O politicamente correto e a igualdade que destrói as divergências

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Eu migrei o blog da plataforma Blogger para WordPress em 27/10/2019.

Muitos artigos vieram com problemas de formatação, principalmente de centralização de widgets e espaçamentos não padronizados.

Estou refazendo os posts aos poucos, mas… como são mais de 200, vai levar um tempo. Se você está lendo isso é porque esse artigo ainda não foi contemplado.

Peço desculpas por ora. De qualquer forma, o texto integral está intacto.

Abraços!

 
Defender a igualdade material prioritariamente à igualdade formal gerará apenas uma sociedade leviana, formada por indivíduos frágeis e intolerantes com o adverso.

Defender a igualdade material prioritariamente à igualdade formal gerará apenas uma sociedade leviana, formada por indivíduos frágeis e intolerantes com o adverso.

O termo igualdade vem sendo utilizado frequentemente em muitas demandas políticas e sociais. Esse conceito, porém, possui duas ideias bem definidas, e é preciso sempre ter em mente a qual tipo de igualdade nos referimos.

O primeiro significado trata-se da igualdade formal, que estabelece que todos nós, seres humanos, possuímos igualdade perante a lei, sem quaisquer benefícios ou penas por sermos alguém em específico, mas sim o direito de sermos julgados como um indivíduo incógnito e único. A igualdade formal possui força normativa pelo artigo 5° da Constituição, porém é constantemente violada na prática, e esta sim, deveria ser o objeto de grande defesa pela maior parcela da população.

Porém infelizmente, a igualdade que está na moda e nos discursos dos “progressistas” percorre o conceito da igualdade material (ou substancial), onde todas as pessoas deveriam ter direito aos mesmos recursos e convergir para um mesmo ideal de satisfação, mesmo que possuam aspirações e motivações divergentes. Já explicamos anteriormente o porquê da igualdade material ser imoral, além de ser uma impossibilidade prática.

 
Nesse blog há farto material sobre o conceito de igualdade formal e direitos naturais, comentados à luz das ideias de John Locke, Karl Popper e Immanuel Kant, bem como as consequências nefastas das ideias de igualdade material, fundadas sobre um coletivismo insano, em comentários aos livros de Ayn Rand e José Ortega y Gasset. Porém, um vídeo que vi no YouTube recentemente incentivou-me a reforçar os comentários de como essa pregação da igualdade material, adotado maciçamente pelo discurso politicamente correto, arruína a tolerância e o convívio das divergências.
 
A igualdade material que trata o vídeo não é financeira ou de recursos, mas sim, a ideia de que somos todos iguais não no sentido formal, mas de forma tangível e utilitária. Tal igualdade, para ser atingida, recorre à supressão das liberdades e à anulação da individualidade humana, uma vez que interfere na dignidade humana de ser livre para fazer escolhas.

 

Sendo absorvida pelo discurso politicamente correto sob o pretexto de evitar discriminações e ofensas, a igualdade material utilitária não admite o contraditório. Trata as pessoas como mentes indefesas incapazes de assumirem-se como indivíduos livres, singulares e responsáveis pelos seus atos. Evita as divergências e a convivência com os conflitos naturais que surgem dentro de grupos com diferentes interesses e ideologias. E esquivando-se da variedade de ideias, não sabe conviver com a pluralidade e possui o objetivo de destruir todas as opiniões contrárias, almejando um pensamento único e totalitário.

O politicamente correto é uma seita ideológica, usada pelos partidos políticos para conquistar corações e mentes, muitas vezes com sucesso.
 
Vejam o vídeo, que com um pouco de exagero e bom humor,  alerta como a liberdade individual poderá se submeter ao consenso da maioria ou dos paladinos da justiça, muitos em voga nesse período sui generis de nossa história.

Mais textos sobre liberdade e individualidade nesse link.


2 thoughts to “O politicamente correto e a igualdade que destrói as divergências”

  1. O que achei de melhor sobre igualdade foi no LIVRO DOS ESPÍRITOS DE ALLAN KARDEC:
    811. A igualdade absoluta das riquezas é possível e existiu alguma vez?

    — Não, não é possível. A diversidade das faculdades e dos caracteres se opõe a isso.

    811 – a) Há homens, entretanto, que crêem estar nisso o remédio para os males sociais; que pensais a respeito?

    — São sistemáticos ou ambiciosos e invejosos. Não compreendem que a igualdade seria logo rompida pela própria força das coisas. Combatei o egoísmo, pois essa é a vossa chaga social, e não corrais atrás de quimeras.

    812. Se a igualdade das riquezas não é possível, acontece o mesmo com o bem-estar?

    — Não; mas o bem-estar é relativo e cada um poderia gozá-lo, se todos se entendessem bem… Porque o verdadeiro bem-estar consiste no emprego do tempo de acordo com a vontade, e não em trabalhos pelos quais não se tem nenhum gosto. Como cada um tem aptidões diferentes, nenhum trabalho útil ficaria por fazer. O equilíbrio existe em tudo e é o homem quem o perturba.

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