Reduzir a carga de informações ajuda a conquistar a FIRE?

Não sei se foi sempre assim, mas ultimamente, desde que comecei a assinar algumas newsletters tenho estado sobrecarregado com o excesso de informações sobre o mercado financeiro. São trocentos emails por dia, trocentas lives por semana, impossíveis de serem todos acompanhados.

Comecei a me aprofundar mais nesse mar de informações no final do ano passado, mas essa pandemia parece que fez explodir o número de pessoas que querem falar para você. Na boa, nem sei mais se isso é bom ou ruim. Mas que está ficando chato, está.

Cada vez que abro o computador ou o celular sou imediatamente bombardeado com análises do mercado, de relatórios setoriais, de abertura de novos fundos de investimentos ou de debates sobre as melhores alocações de uma carteira. Sem contar, claro, as notícias do coronavírus para lá e para cá. Será que é algo temporário ou veio para ficar? Essa onda de adrenalina não tem me feito bem.

O excesso de informações nas finanças pessoais

Sobrecarga de informações

A cada email que leio, cada live que assisto, vem inúmeras perguntas na cabeça, como:

“Devo investir em uma carteira de investimentos própria ou em fundos privados?”

“Devo começar investindo em previdência privada ou cuidar eu mesmo de meu portfólio?”

“Devo radicalizar na redução dos gastos aqui em casa ou ser mais relaxado”?

Comprar ações individuais ou ETFs?

Os pensamentos vão longe. Mesmo que eu ainda não tenha começado a montar a carteira de investimentos (ainda estou finalizando minha reserva de emergência), a mente já antecipa todas as questões que aparecerão mais tarde. Um aprendizado que deveria ser uma experiência produtiva e agradável termina com imposições exaustivas de tomadas de decisão.

Não quero fugir dessa responsabilidade. Minha dúvida é até que ponto precisamos de tanta carga de informações. Será que para conquistar a independência financeira é necessário absorver tudo que é produzido? O “quanto” é necessário?

Desculpe decepcionar os leitores, mas não tenho a resposta. Não sei se alguém a tem também. Só sei que esse oferta excessiva de informações tem me feito mais mal do que bem. Ficamos na ânsia de consumir tudo, acreditando que pode ser algo que não sabemos e que é importante a aprender, mas no fundo, não se transforma em ações práticas.

É possível que eu me angustie também quando me dou conta de quanto tempo e atenção demandei para manter-se “atualizado” com as tendências. Com tantos estímulos e necessidade de tomar decisões, o cérebro fica cansado. E acredito que, ao final, acabamos por tomar decisões erradas sobre o nosso dinheiro.

Excesso de informações só na área financeira?

O interessante é que essa sobrecarga de informações não ocorre somente nos investimentos e finanças pessoais. Um dia desses, combinei com minha filha de fazer um rocambole de carne. Em outros tempos, nós teríamos um livro de receitas em casa e faríamos tranquilamente o prato, com o livro aberto na pia sujando as páginas com os ingredientes.

Atualmente, ocorre algo desanimador. Minha filha foi procurar uma receita na internet. Encontrou centenas. Daí, surge a necessidade de ler um par delas, para ver de “qual gostamos mais”. Cada uma difere nos ingredientes, nos parâmetros do forno, na forma de enrolar a carne, se coloca o papel alumínio ou não… A simples atividade de fazer um rocambole de carne torna-se estressante! A sobrecarga cognitiva permeia todas nossas ações mundanas…

Tanto na culinária quanto nas finanças pessoais, parece que o excesso de informação, ao invés de recomendar uma atitude, faz com que não tomemos uma decisão ou uma atitude definitiva. Parece que não temos todas as informações e necessitamos sempre de checar algo mais. Tem um poucoa ver com aquele ditado: “um homem com um relógio sabe que horas são. Com dois, já não tem certeza…“.

Bem, voltando aos aspectos da área financeira, resolvi nesse final de semana fazer uma limpeza mental para reduzir limitar o excesso de informações:

  • Removi meu cadastro de várias newsletter que recebia. Deixei apenas algumas que considero interessantes;
  • Aproveitei para limpar minha caixa de email. Pode parecer bobagem, mas isso faz sua mente ficar mais calma;
  • Sabe aqueles pop-ups do Windows 10 que aparecem quando você está trabalhando? Aprendi onde desativar e tirei todos. Xô, coisa invasiva!
  • Limpei a lista de streamings do meu app de podcast. Poxa, tinha até da CBN, que ultimamente nada tem acrescentado de bom;
  • Fiz também uma faxina nos blogs que leio no RSS Feed Reader. Tinha muita coisa lá antiga que nunca tive tempo para ler;
  • Diminuí a lista de pessoas que sigo no Twitter e Facebook.

Só de agir nesse sentido, já senti certo alívio. Afinal, a carga de informações vai diminuir e vou conseguir fazer uma “desintoxicação digital”. Porém, tenho consciência de que essa conveniência percebida é na realidade, uma fuga temporária, que apenas remove temporariamente os estímulos.

Para resolver o problema definitivamente, é necessário avaliar as causas da confusão digital acumulada, escolher o que é realmente importante e criar novos hábitos, agora definitivos. Pode ser que eu tenha excluído alguma fonte importante que terei depois, e, com uma reavaliação, reativá-la. Mas com critérios, valerá a pena. Espero que isso me ajude a beneficiar minhas finanças pessoais mantendo a sanidade mental. Andando juntas, acredito que o caminho até a independência financeira seja mais fácil.

A partir do final de março, esse blog passou a ter mais de um autor. Seu nome aparece sempre abaixo do título da postagem. Cuidado para não confundi-los 🙂
Veja a nova ideia editorial e acesse seus perfis nessa página.

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