Greves na universidades públicas: o foco errado e suas consequências

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Eu migrei o blog da plataforma Blogger para WordPress em 27/10/2019.

Muitos artigos vieram com problemas de formatação, principalmente de centralização de widgets e espaçamentos não padronizados.

Estou refazendo os posts aos poucos, mas… como são mais de 200, vai levar um tempo. Se você está lendo isso é porque esse artigo ainda não foi contemplado.

Peço desculpas por ora. De qualquer forma, o texto integral está intacto.

Abraços!

Demandando dinheiro ao invés do interesse público (eficiência na gestão), a greve nas universidades levará à privatização ou à queda de qualidade de ensino.
Égio égio égio, eu quero privilégio!

As ações de professores e funcionários exigindo mais dinheiro e benefícios, e não eficiência de gestão, levará a consequências inevitáveis: a privatização do sistema ou à uma brutal queda da qualidade de ensino. É um claro exemplo do interesse privado acima do interesse público.

Estive hoje à tarde em uma aula na licenciatura da Unicamp para “reposição” das aulas do 1º semestre em função da greve na universidade, tema que preencheu, de fato, o maior período do encontro. A greve foi suspensa recentemente por tempo determinado pelos professores mas ainda está em vigor pelos funcionários. Saí decepcionado. A professora, provavelmente a melhor que tive no contexto das disciplinas da Faculdade de Educação, possui as mesmas ideias que estão levando esse país à bancarrota. Mas como diria Jack, vamos por partes…

 
Toda a primeira parte de seu discurso de justificação da greve foi sobre a (falta de) reposição salarial prevista para esse ano. A universidade alega gastar 96,5% de sua arrecadação em salários e não ter caixa para bancar o aumento. Claro que é uma notícia ruim para os professores e funcionários. Porém, apesar de nos últimos 12 anos os mesmos terem recebidos aumentos 152,52% contra uma inflação de 98,15%, a única saída encontrada foi a greve, prejudicando todos seus alunos e a comunidade atendida em suas instalações. A atitude fica ainda mais vergonhosa quando lemos sobre todos os benefícios que os mesmos possuem e suas condições fenomenais de aposentadoria, conquistas muito, mas muito distantes do trabalhador comum. São “direitos adquiridos” que na verdade, converteram-se em um gigantesco privilégio. A educação que se ferre, mas o socialismo de seus privilégios não está em pauta. Socialismo só é interessante com os deveres e o dinheiro dos outros.

 

É o interesse privado acima do interesse público, colocado em marcha justamente pelo grupo que discursa de forma tão veemente quando a temática é justiça “social” e a supremacia da coletividade. Hipocrisia é pouco.

Depois de quase uma hora ouvindo a professora defender a greve, perguntei o óbvio nunca lembrado: “De onde virá o dinheiro, uma vez que o orçamento das universidades está no limite?”. A resposta foi que dentro do “movimento” estão sendo discutidos muitos problemas em repasse de verbas pelo governo estadual, reajuste de percentuais do ICMS destinados à universidade e a ineficiência da administração pública. A princípio, concordo apenas com o último. A administração pública é totalmente ineficiente e corrupta. Para quem lê esse blog, mesmo que eventualmente, sabe exatamente o que penso nesse ponto.

Porém, lendo os boletins do sindicato dos funcionários da Unicamp, a exigência é apenas salarial. Nada mais que isso. Apesar de todos os privilégios em vigor, querem mais grana em seus bolsos, e não interessa quem irá pagar por isso. No caso do sindicato dos professores da Unicamp, o salário e benefícios ocupam o destaque das demandas (16 itens), a exigência de mais dinheiro para o orçamento da universidade vem longe, com apenas 3 itens e somente um tímido item pedia transparência na gestão. Ou seja, está tudo invertido.

E mais uma informação: os professores encerraram parcialmente a greve simplesmente porque receberam um abono no bolso. Não li nada que será alterado algo sobre a transparência da gestão. Isso mostra o que é de fato, importante para eles.

Mas como pode-se exigir dinheiro de uma entidade que não o possui? Ou se possui, esconde? Onde estão as provas? Não seria mais lógico as demandas serem direcionadas primeiramente a verificar a existência de recursos ou a viabilidade de aumentar a receita antes de pleitearem mais dinheiro?

Claro que a solução não passa por aumentar receitas, pois o que é ineficiente, será ainda mais. Tal ação só é possível tirando investimentos de outros setores, como saúde e segurança pública ou aumentando os impostos, algo que as universidades públicas já nos sugam em demasia. Vejam aqui que cada aluno da Unicamp já custa mais de R$50.000,00 ao ano para a sociedade, oriundos de um recurso que afeta proporcionalmente as pessoas mais pobres, por provir de um imposto sobre o consumo.

O ponto é: precisa-se PRIMEIRAMENTE ter o dinheiro para poder demandá-lo.

De qualquer forma, como escrevi no artigo acima, esse dinheiro não deve vir de mais repasses, mas sim de maior eficiência na gestão. Só assim será possível avaliar a possibilidade de continuar a dar aumentos e benefícios para os inconformados privilegiados. Avaliar se é possível manter mimos como o que foi aprovado ontem: funcionários da área da saúde da Unicamp agora não precisam mais trabalhar 40 ou 44 horas semanais como um trabalhador comum no Brasil. Trinta horas serão suficientes. E para manter mais esse privilégio, será necessária a contratação de quase 300 funcionários a mais. Com toda essa crise! O saco não tem fundo? Como a universidade vai continuar pagando seus aposentados – que com certeza terão mais anos de aposentadoria do que trabalho, contratando novos funcionários? Como essa conta vai fechar?

Não vai. Se a discussão não se voltar de fato para uma melhor eficiência e produtividade, ela se voltará para a privatização, palavrinha que amedronta a todos. Apesar de todos os serviços privados que conhecermos serem melhores do que os públicos, calafrios sobem quando se comenta que algo será privatizado. Realmente não dá para entender esse modelo mental. Especificamente na educação, eles acreditam que existe um argumento contra essa tese no ensino superior no Brasil. Creio que esse é o único caso que podemos dizer que o público, em média, seria melhor do que o privado.

Mas será que essa realmente é a discussão certa ou sim a tupiniquinzação que o Brasil faz com seu capitalismo, incentivando a prática de lobbistas no congresso? Quanto à privatização da educação: o ensino fundamental e médio é pior nas escolas particulares? E as melhores universidades do mundo: são públicas ou privadas? E na América Latina, onde a USP foi ultrapassada por uma universidade… privada! Creio que o buraco é mais embaixo. Argumentos precisam ser melhores do que simplesmente afirmar que educação não é mercadoria ou que a privatização come criancinhas.

E jogando o jogo do pensamento esquerdista que tudo distorce, os professores e funcionários usam esse viés de privatização como uma ameaça, uma causa para a criação dessas crises nas universidades, mas não percebem que são suas atitudes na verdade, que estão a alimentar essa possibilidade. A privatização não é a CAUSA do problema, mas sim uma das possíveis CONSEQUÊNCIAS.

Se eles quiserem evitar isso, precisam mudar de atitude e prioridade já. Lutar por eficiência e transparência na gestão pública, e não apenas por dinheiro. Pensar no enorme privilégio que já possuem, em comparação com o restante dos trabalhadores da mesma sociedade. Ou solidariedade só se faz com o dinheiro dos outros? E procurar fazer desse modelo, algo perene, pois agindo dessa forma, não vai sobrar nada em qualidade de ensino, que aliás, já foi muito melhor. Experiência própria.

Mais textos sobre Estado, hipocrisia e sociedade nessa página.

 
 

42 thoughts to “Greves na universidades públicas: o foco errado e suas consequências”

  1. Pode encerrar, isso não muda o fato de você ter dito coisas que não são verdade nos comentários e no artigo!
    As melhores do mundo não são privadas, são públicas!
    E o modelo que deve ser seguido no Brasil é o modelo europeu de instituições públicas! O modelo americano é único no mundo e jamais daria certo aqui ou em qualquer outro lugar que não seja os Estados Unidos!

  2. Felipe, apenas para deixar registrado como pessoas que bradam tolices como você possuem uma mente confusa ou desonesta: eu nunca disse, mesmo nas entrelinhas, que eu não gosto da Unicamp. Sempre gostei dessa universidade e devo muito a ela.

    O propósito do post é justamente encontrar um caminho para que a qualidade de seu ensino seja perene, revertendo o processo de degradação em que se encontra.

    Mas isso deixa claro que vc, no fundo, não entendeu nada.

    Encerro por aqui.

    Um abraço!

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