Devo emprestar dinheiro para amigo ou parente?

Talvez você já tenha estado em dúvida se devemos emprestar dinheiro a um amigo ou parente, principalmente em situações negras, como essa crise pandêmica. Para mim, essa dúvida surgiu recentemente em uma conversa com um grande amigo, parceiro de mais de vinte anos, desde o tempo da faculdade. Ele trabalha como autônomo, PJ, cuidando da manutenção elétrica de pequenos negócios.

Trocamos algumas ideias nesse final de semana, quando ele me contou sua situação financeira preocupante. No mês que vem ele terá que fazer um empréstimo ao banco para poder pagar suas contas. Apesar de eu possui uma reserva de emergência pequena, a dele praticamente não existia e acabará neste mês.

É correto emprestar dinheiro para um amigo, parente ou alguém da família?

Ele não me pediu nada, ao menos diretamente. Desconfiei que ele queria ouvir algo mais, mas resisti ao ato de oferecer e emprestar dinheiro. Afinal, minha situação também não está tranquila. Uma perda de emprego – algo que me preocupo cada vez mais, me levaria a torrar a reserva de emergência que possuo em poucos meses. Porém, essa situação ecoa na nossa cabeça por um tempo. Fiz o certo? Ou deveríamos compartilhar a “reserva de emergência” com amigos e pessoas da família com dificuldades?

Minha esposa concordou comigo: não poderíamos tomar esse risco, pois não sabemos o que virá pela frente e temos dois filhos para sustentar. Esse é um argumento poderoso e real, mas o pensamento que me deixou mais confortável era de que ele também precisava mudar seu estilo de vida, assim como eu estou mudando.

Ele também sempre foi perdulário com seu salário e ainda possui uma desvantagem: não conseguiu guardar dinheiro mesmo não tendo filhos. Talvez a crise lhe ensine algo. Emprestar dinheiro a amigo e familiares nunca deu muito certo na vida de muita gente.

O que dizer se um parente ou amigo lhe pede para emprestar dinheiro

Como disse, meu amigo não me pediu dinheiro emprestado diretamente, mas fiquei pensando depois como eu reagiria se ele me pedisse. Conversando com minha esposa, criamos mentalmente um roteiro para aplicarmos se isso ocorrer:

  1. Avalie a causa de sua dificuldade. Ele precisa do dinheiro emprestado para poder trabalhar (manutenção de veículo, etc) ou algo tão nobre quanto? Ou é para cobrir gastos de uma viagem parcelada que fez? Essa análise é essencial para você estar bem consigo mesmo caso negue a ajuda.
  2. Segure-se antes de oferecer dinheiro. Espere para ver se eles não conseguirão outros meios. Na maioria das vezes, amigos e parentes procuram o meio mais fácil para conseguir equilibrar seu orçamento. Ofereça alternativas. Por que não solicitar ao banco?
  3. Questione: como ele chegou nessa situação? Para alguém emprestar dinheiro, há a necessidade de saber os motivos e um plano de recuperação. Se conseguir o dinheiro emprestado, onde que ele usará e quais serão as atitudes que fará para que isso não ocorra novamente?
  4. Se suas respostas forem condizentes, avalie emprestar uma pequena quantia, com condições de garantia e pagamento rígidos por escrito e cheque sua reação. Incentive-o a buscar complementos para a quantia que pediu inicialmente. Como dizem por aí, “skin in the game“.
  5. Deixe bem claro que isso não se repetirá, uma vez que ele precisa tomar os devidos cuidados para não chegar novamente nessa situação, como, por exemplo, criando uma reserva de emergência assim que possível.

Essa é uma abordagem de risco. Quando você parece duro demais para pessoas que esperam uma mão aberta e generosa, pode ser um fator de quebra de relacionamentos. Porém, você deve se perguntar o quão reais são esses relacionamentos. Você precisa também se preservar, principalmente se sua situação não é tão confortável, o futuro é obscuro e possui uma família a cuidar.

Tenha sempre em mente o risco de não receber o dinheiro do empréstimo de volta. Isso pode ser a destruição total de um relacionamento de anos. Se você for “intimado” a emprestar dinheiro a um amigo ou parente pela segunda vez, sugiro negar veemente. Pessoas assim não aprendem a lição e ficarão dependentes por muito tempo de sua disponibilidade de caixa.

Outra opção, se possível, é apenas dar o dinheiro, sem exigi-lo de volta. Se você possui uma condição que permita isso e a amizade é importante para você, seja generoso. Possivelmente, seu amigo ou parente vai se sentir agradecido e talvez até meio envergonhado de vir a pedir novamente a você. Mas, se ocorrer novamente, diga não para evitar dependência.

Vá além do dinheiro emprestado: ajude seu amigo a superar a situação

É possível que seu amigo ou parente não tenha um plano real que evite colocar-se novamente nessa situação. Ajude-o com conhecimento, de forma que ele nunca mais precise pedir dinheiro emprestado a você ou a qualquer outra pessoa.

Essa semana vou voltar a falar com meu amigo para ver se ele conseguiu acertar a situação e vou compartilhar com ele as mudanças de mind-set que tenho feito em minha vida. Eu falei meio por cima, mas não entrei em detalhes. Se a interlocução for positiva, vou até compartilhar minha planilha de orçamento com ele. Quem sabe, até o sonho de alcançar, um dia, a independência financeira.

Não sei se adiantará algo, mas gostaria de tentar. Quem sabe não há um despertar para uma nova realidade, como ocorreu comigo? Afinal, coisas boas servem para repartimos com os outros também, não acha?

A partir do final de Março, esse blog passou a ter mais de um autor. Seu nome aparece sempre abaixo do título da postagem. Cuidado para não confundi-los 🙂
Veja a nova ideia editorial e acesse seus perfis nessa página.

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alexssandra
alexssandra
2 meses atrás

Adorei a matéria, isso acontece muito comigo, e meu marido sempre empresta, a pessoa não paga, ou não paga no prazo combinado.
Perde o amigo e o dinheiro

Pépe
Pépe
2 meses atrás

Eu já emprestei dinheiro algumas vezes e não recebi de volta. Geralmente quem pede são pessoas desequilibradas financeiramente.
Já faz anos que se me pedirem a resposta é sempre NÃO, pois se ficar chateado é porque não é amigo.
Outra coisa…É melhor perder só o ” amigo” , do que o dinheiro e o ” amigo”.

Sr.IF365
Sr.IF365
2 meses atrás

Adoto uma regra simples, empresto oq não for me fazer falta sem a esperança de que a dívida seja quitada um dia. Se vier a receber de volta me considero no lucro, caso negativo não foi empréstimo e sim doação.

Claudinei Fernandes
Claudinei Fernandes
2 meses atrás

Bom post e muito boas dicas. Obrigado.

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