceu nessa semana com a formalização do casamento de minha cunhada. De família (que se julga) rica, fez aquela lista de presentes caros pela internet para serem comprados pelos convidados. Minha esposa, claro, queria dar a ela o melhor da lista: uma geladeira de duas portas que custa quase R$ 10.000,00!

Levei uma bronca por deixar escapar uma gargalhada (foi incontrolável), mas o papo posterior até que foi produtivo. A princípio, como falei que não tinha esse valor disponível no orçamento, ela sugeriu usar a reserva de emergência.

Expliquei a ela que a reserva de emergência são para imprevistos, algo que ocorre sem aviso e que nos obriga a usar o dinheiro. Coisas ruins, em geral, como perda de emprego, acidentes, emergências médicas, etc.

Ela, porém, colocou um ponto interessante: a reserva de emergência só serve para coisas ruins? Não deveria ser algo para aproveitarmos em momentos bons também? Em outras palavras: por que economizar para coisas negativas e não para coisas positivas?

Intuitivamente, pessoas versadas em finanças pessoais diriam que isso é um “desejo” e não uma “necessidade”. Logo, não há sentido em usar o fundo de emergência para tal destino. Mas… e se você, pela importância que der à despesa, precisar se endividar para assumi-la. Ou ainda, fazer um resgate de um fundo que está com rentabilidade negativa ou ainda não alcançou a faixa mais baixa de imposto de renda?

Ainda assim, valeria escolher essas opções para deixar a reserva de emergência intacta?

Pensando de forma racional

Bem, se a decisão de gastar o dinheiro já está tomada e não temos outras disponibilidades, o dinheiro deve vir de algum lugar. De fato, assumir uma dívida de empréstimo não é a melhor solução. Os juros estão mais baixos, ok, mas continuam sendo juros – “entidade” que sugam nosso dinheiro.

Sacar de investimentos em maus momentos também não é uma solução inteligente. Impostos e resgates em períodos de baixa de renda variável podem prejudicar muito a rentabilidade futura do portfólio.

O que fazer então?

Nesse caso, acredito que é possível abrir uma exceção, mas sabendo que estamos fazendo a coisa errada: usar a reserva de emergência, mas comprometer-se em repor seu valor o mais rapidamente possível. Temos que ficar “incomodados” com a situação e entender que precisamos preencher um gap.

E, por fim, nos comprometermos a resolver essa situação para situações futuras semelhantes. Se entendemos que fizemos a coisa errada, o correto é prevenir para ela não ser feita novamente.

Duas reservas de emergência?

O autor de “Os segredos de mente milionária” diz que precisamos separar nosso dinheiro em “potes” com destinos específicos. Talvez tenhamos que criar então duas reservas de emergência? Uma para momentos ruins (e que só pode ser realmente sacada em momentos ruins) e outras para momentos bons?

É uma solução didática, mas, na prática, foge um pouco do conceito de reserva de emergência. Troquei uma ideia com o André quando falava sobre seu livro e ele sugeriu não fugirmos da ideia central de ser utilizada apenas em casos de emergência.

No caso de gastos desejados e inesperados, o que ele disse é que toda carteira de investimentos deve possuir um percentual em caixa, justamente para situações como essas. A reserva de emergência não entra na carteira de investimentos. Ela é um “pote” totalmente à parte. Nossos gastos corriqueiros e eventuais deve vir da carteira de investimentos, no pilar que possua investimentos líquidos em renda fixa pós-fixada.

Se a família possuir uma “tendência” a possuir despesas eventuais, como a que comentei no início do post, talvez ela precise alocar um percentual maior nesses investimentos. Como efeito colateral, deve estar ciente de que um aumento dessa fatia implica em uma rentabilidade menor para a carteira, pois esses investimentos possuem uma rentabilidade muito baixa, principalmente em época de juros baixos.

E você, o que pensa dessa situação?

Em tempo: não compramos a geladeira de quase R$ 10.000,00, mas compramos uma máquina de lavar roupa com um terço do valor. Ainda acho caro, mas negociação familiar é implacável: temos que buscar o equilíbrio entre a racionalidade e a tranquilidade…

A partir do final de março, esse blog passou a ter mais de um autor. Seu nome aparece sempre abaixo do título da postagem. Cuidado para não confundi-los 🙂
Veja a nova ideia editorial e acesse seus perfis nessa página.

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ricardo
ricardo
18 dias atrás

De família (que se julga) rica, fez aquela lista de presentes caros pela internet para serem comprados pelos convidados.Sem te atacar pessoalmente,mas acho que tornaram Casamento,Chas de Bebes,de Noivas,Aniversarios tudo um Negocio p venderem Buffet,Books,e o pior estas listas de presentes as vezes carissimos.As pessoas querem casar,ter filhos mas querem que os outros banquem seus caprichos de ricos mesmo as vezes nao tendo condiçoes economicas,mas no fim a Midia acaba influenciando as pessoas sem pensamento blindado.Podem me chamar de azedo,mas p mim Reserva de Emergencia e´ p as Emergencias de minha Familia.

Renato
Renato
19 dias atrás

Acredito que não se deva misturar gastos não recorrentes (caso do presente) com reserva de emergência. Grande parte da segurança da reserva vem do fato que você não mexe nela normalente…Se abrir a porta pra pegar um pouquinho aqui ou ali você pode perder o controle e acabar aumentando seu risco na emergência. O que eu faço é ter a reserva de emergência fixa e deixo R$1000 na conta nubank para imprevistos (gastos não recorrentes, erros de calculo receita/despesa, etc). Valores acima deste minha ideia seria dividir no cartão de crédito e abater das verbas mensais de investimento para o… Leia mais »

Last edited 19 dias atrás by Renato
Vinicius
Vinicius
21 dias atrás

Bansir, a patroa definitivamente não está no mesmo compasso de mudança de mentalidade

Anônimo
Anônimo
22 dias atrás

Gosto da ideia de dividir o dinheiro em potes. Temos um pote dos “desejos”. Ele criado com algumas verbas que recebemos de forma extraordinária. Aqui em casa, se aparece um outro “desejo” nesse meio tempo, normalmente nós negociamos da seguinte forma: “ok. Se é um desejo, vamos fazer, mas qual outro pote vai ficar descoberto?” Esse pode dos desejos era para o objetivo x, como por exemplo, uma viagem. “Está disposto a atrasar a viagem, por exemplo? Ou a diminuir o qto temos para lazer por um tempo?” Mas uma coisa que me faz pensar muito sobre presentes é o… Leia mais »

Renato C
Renato C
22 dias atrás

Resposta: Sim, só serve para coisas ruins a reserva de emergência. Como respondido por ti, economia para coisas “positivas” será uma outra coisa, não reserva de emergência. Me desculpe, mas acho temerária a simples idéia de se pensar em pagar 10 pau de uma reserva de emergência pra sair dando presentes assim. Dado o exposto, permita-me a provocação de lhe dar o parabéns, Bansir, pois para sair dando presentes assim sua família deve ser mesmo milionária! hahahahaha Agora falando + sério, talvez o mais sensato neste caso fosse fazer este dinheiro do presente precisar sair obrigatoriamente de alguma regalia orçamentária… Leia mais »

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