Transferência de renda, riqueza e igualdade salarial: conceitos imorais

Caros, um aviso antes da leitura. Clique na seta, por favor!

Eu migrei o blog da plataforma Blogger para WordPress em 27/10/2019.

Muitos artigos vieram com problemas de formatação, principalmente de centralização de widgets e espaçamentos não padronizados.

Estou refazendo os posts aos poucos, mas… como são mais de 200, vai levar um tempo. Se você está lendo isso é porque esse artigo ainda não foi contemplado.

Peço desculpas por ora. De qualquer forma, o texto integral está intacto.

Abraços!

 
Transferência de riqueza, transferência de renda e igualdade salarial são conceitos imorais

Os motivos que revelam porque as premissas de sua luta pela transferência de renda estão recheadas de conceitos imorais.

Você, pessoa bem intencionada, talvez idealize um mundo onde a justiça é  construída por meios de uma intensa política de confisco da riqueza através de impostos e uma acentuada transferência de renda através de políticas sociais, com o objetivo de alcançar a sonhada igualdade econômica. Talvez você não acredite, mas é uma impraticável e uma tola utopia. Faça um pequeno exercício mental: imagine que na virada do próximo ano fosse possível distribuir toda a riqueza do mundo em partes iguais para cada cidadão. Digamos que cada um tenha ficado com 25 mil reais. Passados doze meses, o que aconteceria quando chegasse o final de Dezembro? Você ainda acha que teríamos alguma igualdade? Você acha que todas as pessoas decidiram poupar, consumir, doar, emprestar aquela quantia da mesma forma? Qual seria a nova sugestão? Redistribuí-lo novamente? Por quanto tempo duraria esse ciclo?

Quer seja seu desejo ou não, a riqueza possui um caminho natural na sociedade, fluindo aos indivíduos que são mais eficientes e eficazes em sua área de atuação. E note, leitor, que isso é bom. Bom porque a renda é uma das formas de remuneração para pessoas que oferecem algo positivo aos outros. Em um local onde não existam interferências estatais, a riqueza é meritória, isso é, as pessoas que a conquistaram, só a conquistaram porque foram recompensadas por outras pessoas que, voluntariamente, adquiriram o seu produto ou serviço. Você, que usa seu iPad, iMac ou iPhone, colaborou decisivamente aos executivos e acionistas da Apple a ficarem mais ricos. Você colaborou para essa transferência de renda. E não, esse conceito não é apenas elitista. Você que já pagou muitas prestações de seu carnê das Casas Bahia também enriqueceu a família Klein.
 
A inovação em um sistema livre de mercado, na qual a Apple é apenas um exemplo entre milhões, provém inicialmente do acúmulo de capital. Esse acúmulo de capital é essencial para que nossa sociedade continue em evolução e seria totalmente arruinado em um programa de transferência de renda como a descrita no primeiro parágrafo, além de extirpar o estímulo a novos empreendimentos em função da natureza imoral do ato.

 

Redistribuir renda por coação é algo obsceno e movido pela inveja, pois é um confisco de quem a ganhou honestamente (não estamos aqui falando de burocratas e empresários beneficiados pelos Estado, evidentemente) e solapa qualquer incentivo para que as pessoas produzam algo bom entre o grupo em que vivem. Diferentemente de ações louváveis como a filantropia direta e atividades voluntárias, a espoliação do dinheiro dos outros é mais uma forma de sustentação de poder aos políticos, gerando mais corrupção.

 
Além disso, a imposição de uma igualdade salarial demanda a supressão da desigualdade das pessoas. Mas as pessoas são naturalmente desiguais, possuem metas desiguais, possuem motivações desiguais. Ora, é claro que nunca serão economicamente iguais! Impor, em qualquer grau, através de uma transferência de renda forçada esse nivelamento econômico é uma imposição perversa por natureza.

 

O que precisa estar garantido, é a igualdade baseada nos direitos naturais entre todos os seres humanos, que deve estar acima de quaisquer classificações como cor de pele, preferências sexuais e afins (atribuir diferenças de direitos entre supostas castas é outro discurso alienado em moda hoje em dia). A real demanda é garantir as condições necessárias, como oportunidades de educação básica de qualidade a todos, de forma que suas próprias motivações internas, viabilizadas por suas capacidades intrínsecas, construam seu futuro. E que algumas exceções sejam tratadas como… exceções!

 
O discurso da esquerda estatista, que faz uso de ideias aparentemente dignas para legitimar atos funestos, precisa ser desmontado. Suas boas intenções são tão boas e nobres quanto às intenções dos ditadores comunistas de Cuba, Coréia do Norte e Venezuela. É irracional pensar que premiando setores improdutivos e castigando setores produtivos poderemos alcançar uma sociedade justa. Uma parte dessa esquerda sabe o que está fazendo, e deseja protelar por tempo indefinido a dependência dos supostos beneficiados, pois possui vantagens nessa situação. A outra parte são os idiotas úteis, que realmente acreditam que essa postura é um atestado de compaixão e integridade, mas que no fundo, apenas perpetua o atraso. A história do mundo é a maior referência que pode ser citada, mas infelizmente eles não são capazes de interpretá-la. Ao menos com lógica.
 
Enfim, a pobreza só será eliminada através de maior liberdade econômica. Transferência de renda não trará igualdade econômica, pois cada indivíduo, com suas diferentes aptidões e motivações conceberá um caminho diferente do outro. A liberdade econômica, entretanto, age em conjunto com o crescimento econômico para melhorar a renda de toda a população em geral. Dados demonstram que os países com uma economia mais livre possuem, invariavelmente, até melhores redistribuições de renda que os demais. De longe, o quintil dos mais pobres possuem uma renda muito maior do que o mesmo quintil dos países com menor liberdade econômica. Um resumo desses dados pode ser visto aqui.
 
Infelizmente, mesmo sendo impossível argumentar contra os dados, a mentalidade estatista ainda é preponderante às ideias liberais em terras tupiniquins. Mas já está começando a perder a grande hegemonia. Quem viver verá.

 

P.S.: Posteriormente foi publicado um artigo sobre o mesmo tema que pode acrescentar mais algumas considerações sobre o assunto.

Mais textos sobre Liberdade e Política aqui.

 

18 thoughts to “Transferência de renda, riqueza e igualdade salarial: conceitos imorais”

  1. Sim Gabriel. Precisamos de fato, de um suporte para essa mudança de mentalidade, que ainda, está longe da solidificação.

    Uma transição em geral, pode ser dolorosa, mas se tratarmos como algo provisório, é possível algum amparo. Não prego de forma nenhuma o abandono e a miséria.

    O blog está meio parado, mas já têm muitas ideias por aqui escritas que poderiam ser classificada como "originais" em função da falta de capilaridade dessas ideias no Brasil. Porém, grande parte delas não são tão originais assim. Foram absorvidas durante anos de leitura de autores esquecidos em terras tupiniquins e alijados das universidades, onde abundam apenas ideias gramcistas e coletivistas.

    Obrigado pelas palavras e volte sempre!

    Grande abraço!

  2. Também conheço várias pessoas que desenvolvem trabalhos voluntários, e também vários projetos financiados com doações. Sem dúvida, essas ideias e essa forma de gerenciamento de defasagens econômicas e sociais é admirável.

    Meus parabéns pelo excelente texto e pela originariedade dos argumentos, com toda a certeza provoca-se a reflexão acerca da atual estrutura estatal que possuímos. O problema é que a aplicação desse projeto de sociedade idealizado por você de certa maneira esbarra numa questão circular: para se ter uma mudança na sociedade dessa forma é preciso uma boa instrução e educação da sociedade como um todo, além da boa vontade dos gestores disso tudo de fazer acontecer; e para se ter essa excelência na educação, é preciso uma mudança imediata na sociedade, tanto por parte dos cidadãos quanto por parte dos governantes.

    Além é claro, da perniciosidade gerada pela aplicação desse modelo a curto prazo, pois é fácil observar que é um projeto de resultados a longo prazo, e de dolorosos e às vezes insuportáveis sacrifícios inicialmente, principalmente para os milhões de miseráveis que vivem no Brasil de hoje, que entre a transição dessas duas estruturas sociais ficariam sem amparo algum.

    Sem dúvida uma discussão que merece ser aprofundada e uma reflexão que merece ser feita. Parabéns pela iniciativa do site. Essa é a primeira vez que o visito e gostei muito dos textos e das ideias. Com toda a certeza voltarei.

    Grande abraço.

  3. Gabriel, vou tentar responder de forma breve, mas para aprofundamento, necessitamos de mais debate.

    O voluntarismo é inversamente proporcional ao Estado Babá. Quanto mais Estado tivermos, mais as pessoas isentam-se da responsabilidade de ajudar o próximo. Pensam elas: "Oram, o Estado é assistencialista, isso então é papel do Estado". Assim hoje, com a carga tributária que temos e com a economia em frangalhos (que é uma das consequências desse Estado grande), não, eu não acredito que o voluntarismo seja suficiente para ajudar a maioria da população. Mas não podemos raciocinar em momentos de crises. Temos que ter nossos fundamentos ancorados em princípios. Como eu disse no texto, exceções devem ser tratadas como exceções, e não como regra geral.

    O problema do assistencialismo como regra geral é que se incorpora na população a falta de responsabilidade e o egoísmo para com o próximo. Repare no mundo onde estão os países mais voluntariosos do mundo: exatamente os mais ricos e com mais liberdade econômica. Como disse acima, a cultura norte-americana, embora esteja se perdendo com todos esses governos ruins que vem tendo, é essencialmente voluntarista e filantrópica. Eles não possuem a ideia de que o Estado deve ajudar todo mundo. A meritocracia é valorizada. A despeito disso, o número de pessoas com fome e desabrigados é bem menor lá do que aqui, na China ou na Rússia.

    Estamos enfim, com essa mentalidade estatal, destruindo um dos principais valores humanos. Com o argumento do coletivismo, estamos nos tornando cada vez mais egoístas e insensíveis, principalmente quando se trata do nosso tempo e nosso dinheiro. A moda coletivista é sempre proclamar ajuda com o dinheiro dos outros. Nunca com o dinheiro dos seus devotos. Uma inversão total da ética e da moral.

    Respondendo sua pergunta em termos gerais então: sim, eu acredito que, com uma carga tributária pequena e consequentemente com um país em crescimento e rico, o voluntarismo será muito mais eficiente do que os programas estatais de transferência de renda. Precisamos apenas ter as condições para isso. Estou considerando tanto pessoas físicas como entidades.

    Se vc perceber em volta, já temos até uma boa estrutura para isso (claro que não ideal ainda). Você nunca conheceu alguém que trabalha como voluntariado ou ajuda alguma instituição? Eu conheço várias. Já trabalhei em diversos projetos. E eu tenho convicção que, tirando o peso do Estado, essas atividades vão ampliar-se de forma notável.

  4. Entendo profundamente sua opinião, André. Só tenho uma pergunta: você acredita realmente em uma transferência voluntária de renda, mesmo em momentos de crises como a que estamos passando agora? Pois no mínimo a transferência deve ser constante e real, e não apenas circunstancial.

  5. Tudo bem Gabriel. Eu acredito que já havia entendido o seu ponto. E eu tentei afirmar justamente isso: eu acho imoral qualquer transferência de renda forçada, exatamente por ser feita sob coerção, e não sob voluntarismo. Esse é o meu argumento sobre essa imoralidade.

    O que você deseja debater é um segundo aspecto: se a transferência de riqueza pode ser útil para a sociedade ou não. Entenda meu ponto: mesmo que você me convença que ela seja útil, eu vou continuar achando-a imoral, em virtude da natureza do seu ato de coerção, percebe? Eu acredito em uma transferência de riqueza moral apenas se o ato for voluntário.

    O Estado roubar de uns para dar aos outros (e embolsando propinas e poderes no meio do caminho) é e sempre será para mim, um ato totalmente imoral, mesmo que sobrem algumas migalhas para os menos abastados. Migalhas que são o mote para que a maioria das pessoas defendam tal procedimento.

  6. Caro André, o que eu quis dizer é que há uma abissal diferença entre a igualização radical das riquezas de todos e programas sociais que objetivam dar maior poder de compra às camadas mais pobres da sociedade. De forma alguma afirmei que qualquer política de transferência de renda é imoral, muito pelo contrário, o meu esforço foi no sentido de evitar um significado distorcido para o termo, como é, ao meu ver, colocado no texto. Não se trata de discutir o que é menos ou mais imoral, pois o Estado destituir violentamente os mais abastados de todas as suas riquezas (nas suas palavras: conseguidas honestamente) é sem dúvida um erro, mas isso para mim não deve ser tomado pelo nome de transferência de renda, e sim por furto qualificado. Para mim, a transferência de renda objetiva uma maior e melhor distribuição dos recursos, como o fim de reduzir as desigualdades, sejam essas sociais ou regionais. Nessa sua acepção radical de que qualquer transferência de recursos dos mais ricos para os mais pobres é uma imoralidade, todos os programas sociais ficariam comprometidos, pois a escola modelo de um bairro pobre não foi construída e nem é mantida com o dinheiro arrecadado dos moradores daquele bairro, mas sim de toda a sociedade, o que caracterizaria a retirada de recursos de várias pessoas para o benefício de um número limitado da população. Um exemplo mais claro: no Brasil, boa parte das riquezas é direcionada às regiões Norte e Nordeste, as mais pobres do país; esses recursos, na sua maior parte são fruto da arrecadação de Estados da Região Sul e Sudeste, as mais ricas. Dessa forma, e de acordo com os seus argumentos, haveria uma tremenda de uma imoralidade, pois o Robin Hood Estatal está justamente canalizando recursos das regiões mais ricas para as regiões mais pobres, objetivando maior integração, distribuição de renda e oportunidades, política essa praticada tanto pelo "neoliberalismo tucano" quanto pelo "comunismo petista".

  7. Anônimo, o que você tenta é encontrar um ponto de equilíbrio, até onde a transferência de renda passa a ser imoral ou não. Mas se você aceita os fundamentos do texto, de que qualquer transferência de riqueza é imoral em virtude de retirar involuntariamente recursos de quem os ganhou honestamente, a sua luta é na verdade, o ponto de equilíbrio entre o que é um pouco imoral e o que é muito imoral. Em ambos os casos, há imoralidade.

    Há quem defenda o Bolsa Família por achar que esse é um caminho de justiça. Há quem o perceba como uma forma de curral eleitoral e como algo totalmente ineficiente a médio e longo prazo, diminuindo cada vez mais a responsabilidade pessoal das pessoas e tornando-as cada vez mais dependentes. Há quem acredite que o voluntarismo seria muito mais efetivo se não tivéssemos a cultura de que o Estado deveria cuidar de tudo e todos – uma cultura norte-americana que vem declinando com o avanço da esquerda de lá. Independentemente disso, a transferência forçada da riqueza honesta, continua sendo imoral em todos os casos por definição per se, mesmo entre aqueles que aceitam ser espoliados.

    Obrigado pelo comentário.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.