Dias 122 a 125 da viagem: Hanói, capital do Vietnã e Halong Bay, sob chuva.


A viagem para Hanói e Halong Bay, no norte do Vietnã. Muita beleza mesmo em tempo chuvoso da baía e as atrações da capital do país..


A chegada ao Vietnã lembrou-me um pouco meus dias na Índia. Após uma longa viagem de ônibus de Luang Prabang, Laos, onde ficamos esperando mais de uma hora a fronteira do país abrir e mais uma hora pela lerdeza dos funcionários em providenciar nossas entradas (e olha que todos já tinham visto – não existem meios de conseguir vistos nas fronteiras terrestres do país), cheguei de noite em Hanói e rapidamente abordado por centenas de taxistas e mototaxistas implorando para me levar no hotel.

Seu conceito de carga em duas rodas muda após conhecer o Vietnã.
Seu conceito de carga em duas rodas muda após conhecer o Vietnã.

Hanói

A visão indiana permaneceu na mente quando deparei-me com o trânsito, sem regras, barulhento, caótico, onde 90% dos veículos são de duas rodas. Vietnameses e indianos devem aprender a buzinar desde a tenra infância, formando uma sinfonia que desnorteia seu juízo. Para ajudar a chegada, o motorista que me levou cobrou posteriormente a mais do que o preço combinado. Depois de uma discussão de 5 minutos, dei um trocado a mais, deixei ele falando sozinho e entrei no hostel. Chegada nada positiva no país. O dia seguinte foi dedicado à cidade, e meu planejamento era usar os dois próximos dias em Halong Bay.

Hanói é a capital do país, embora o posto de maior cidade do Vietnã seja de Saigon, renomeada cidade de Ho Chi Minh após a vitória das forças comunistas do norte, bem ao estilo do ridículo culto de personalidade que rege os governos (ditos) vermelhinhos. Digo “dito”, porque o estado sofre, como Laos e Camboja, de uma falta de auto-afirmação ideológica tremenda ao afirmar-se comunista-socialista, mas incentivando o capitalismo em toda a parte, de forma a promover o crescimento da economia e a diminuir a pobreza.

Bolsa de Valores na República Socialista
Bolsa de Valores na República Socialista

Como comentei anteriormente em postagens do Laos e Camboja, escrevi um artigo de como a manutenção do poder, o verdadeiro mal de um Estado, o leva a insistir tanto na manutenção de ideologias fracassadas, que nem subsistem mais na orientação econômica do país: Sobre socialismo e comunismo: a emoção e a intenção vencendo a razão.

A capital do Vietnã não é uma cidade turística, possuindo pouquíssimas atrações. Isso não me afeta tanto, pois também gosto de conhecer as cidades reais e não os spots existentes para serem apreciados por estrangeiros, e em praticamente todas as vezes, meios de extorsão financeira indireta pelos altos preços praticados nos arredores. Escrevi um pouco disso no texto “Turismo de Culpa“.

As primeiras visões diurnas da cidade ratificam algumas prévias expectativas sobre o país, como as senhorinhas de chapéu típico carregando duplas bandejas de frutas (e muitas coisas mais) penduradas em um suporte que é levado aos ombros, parecendo as antigas balanças manuais.

Banquinhos e mesinhas de casinha de bonecaa nas ruas de Hanói
Banquinhos e mesinhas de casinha de bonecaa nas ruas de Hanói

Inúmeras pessoas sentadas em banquinhos e em frente de mesas cujas alturas parecem casinha de boneca povoam as ruas. Eu jantei no dia anterior nesses banquinhos e a sensação é no mínimo desconfortável… Bicicletas e motocicletas compõem 90% dos veículos e carregam tudo o que se pode imaginar. Seu conceito mental sobre carga em duas rodas é completamente alterado.

A cidade, em meio a um trânsito irritante, mantém algumas praças bem cuidadas, bem como calçadas e ruas. Alguma sujeira visível sim: as cidades do Camboja e Laos me pareceram melhor cuidadas. Mas mesmo assim longe da sujeira comparadas às cidades indianas… As influências arquitetônicas mais contemporâneas mesclam elementos franceses e soviéticos, além da influência chinesa em construções mais antigas.

A influência católica permeia toda a Hanói
A influência católica permeia toda a Hanói

Apesar de estar banhada por um rio, a cidade, ao menos em sua área central, não aproveita bem suas margens: sujas e com construções mal cuidadas ao redor. Não há uma avenida e calçadas o acompanhando, muito menos alguma utilização para lazer da população. Existe sim alguns lagos a oeste da cidade com alguma estrutura para seus moradores, mas é algo bem limitado.

Visitei o Museu da prisão de Hoa Lo, construída em 1896 pelos franceses, quando os mesmos ocupavam o Vietnã. A construção hoje restante é apenas uma parte da original, que chegou a encarcerar 2000 pessoas nos anos 30 do século passado. Foi usado pela França contra os revolucionários vietnamitas e pelos próprios vietnamitas contra os americanos posteriormente.

Como não poderia ser diferente, um país sempre conta a história sob sua perspectiva, e o museu é recheado de honras aos revolucionários vietnamitas do passado, inclusive dos comunistas que venceram a guerra em 1975. Celas ainda bem conservadas podem ser visitadas e expõem bem a angústia das pessoas que tiveram a infelicidade de te-las presentes na sua vida.

Livros de flores no Templo da Literatura
Livros de flores no Templo da Literatura

Outro local interessante foi o Templo da Literatura, uma grande área com jardins muito bem cuidados e muito verde, fundada em 1070 AD e transformada em universidade 6 anos depois, tornando-se a primeira universidade do Vietnã, contemporânea ao início dos movimentos universitários na Europa.

O templo tem muita influência chinesa e é dedicado ao Confucionismo. Existe ainda na cidade uma avenida bem larga com a maioria dos prédios governamentais e com templos dedicados ao culto de Ho Chi Minh. Passei batido. Abomino qualquer tipo de cultos à personalidade, principalmente quando o mesmo está embalsamado em um mausoléu da mesma forma que Lênin em Moscou e tal qual, propagou ideias comunistas e fracassadas pelo mundo, levando à morte milhões de pessoas.

Halong Bay

Os próximos dois dias foram dedicados a Halong Bay. Preferi comprar um tour fechado do que ir só, pois o preço era pouca coisa maior e eu economizaria um bom tempo. Saímos de Hanói cedo e em três horas e meia chegamos no porto de Halong, onde pegamos o barco cuja sala de estar já estava preparada para o almoço. O barco não era grande, mas acomodava bem cerca de 20 pessoas.

 Bela paisagem em Halong Bay, mesmo em tempo chuvoso
Bela paisagem em Halong Bay, mesmo em tempo chuvoso

A noite foi passada dentro do barco, em quartos bem arrumados, porém um pouco velhos. Como o mar estava bem calmo, não foi difícil pegar no sono, embora, com atenção, podíamos perceber um leve vai e vem do quarto. Tínhamos água e energia normalmente, mas o barulho do gerador perturbava um pouco.

Visitei a baía sob uma perspectiva usualmente diferente do que as fotos pela internet mostram: com tempo chuvoso. O local, com vários e pequenos espaços de terra de formação calcária é similar ao que visitei em Koh Phi Phi, na Tailândia, a qual foi um espetáculo em virtude do tempo e da cristalinidade das águas. Talvez por esses dois fatores não fiquei muito impressionado com Halong Bay. Minha base de comparação estava em um grau muito elevado e aqui, o tempo nada ajudou.

 Show de luzes dentro das cavernas de Halong Bay
Show de luzes dentro das cavernas de Halong Bay

A chuva deu uma trégua, entretanto, na hora de passear de caiaque na baía. Foi o melhor momento do passeio. A visita de uma das praias foi feita apenas pelo barco, pois a chuva tornava a aproximação mais arriscada.

Visitamos duas cavernas, na verdade parte de um mesmo sistema subterrâneo com formações muito bonitas, mas já um tanto alteradas para o turismo, com vários pisos construídos em pedra e muitas passagens em madeira construídas sobre vãos da caverna.

Foram as primeiras cavernas que visitei com luzes coloridas, de gosto duvidoso. Elas selam qualquer experiência de visitar uma caverna em sua forma bruta e impedem a sensação que só uma caverna pode oferecer ao visitante: o silêncio, a serenidade e a ausência completa de luz, fazendo com que sejamos forçados a sensibilizar os demais sentidos. Por um outro lado, permitem observar com clareza todas as lindas formações em seu interior. Mas como ouvi recentemente de uma amiga, não precisava ser toda colorida, estilo Walt Disney 🙂   E após um pneu furado da Van, chegamos de volta à Hanói no dia seguinte…

Próxima parada: a cidade de Hue e sua impressionante cidadela.

Veja todas as fotos de Hanói no Google Photos ou então, as melhores fotos do Sudeste Asiático no álbum do Pinterest.

As postagens dos roteiros e também dessa aventura que começou na Europa, passou pela Ásia, retornando ao velho continente, estão na página da viagem de 205 dias à Ásia.
Veja mais viagens e reflexões de viagens nessa página.

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Ketherine Braz
Ketherine Braz
4 anos atrás

Oi, tudo bem? Qual a data que você fez essa viagem? estou indo mês que vem e estou com medo de pegar essas chuvas que atrapalham um pouco o passeio.
obrigada! abs,

André Rezende Azevedo
4 anos atrás

Eu estive no Vietnã no mês de Abril de 2013. Peguei um pouco de chuva sim em Halong Bay, mas depois no resto do país fio tudo seco. O período com mais chuva por lá vai de Maio a Setembro. Se não gosta de água, evite esses meses rsrs.

Boa viagem!

Ketherine Braz
Ketherine Braz
4 anos atrás

André,
eu vou em Fevereiro, acho que teoricamente não é um período chuvoso ne?
Agora só me responde uma coisa, você acha mesmo que compensa ir para Hanoi -Halong Bay? minha trip vai ser quase toda na Tailandia, pretendo tirar 4 dias (3 noites) para hanoi, mas isso pq havia lido que o passeio a Halong é bem bacana. O que vc realmente achou?

André Rezende Azevedo
4 anos atrás

Acho que vc só pega chuva se for muito azarada rsrs. Olha, eu não sei sua trip inteira e seu tempo disponível. Se eu fosse ficar só na Tailândia, não sei se iria apenas para Halong Bay e voltar rapidamente. Eu tinha na verdade um planejamento inteiro. Da Tailândia fui para Malásia, Camboja, Laos e depois Vietnã. Aí não tinha como deixar de ir. Halong é sim, muito bonito. As formações são bem parecidas com o que vc verá em Koh Phi Phi. Para mim foi um pouco diferente por causa da chuva, do clima, ficou algo meio tenebroso, até… Read more »

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