Idiocracia – a apoteose de uma sociedade medíocre

Caros, um aviso antes da leitura. Clique na seta, por favor!

Eu migrei o blog da plataforma Blogger para WordPress em 27/10/2019.

Muitos artigos vieram com problemas de formatação, principalmente de centralização de widgets e espaçamentos não padronizados.

Estou refazendo os posts aos poucos, mas… como são mais de 200, vai levar um tempo. Se você está lendo isso é porque esse artigo ainda não foi contemplado.

Peço desculpas por ora. De qualquer forma, o texto integral está intacto.

Abraços!

A sensação de refúgio derivada da segurança e conforto de ser coerente com a tendência atual do pensamento das massas tem criado as raízes à Idiocracia.

As raízes da Idiocracia estão sendo edificadas pelo desejo da sensação de refúgio, derivada da segurança e conforto de ser coerente com a tendência atual do pensamento das massas.

Há alguns anos atrás assisti um filme que não apareceu nos canais mainstreans e poucas pessoas o conhecem: Idiocracia. O filme* foi feito aparentemente com restrições de verbas e possui uma produção muito fraca, elenco apenas mediano, efeitos visuais sofríveis e um roteiro que começa interessante, mas que posteriormente extremiza a caracterização de personagens em algumas situações.

Mas sua atratividade é um enredo muito interessante: em nossa época, um dos funcionários “menos inteligentes” do exército submete-se a uma experiência de congelamento que deveria durar um ano, mas algo dá errado e ele acorda 500 anos depois.

Longe de apresentar uma visão otimista do futuro, o filme retrata uma realidade sombria mas totalmente oposta às distopias de Aldous Huxley o George Orwell, onde uma minoria sagaz domina a maioria da humanidade. O protagonista acorda em uma sociedade dominada por idiotas – a Idiocracia, e aos poucos começa a perceber que ele é o ser mais inteligente da Terra. 

 

A idiocracia além do filme

Em meio à banalização da cultura (reality shows e programas televisivos ridículos (alô BBB e Regina Casé!), abolição da leitura de qualidade (alô ex-presidente!), animosidades e intolerâncias em pensamentos divergentes nos debates (alô blogueiros chapa branca!) e uma overdose de idolatria a tudo o que nos regozija sem a necessidade de usar um mero neurônio (alô seleção brasileira!), as pessoas medíocres foram bem aventuradas com vantagens na seleção natural e sua multiplicação aconteceu em uma velocidade muito mais rápida do que as pessoas inteligentes, o que foi ampliando cada vez mais toda a estrutura que legitimava essa sociedade dos idiotas. Uma espiral negativa viciosa. Muito distante de nossa realidade?

 
Algumas mentes acham que não. O escritor italiano Pino Aprile acredita que a estupidez em nosso planeta tende a crescer continuamente e deixou sua tese clara em seu livro “Elogio do Imbecil”: a inteligência, antes necessária para a evolução da espécie, tornou-se obsoleta, assim como nossa antiga cauda, pelos e o andar sob quatro patas.

 

Em tom pessimista, o autor advoga que a inteligência tem obstruído o mecanismo social, por chamar ao debate, por buscar rever procedimentos, por quebrar paradigmas e dificultar, através da sua ação, os trajetos habituais dos sistemas burocráticos, cujos principais devotos são o Estado e suas estruturas inerentes de corrupção.

 
 

A idiocracia como meta do Estado

De fato, segundo o autor, o poder de uma organização como o Estado será tanto maior quanto mais inteligência ele conseguir destituir da sociedade, o que torna o poder excepcionalmente perigoso. Regimes de esquerda (entendidos aqui como coletivistas) como o nazi-fascismo (Hitler e Mussolini) e o comunismo (Stalin, Mao, Pol-Pot e Fidel Castro) são exemplos bem documentados que concentraram suas forças para extirpar a inteligência de seu povo. A idiocracia era a sua meta.

Atualmente, a prescrição da mediocridade e seu controle é mais sutil, porém, ela continua a ser importantíssima para manter a ordem estabelecida por uma minoria. O idiota é a pedra angular para a manutenção de um sistema de poder, uma joia necessária por ser de fácil manipulação e por não fazer objeções às autoridades e regras vigentes. 

 
Dessa forma, o modelo que nos é imposto em velocidade cada vez maior, é a manutenção de um padrão de comportamento onde o esforço e o mérito baseados em ações de sua própria responsabilidade, não é importante. A pessoa que se opõe às estruturas vigentes, a pessoa que demonstra a inteligência para modificar o ponto de vista dominante é um empecilho.

 

Uma consequência da idiocracia: o nivelamento por baixo da sociedade

Sindicatos, por exemplo, lutam por reajustes salariais uniformes para a “classe” que representa, independente das ações individuais de cada um. Um nivelamento por baixo, sempre. Meritocracia é uma palavra ofensiva. E são esses exemplos que pavimentam nosso caminho em direção à idiocracia. Impedir cada vez mais o seu direito individual de usar sua liberdade como bem entender e mantê-lo preso a uma estrutura coletiva, com relativo conforto, que lhe ceifa a oportunidade de resolver seus próprios problemas. Como disse Sérgio Zavioli:

 

“Estatisticamente, o imbecil representa a maioria, mas não é assim: interpreta a humanidade (…). Porque crescemos, no fundo, graças aos problemas que somos forçados a resolver. E em primeiro lugar o da inteligência ou se preferir o da imbecilidade.”

 
E a preferência pela imbecilidade é a decisão que tem tornado-se mais comum hoje em dia. Um dos impulsos naturais do ser humano é o desejo de segurança, que impeliu vários potenciais filósofos de buscarem a verdade. Esse desejo de segurança é buscado hoje na adesão coletiva e nos arroubos mentais criados para caracterizar as preferências adequadas às circunstâncias, ao status quo.

 

Idiocracia por pactuar com o pensamento das massas

Olavo de Carvalho, em seu livro “O imbecil coletivo” já comentava que tais tentativas de romper com as ideias do sistema eram atenuadas pela sensação de refúgio de estar em dia com o pensamento universal, poupando tais atores de uma batalha aflitiva e reduzindo confortavelmente a energia do intelecto. Como diria bem Bertrand Russel (cujo primeiro casamento foi com uma Quaker), a despeito de suas ideias toscas de socialismo de guilda e sua obsessão pela ética ecocêntrica: “A maioria das pessoas prefeririam morrer a pensar. De fato, muitas o fazem”…

E antes de você achar que todo esse processo são assuntos para os outros, pergunte-se a si mesmo quantos livros leu o ano passado. Nesse ano, além de uma camisa amarela da seleção, quantos livros e novos ensinamentos você deu de presente para seus filhos? Quais são as estruturas que estão sendo (des)construídas pelas suas ações? Você está do lado do time que acolhe ou rejeita a Idiocracia? Liberdade demanda responsabilidade. Sempre.

 

* Para mais detalhes do filme veja esse blog.

 
 

 


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Exu
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Exu

A possibilidade de uma resposta
inteligente e eficaz,seria a formação
de uma classe de indivíduos
capazes que iriam por ordem
nesse puteiro a céu aberto.
A pergunta é,aonde eles estão???

André Rezende Azevedo
Visitante

Carlos, só por dizer ao final que é em governos de direita (e não esquerda) que o interesse do Estado prevalece sobre os interesses do povo, eu poderia também ignorar a leitura de seu comentário e deixá-lo sem resposta… Mas a diferença entre nós é que eu topo o debate, e você apenas "pára de ler" e não tenta pensar além da casinha… Primeiramente, eu coloquei no texto quando fiz essa afirmação, que o entendimento aqui da "esquerda" são movimentos coletivistas. E nisso, sim, o nazi-facismo foi um movimento de esquerda. A definição da "esquerda" pode possuir alguns vieses, mas… Read more »

carlosband
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Parei de ler quando disse que o nazi-fascismo era um governo de esquerda. . O regime ditatorial de Hitler nada tinha a ver com socialismo e comunismo… muito pelo contrário se fosse comoara-lo o comoararia aos governos de Direita. . Onde o interesse do Estado prevalece sobre o do povo..

André Rezende Azevedo
Visitante

Rick, é fato que o nível intelectual do que se lê corre sob um amplo espectro, mas conhecer, compreender, realizar debates internos e formar opiniões passam naturalmente por um amplo conhecimento do mundo que nos cerca. E nisso a (boa) leitura fornece um subsídio incontestável. A análise das relações das crianças talvez seja menos importante do que uma análise do mundo adulto, mais propenso e capaz de assumir responsabilidades. Infelizmente, isso muda pouco, mais por inveja, medo e uma natural clareza na própria incapacidade em acompanhar a evolução. Felizmente, porém, há muitas exceções.
Obrigado pelo comentário! Abraço!

Rick Sossai
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Rick Sossai

Outra coisa. A sociedade não vê com bons olhos pessoas inteligentes. Isso começa na escola, crianças que se destacam são chamadas de CDF, as outras crianças evitam amizade, por não serem "mal vistas".

Rick Sossai
Visitante
Rick Sossai

Assisti o filme e estava procurando opiniões sobre ele na net e achei aqui. Eu ainda acredito que a tendencia é a população ser cada vez mais inteligente ao passar dos seculos, porém não seria nada surpreendente acontecer isso no filme. Vejam que as pessoas mais estudadas(pra não dizer mais inteligentes), procuram ter o minimo de filhos possível, muita gente tem só 1, por que sabem das dificuldades, se organizam pra isso, enquanto os menos estudados tem de monte, e os filhos por não ter acesso a bons estudos, vão continuar isso, se multiplicando. André, só não gostei sobre ler… Read more »

André Rezende Azevedo
Visitante

Acredito que seja a mesma pessoa que "comentou" a outra postagem. Assim, repito minha resposta: "Obrigado pelos argumentos sólidos e impressionantes". Mostra o nível da idiocracia que vivemos e espelha bem o que eu pretendo demonstrar com as palavras desse blog.

Anônimo
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Anônimo

O sociedade já está assim. E graças a blogs como esse que acham que estão fazendo a diferença e mudando o mundo.

André Rezende Azevedo
Visitante

Sim, mas se pensarmos nos romances de Ayn Rand, o coletivo, o Estado, sempre será idiotizante. E estará por todos os lados. Mas quando pensarmos no indivíduo, isso independe do sistema que nos encontramos. O sistema dever apenas dar a liberdade para sua expressão. E os EUA ainda estão na vanguarda nisso. Mas concordo que com o Obama, em um lamentável retrocesso.

Anônimo
Visitante
Anônimo

Só acho curioso o Olavão falar em "tentativas de romper com as ideias do sistema" e "imbecil coletivo". Vindo de alguém que está encalacrado num dos mais antigos sistemas idiotizantes e mentalmente estagnantes do mundo, o Cristianismo fundamentalista, é bastante contraditório.