Corrupção, política e eleição: com o atual modelo mental estatista, há solução?


Algo está errado quando as pessoas exigem menos corrupção e reivindicam mais política estatal na nossa vida.

Estado e corrupção formam um elo tão forte que só poderá ser enfraquecido quando a concepção estatista for varrida do modelo mental de grande parte da população.

Como podemos iniciar essa mudança, mesmo que a conta-gotas, no país?


A cada dois anos, aponta-se uma nova eleição. Em 2016, entre notícias sobre futebol (fim da Copa) e política, voltei alguma atenção naquele quadro da Globo “Que Brasil que você quer para o futuro?”, onde as pessoas fazem um videozinho para ser apresentado nos telejornais contando qual a mudança que deseja para o país. Lembra dele?

É impressionante como não há variedade nos pedidos das pessoas. A principal pauta é, de longe, menos corrupção na política e suas variações, como desejo de prisão, diminuição de benesses e menos poder aos burocratas. O interessante é que muitos desses clamores emendam, nos mesmos vídeos, solicitações de mais educação, mais saúde, mais empregos e mais investimentos. Pelo Estado, é claro.

Esse modelo mental do brasileiro não surgiu agora, mas, apesar de ser fruto histórico de nossa colonização, piorou muito no século XX com a ditadura varguista, com o governo militar “amante do Estado” e com os governos de esquerda nas últimas décadas no poder. Alcançamos uma miséria intelectual que parece impossível chegar à Globo um vídeo pedindo “menos Estado e interferência política em nossa vida”. Eu ao menos, não vi nada parecido. A “massa” quer mesmo mais Estado e menos corrupção!

Política, corrupção e modelo mental estatal - Corrupt Legislation - Elihu Vedder
Corrupt Legislation, de Elihu Vedder

Pedir menos corrupção na política e mais Estado é uma grande confusão mental

Em vários textos desse blog enfatizo constantemente a relação da enorme influência do Estado em nossas vidas, o que gera um notável e intrincado convívio entre a política e corrupção. Apesar de tal relação ser evidente, as pessoas elegem o Estado como o principal provedor de suas necessidades e supressão de suas angústias, sem perceber que tais demandas incrementam as teias por onde a própria corrupção se desenvolve.

Solicitando mais interferência do Estado em nossa vida, ampliamos o poder dos burocratas e tornamo-nos ainda mais susceptíveis às condições para o abuso desse poder. A corrupção não existe por si só, mas é uma consequência de um gigantismo estatal que a maioria da população, infelizmente, demanda cada vez mais.

Quando era ativo no Facebook há alguns anos, uma das minhas postagens mais compartilhadas foi:

“O problema não é aquele ou esse juiz (ou político). O problema é o SISTEMA. Muda-se o sistema diminuindo o PODER POLÍTICO dos burocratas. Diminui-se o poder político quando clamamos por MENOS ESTADO. As pessoas que lutam por MAIS Estado e MENOS corrupção têm uma grande confusão mental para resolver”.

É primordial enfatizar que, por mais tribunais e CPIs que sejam criados, por melhores que sejam as intenções dos políticos e juízes, não há como evitar a corrupção com o poder e a subserviência política que atualmente legamos ao Estado. A solução passa por diminuí-lo e criar caminhos para que tais ações de eliminação e restrição de seu poder sejam definitivas. Quaisquer medidas em outra direção, justificadas por demandas da população, gerará mais corrupção.

Os tentáculos do Estado

A estrutura estatal, arquitetada sobre uma fachada de incentivo ao crescimento do país e assistencialismo social, ramifica-se em diversas áreas e encontra-se presente por toda parte. Seja no poder executivo, legislativo ou judiciário, assusta o alto número de funcionários, todos com salários e benefícios muito além da razoabilidade.

Não contentes com o privilégio, muitos usam sua posição para exercer poder e favorecimentos sobre a iniciativa privada conivente em troca de ajuda financeira e política.

Os tentáculos e o poder dessa imensa estrutura alcançam muito além do círculo político eleito se considerarmos as nomeações de cargos comissionados de empresas como Petrobrás, Eletrobrás, Correios, CEF e BB, designados totalmente para fins políticos em troca de favores. Agências reguladoras, como ANATEL e ANEEL têm uma imensa influência de favorecimento sobre várias empresas privadas, enquanto toda a rede de assistência social, educação e saúde expõem infindáveis casos de imoralidades.

É notório o poder que todo esse arcabouço sórdido exala. Em todos os níveis hierárquicos, as facilidades vendidas pelos burocratas estão disponíveis para quitar favores anteriores e gerar benesses futuras, enriquecendo paralelamente os próprios ocupantes desses cargos.

O universo da corrupção abrange desde fatos constantemente expostos na mídia, como as compras de votos (mensalões) e as inúmeras ramificações da Laja-Jato, até a  divulgação de episódios muitas vezes desconhecidos pelo grande público, como as irregularidades de hospitais na compra de medicamentos de laboratórios.

Soma-se ainda a isso o poder mais perverso: a distribuição de “bondades” visando a formação de um curral de eleitores para garantir os votos da próxima eleição. Os políticos mais desonestos usam a condição de miséria econômica e intelectual do povo para oferecer migalhas, colocando-se como o paladino da virtude e da bondade. Oferecem pouco e retiram muito das mesmas pessoas, sob a forma de impostos e, normalmente, restringindo suas liberdades.

Infelizmente, as pessoas reagem de forma imediata ao seu ambiente e às supostas facilidades oferecidas, e, sem a consciência dessas restrições aos seus atos e pensamentos, terminam por entregar poder excessivo aos atores públicos, sob a condição de aceites, acordos e propinas. Nesse círculo de concentração de poder, até os mais dispostos a lutar pela honestidade e lisura das ações poderiam tornar-se vulneráveis, pervertendo-se dentro do sistema.

Em seu aclamado livro “A Revolta de Atlas”, Ayn Rand escreveu sobre os burocratas:

“Então o senhor verá a ascensão daqueles que vivem uma vida dupla, que vivem da força, mas dependem dos que vivem do comércio para criar o valor do dinheiro que eles saqueiam. Esses homens vivem pegando carona com a virtude.Numa sociedade onde há moral eles são os criminosos, e as leis são feitas para proteger os cidadãos contra eles. Mas quando uma sociedade cria uma categoria de criminosos legítimos e saqueadores legais – homens que usam a força para se apossar da riqueza de vítimas desarmadas – então o dinheiro se transforma no vingador daqueles que o criaram.Tais saqueadores acham que não há perigo em roubar homens indefesos, depois que aprovam uma lei que os desarme. Mas o produto de seu saque acaba atraindo outros saqueadores, que os saqueiam como eles fizeram com os homens desarmados.E assim a coisa continua, vencendo sempre não o que produz mais, mas aquele que é mais implacável em sua brutalidade. Quando o padrão é a força, o assassino vence o batedor de carteiras. E então esta sociedade desaparece, em meio a ruínas e matanças.”

Ou seja, estamos, ao final, alimentando um círculo vicioso que não condiz com o progresso de cada um de nós. Qual a mudança que a sociedade deveria promover para prevenir essa distopia?

Soluções para diminuir a corrupção

A única forma de interromper essa forma degradante de política instituída e alimentada pela corrupção é a diminuição do poder estatal. A ação principal é obstruir o fluxo desses acordos que envolvem o enriquecimento ilícito e “favores” entre o setor público e privado, de forma que o governo não se utilize de seus cargos e contratos para expandir ainda mais o seu poder. 

Privatizar as mais de 130 empresas estatais federais e outras centenas pertencentes aos estados seria umas das principais ações. Uma privatização de fato “para” a população, dividindo e entregando suas ações a cada CPF, cujo dono poderia comercializá-las da forma que melhor lhe conviesse. Veja como isso poderia ser feito, com inclusão social, para a Petrobrás.

Em um segundo momento, será necessário privatizar também as estruturas da saúde e educação, com um período de transição onde o papel do governo deveria ser apenas de distribuir vouchers à população realmente necessitada, ideia defendida por Milton Friedman. Nessa situação, o Estado não veria impedido seu suposto dever de promoção à saúde e educação básica à população, oferecendo-o, portanto, dentro de um sistema de livre mercado.

E, entre outras medidas, eliminar todas as agências de regulação e implantar de fato, o livre mercado no país, estabelecendo o real conceito de uma livre concorrência, onde o consumidor – e não os burocratas, ditará os rumos da economia.

É claro que isso não pode nos levar a acreditar “polianamente”, que todos os problemas da sociedade estarão resolvidos, mas é um passo importante na direção correta. A aplicação de todas essas ações gerariam principalmente, uma mudança no gerenciamento de negócios das empresas: ao invés de se preocuparem em alimentar lobbies no governo, os empresários investirão seu tempo e riqueza em produtividade, proporcionando melhores produtos a preços mais justos. O círculo, antes vicioso, se tornaria virtuoso.

Com essa gradual diminuição de poder governamental, verificaremos, eleição a eleição, uma mudança no perfil de candidatos. Uma vez que os futuros políticos conscientizarem-se que manobras ilícitas serão cada vez mais inacessíveis, teremos naturalmente pessoas mais dispostas a trabalhar honestamente para uma melhor administração, e não para seus próprios bolsos. Não é uma mudança rápida, porém é um caminho efetivo e estável, uma vez que ataca a real raiz do problema. Os elos entre um e outro, política e corrupção, começarão a ser desfeitos.

Nesse intento, a grande maioria da população precisa mudar radicalmente o seu modelo mental de achar que as coisas devem ser resolvidas pelo Estado. A transformação vem de baixo para cima. As pessoas precisam assumir que sua desilusão com a política provém da expectativa que possui em relação ao governo. E, principalmente, assumir com protagonismo a responsabilidade pelas suas próprias escolhas e pelo seu destino.

Meios para implementar as soluções – eleições

Gosto muito dos princípios conservadores de Russel Kirk. Em um deles, o filósofo procura encontrar o equilíbrio entre a permanência e o progresso. Precisamos manter certos princípios que nos leguem a continuidade e estabilidade, além de nos guiarmos prudentemente ao aperfeiçoamento. Este, para ser perene, precisa ocorrer em harmonia com a estrutura da sociedade vigente.

Portanto, não defendo nada que se assemelhe a alguma forma de revolução: como diria Kirk, ela pode produzir um monstro, um câncer que devorará seu próprio hospedeiro. O meio que temos atualmente para mudar essa condição é o voto nas urnas.

Tenho alguma empatia nas pessoas que não acreditam nesse método: considerando nosso histórico de votações, não podemos nos animar muito que os brasileiros farão a coisa certa. Mas precisamos crer em um trabalho de formiguinha, cujos substanciais resultados sejam colhidos não pelos nossos filhos, mas quiçá, pelos nossos netos e bisnetos.

Nesse sentido, convido os leitores a visitar a página do Partido Novo e conhecer melhor suas diretrizes de criação, pensamento e propostas. O Novo já se distingue inicialmente por não utilizar o fundo público partidário: ele é mantido apenas pelos seus associados e doações. É um modelo que já quebra, desde seu nascimento, a espinha dorsal na transferência de dinheiro público servindo ao poder político.

As propostas liberais do partido têm alcançado uma grande repercussão, mas é necessário muito mais para que isso se converta em votos ao final do ano. Afinal, a maioria dos brasileiros não costuma envolver-se com política seriamente. E a sua influência para disseminação das ideias pode ser decisiva!

Desafio os leitores a responder uma simples pergunta: se vocês são contra a corrupção para valer, que tal dar a chance para figuras novas com capacidade, boas propostas, ideias coerentes e vontade, de fato, de mudar a política? O partido possui candidatos a todos os cargos executivos e legislativos na maioria dos Estados. Que tal procurar a votar certo dessa vez, desde o vereador até o presidente da república?

Entendo sua possível incredulidade: eu já me decepcionei com pessoas públicas e também considero-me cético na ocorrência de mudanças nesse país. Precisamos, porém, dar crédito àqueles que desejam fazer diferente e pregam o discurso correto. Isso não é, entretanto, um salvo-conduto definitivo: precisamos estar sempre vigilantes para que as ações sejam compatíveis com seus discursos. Os vereadores eleitos até agora pelo Novo, parecem, felizmente, seguir esses preceitos.

Além do mais, que alternativas possuímos? Sinceramente, você pensa que algum tipo de revolução ou então, sua ausência nas urnas seriam alternativas coerentes para o longo prazo? Seria inteligente votar nas mesmas pessoas?

Mesmo jovem e pequena, quem sabe podemos plantar uma semente que florescerá no tempo? Precisamos, porém, colocá-la na terra já, sem demora. Outubro está aí! Convido a deixarmos o voto do “menos pior” para o segundo turno e fazer valer no primeiro, a mudança que queremos, de fato, ver em nosso país.

Você já conhecia o Partido Novo? Pretende conhecê-lo? Como está pensando em agir nas próximas eleições?

Explore mais o blog pelo menu no topo superior!…
Ou leia um pouco de minha história aqui ou então, ouça a entrevista que fiz para o podcast do blog SRIF365.

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