Dias 40 e 41 da viagem: Kochi, litoral sudoeste da Índia


Relato de viagem à cidade de Kochi, ex-colônia de Portugal, e seu forte, no litoral oeste da Índia.


A cidade de Kochi, desde seus primórdios, teve a vocação para o comércio portuário, o que atraiu, além dos habitantes da região, sírios cristãos e judeus nos séculos passados. Com a colonização européia, iniciada na Índia através de seu porto pelos portugueses, foi palco de batalha entre esses, holandeses e ingleses.

Vestígios da colonização européia são vistos por toda a cidade, principalmente na área do Forte Kochi e arredores, que hoje é a área turística de Kochi e o local onde limitei minha visita. Minhas impressões da cidade limitam-se à essa região.

Uma cidade indiana com um "quê" ocidental
Uma cidade indiana com um “quê” ocidental

Viajei em um ônibus noturno privado a Kochi, partindo de Madurai. A utilização desse meio de transporte entre cidades na Índia mostrou-se uma opção interessante. Apesar de bem mais caro em rúpias (5 vezes o valor de uma passagem nos ônibus normais), é barato para os padrões brasileiros (24 reais), vai bem mais rápido e não possui conexões. Porém, o que mais chama a atenção é o conforto. O valor que paguei é de uma cama literalmente, dentro do ônibus acima das poltronas, que também são confortáveis. Sim, viajar de ônibus na Índia pode ser uma experiência positiva. Veja as fotos no link do Google Photos ao final do texto.

Na cidade fiquei pela primeira vez em um hostel na Índia, que durante a minha estadia foi frequentado apenas por estrangeiros, na maioria europeus. Recomendo o local para futuros viajantes, pois é confortável, possui ar condicionado e um padrão de limpeza mais ocidental, além de possuir wi-fi, embora sem grande qualidade. A presença de papel higiênico nos banheiros denuncia que o objetivo do estabelecimento é mesmo turistas ocidentais (Hostel Verdanta Wake-up).

A Basílica Santa Cruz, em Kochi
A Basílica Santa Cruz, em Kochi

Historicamente, a cidade guarda as primeiras igrejas construídas, pelos portugueses, na Ásia (1502 e 1503). Existem dezenas em toda a cidade, fazendo com que Kochi seja umas das cidades da Índia com a maior proporção de cristãos. Em 1568 os portugueses construíram um palácio como presente para o marajá local, em trocas de permissões e favores.

Após a vitória holandesa na guerra contra os portugueses, o palácio foi denominado Dutch Palace e hoje abriga um museu, com muitas pinturas hindus nas paredes, carruagens de mão, armas e outras peças. Não é algo tão vistoso, mas a entrada é de apenas 5 rúpias (R$ 0,20). A injeção na testa vale para algo que é quase de graça também.

Próximo ao local concentram-se muitos bazares de temperos e especiarias. A influência holandesa é sentida nos diversos bangalôs e construções da cidade, alguns atualmente restaurados e transformados em hotéis. A sinagoga foi construída pelos judeus em 1568 e a área foi palco de refugiados durante as cruzadas, abrigando uma grande comunidade antes da criação do Estado de Israel. Seu entorno possui hoje um grande comércio de joias e antiguidades.

Praça em Kochi e casarões estilo europeu
Praça em Kochi e casarões estilo europeu

A área de Fort Kochi lembrou um pouco a pequena área de influência francesa em Pondcherry, porém, possui todos os problemas vistos na Índia até então, mas com algumas atenuações. Existem bem menos lixos nas ruas, menos trânsito e mais ruas arborizadas, além das construções melhor cuidadas e algumas casas muito bonitas.

Porém, destoa a poluição da praia e detalhes pouco cuidados como as praças centrais. Se andarmos fora do pequeno centro, voltamos a nos deparar com a visão de uma cidade indiana. A península é cortada, inclusive, por um córrego muito poluído com mal cheiro, que deságua na praia sem nenhum tratamento. A rua principal da cidade e com construções agradáveis é a Princess Street, onde existem bons restaurantes e deliciosos sorvetes. Porém isso é um pequeno oásis na cidade, já que a rua engloba apenas um quarteirão.

O pôr do sol e a praia poluída
O pôr do sol e a praia poluída

Esses dois dias na cidade foram dias de descanso (no sábado acordei às 10 da manhã) em função da viagem noturna anterior e de uma rotina pesada que me espera em Delhi a seguir. Comprei a passagem aérea via web ainda quando estava em Madurai pela empresa Spicejet (190 dólares). Vamos ver como que é voar em uma companhia low-cost indiana!

Seguindo a viagem, leia sobre a próxima parada: Nova Delhi e Agra.

Veja todas as fotos de Kochi no Google Photos ou então, as melhores fotos do sul da Índia no álbum do Pinterest.

As postagens dos roteiros e também dessa aventura que começou na Europa, passou pela Ásia, retornando ao velho continente, estão na página da viagem de 205 dias à Ásia.
Veja mais viagens e reflexões de viagens nessa página.

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Nina Rezende
Nina Rezende
7 anos atrás

Oi André!
Que interessante!!!Ônibus com cama… Deve ser bem grande para ter tudo isto, não é? Tem serviço de bordo também?

Curiosidade: As pessoas frequentam estas praias poluídas?
Beijos e ótima vagem para Delhi!!!

Fer Tonus
Fer Tonus
7 anos atrás

Se não fosse na Índia eu bem q ia querer fazer uma viagem longa e barata num ônibus confortável desses. E q história é essa de q no hostel até tinha "papel higiênico no banheiro"? Isso é um luxo aí? rsrs
Tô acompanhando suas aventuras e gostando mto! Bjs

André Rezende Azevedo
7 anos atrás

Oi Nina! Sim, eles são altos para poder ter as poltronas e as camas em cima. Serviço de bordo não, só na Turquia rsrs.

Olha, em Kochi nem os indianos se banham naquela praia. Acho que não deve ser boa mesmo srsr.

Bjus!

André Rezende Azevedo
7 anos atrás

Luxo Fer. Eles não usam. Vc tem de sempre ter o seu na mochila 🙂

Que bom que está gostando! Bjus para vc!

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