Finanças pessoais vai virar assunto de mesa de bar?

Semana passada participei de uma reunião presencial com alguns amigos do escritório. Não nos encontrávamos, fisicamente, há tempos. Na hora do almoço, pedimos uma comida pelo Ifood e sentamos, ali mesmo, no escritório vazio, para comer e bater papo.

Na ausência de assuntos de futebol (não lembramos do campeonato carioca), a conversa virou-se para as finanças pessoais. Fiquei surpreso, uma vez que nunca falamos no assunto. Achei que era o único entre meus colegas que havia começado a pensar em educação e liberdade financeira.

Finanças pessoais, educação e independência financeira: assunto de mesa do bar?

Engano meu. Parece que atualmente boa parte do dia a dia das pessoas físicas no Brasil é ocupada com o tema dos investimentos. Será que foi efeito da quarentena? Será que foram essa infinidade de lives acontecendo toda semana? De qualquer forma, o aumento de CPFs cadastrados na bolsa brasileira não pode ser ignorado.

Finanças pessoais convergentes, perfis financeiros divergentes

Durante a conversa, lembrei do texto do André aqui no blog onde ele comentava sobre os perfis financeiros e como o perfil de investimento é diferente do perfil de investidor. O texto mostra claramente como as pessoas confundem conceitos e colocam o carro na frente dos bois.

Com dívidas e ações

Um de meus companheiros de almoço recebeu recentemente uma herança (pelo que entendi, algo como 10x seu salário) e vangloriava-se ao falar de seus investimentos em ações. Não sei até que ponto tudo era verdade. Finanças pessoais é um assunto meio novo, mas acredito que o exagero masculino nas conversas assemelha-se à façanhas sexuais, no sentido de enaltecer suas ações.

Lembro-me, entretanto, que no ano passado ele comentou que ia usar todo seu 13º salário para pagar uma dívida em cartão de crédito. Como conheço um pouco a peça, duvido muito que seu orçamento esteja equilibrado. Mas investindo em ações individuais… Até que ponto isso vai dar certo? Uma pessoa que não consegue nem ao menos criar um colchão de segurança tem o conhecimento e a segurança emocional necessários para investir em renda variável?

Aposentado operando opções

O caso nem dá para classificar na régua de perfil financeiro. É pura falta de educação financeira básica mesmo. Já o outro amigo está, parece, começando a estudar para valer a área de finanças pessoais. Comentou que está guardando em um fundo DI para formar sua reserva financeira e começar a investir. Mesmo estágio que estou atualmente.

Ele já possui mais idade, é vovô recente e adora o neto. Mas está, entretanto, falando também em operar opções. Será que há a necessidade disso? Será que ele imagina o tempo e conhecimento que terá que dispender para montar suas operações? Ou ele queria apenas “provocar” o abusado colega e seus grandes feitos no mercado acionário?

Não sei quem o influenciou no tema, mas uma pessoa que, imagino, gosta de curtir a família, com neto e outros para virem adiante (tem 4 filhos), não preferiria gastar sua aposentadoria com segurança financeira e acompanhando o crescimento da família? Bom, não sei, essa é a minha opinião…

O que me parece é que esse tipo de operação não se adéqua muito bem ao seu perfil de investidor, nem ao seu perfil de investimento, em função principalmente de sua idade. Eu preferiria algo menos arriscado…

A esperança da juventude?

Já o quarto colega da mesa é mais novo e está animado com seus investimentos. Ele parece-me mais sereno e possui algum planejamento para criar uma carteira consistente. Citou um dos robôs de investimentos que o André usa para comparação de rentabilidades e também começou a investir em fundos de investimentos privados.

Será que o futuro sucesso nas finanças pessoais está na juventude? Bem, eu tendo a acreditar que nós 4, ali, naquele almoço, não éramos uma representação fiel da sociedade. Ainda coloco mais fé nos cabelos brancos. Mas não nos cabelos brancos dos meus companheiros de almoço.

Use as finanças pessoais a seu favor

Eu acredito que existe a tendência cada vez maior das finanças pessoais estarem presentes nas conversas do dia a dia, e por que não, nas mesas de bar (quando eles voltarem a abrir, claro)? Mas, da mesma forma que o futebol, vão existir torcedores de várias ideias e formas de se investir. Diferentemente da paixão brasileira, entretanto, a racionalidade deve prevalecer para decidirmos que time jogar (essa é outa diferença: jogar e não somente torcer).

Justamente por nos afetar profundamente, conhecer bem os princípios de finanças pessoais será fundamental para boas jogadas, sem necessidade de se fazer impressionar ou roubar no bate-papo. Vão existir verdades fundamentais, mas a maior parte do assunto pode ser relativizada. Afinal, cada um de nós possui um conjunto único de habilidades, objetivos e colchão emocional. Justamente por sermos diferentes, seremos atraídos por diferentes aspectos e particularidades na gestão financeira.

Vão existir pessoas que odiarão um orçamento, mas conseguirão constantemente manter um superávit positivo mensal. Outras, não conseguirão nenhum dos dois. Focar mais nos fins é essencial, mas humildade em modificar hábitos quando o objetivo não se concretiza, idem. Nesse caso, o primeiro poderá abster-se de preencher um orçamento, enquanto o segundo, precisará encontrar uma forma de criar um modelo e fazê-lo funcionar.

O buffet das finanças pessoais

Para cada item dentro das finanças pessoais, você vai encontrar quem os ama, quem os odeia. Mas o pulo do gato é avaliar as alternativas que elas criam para driblar os meios para alcançar seu objetivo, seja um conforto no orçamento ou a independência financeira.

No fundo, a administração do dinheiro é um grande buffet. Há um menu repleto de opções, uma enorme variedade de ferramentas disponíveis para ajudá-lo a atingir seus objetivos financeiros. Muitas delas, embora divergentes, podem ser também eficientes e eficazes. O que vai contar é sua própria responsabilidade para fazer as escolhas corretas considerando seus próprios conhecimentos, suas inclinações e suas metas.

Estude, tente e pratique. E analise seus resultados. Alguns podem ser bons, outros não. Reveja o que pode ser melhorado, volte ao buffet e escolha outra opção. E repita o ciclo. Só não vale ficar querendo colher resultados melhores fazendo sempre a mesma coisa.

A partir do final de março, esse blog passou a ter mais de um autor. Seu nome aparece sempre abaixo do título da postagem. Cuidado para não confundi-los 🙂
Veja a nova ideia editorial e acesse seus perfis nessa página.

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Danilo
Danilo
3 meses atrás

Ótimo post Bansir.

No meu serviço percebi que vinha aumentando as conversas sobre investimentos, digo antes da crise causada pelo coronvirus, depois observei que quase ninguém comentava rs, apenas alguns que diziam com um ar de preocupação e desespero “Você viu hoje, a bolsa está derretendo”.

Enfim, percebi que enquanto a bolsa subia estava mil maravilha pra todos, depois com a queda bateu o desespero e preocupação em uma parte da galera rs, enquanto outros estavam enchendo o carrinho e aproveitando a oportunidade da queda.

Obrigado.

Abraço!

Viver Sem Pressa
3 meses atrás

Muito bom o post Bansir, realmente finanças pessoais é o assunto do momento. Não é à toa que surgiram tantos YouTubers nos últimos meses. O que eu sei é que a pressa é a inimiga da perfeição. Ao tentar buscar retornos maiores em um curto espaço de tempo fazendo opções, day-trade etc, a chance de alguém que ainda nem sabe o que está fazendo perder dinheiro, será grande. Beijos.

Guilherme
3 meses atrás

O assunto tá ficando mais popular mesmo. Alguns colegas meus, que nunca falavam sobre investimentos, começaram a bater papo sobre o assunto.

Vamos ver se é algo passageiro, ou algo que veio para ficar.

Abraços!

Investidor.Dev
3 meses atrás

No trabalho já estava comum falar de investimentos antes mesmo da quarentena. Trabalho com uma galera da aŕea da computação, que nunca foi muito fã de futebol.

Mas meus colegas parecem bem mais sensatos, preocupados com diversificação e métricas estatísticas de risco.

Investidor Jovem
Investidor Jovem
3 meses atrás

Representação fiel da sociedade? Acho difícil.

Mais fácil dizer que é a representação fiel dos investidores. Afinal, temos menos de 1% dos CPFs do Brasil cadastrado na bolsa.

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