A fantasia e a ética tacanha de Robin Hood na política e sociedade


Em 2018, estreou um novo filme de Robin Hood, herói mortalizado nos desenhos e livros infantis. Mas qual a concepção de ética do herói que ficou?

Será a ação de alguém que quis fazer justiça contra os roubos do Estado perante ao povo ou será a história disseminada e fraudulenta de que as riquezas devem ser redistribuídas através da força e da coerção estatal?

Qual das duas versões você prefere aceitar no filme? A atitude libertária ou a atitude imoral?


No segundo semestre de 2018 foi lançada nos cinemas uma nova versão do clássico herói inglês do século XIII, onde a corrupção da monarquia é o alvo do bando do herói. Esse é um roteiro que se assemelha mais com os folhetins originais da história real, ou seja, a caracterização de Robin Hood como um anti-herói libertário.

É, entretanto, uma versão é bastante diferente da fantasia que os governos de hoje – e principalmente a esquerda “progressista”, usa para caracterizá-lo: a ideia limitada de um herói que rouba dos ricos para dar aos pobres. É uma distorção de conceitos usada hoje politicamente, desde a infância, para nos empurrar pautas socialistas goela abaixo.

Robin Hood: que tipo de herói ele é para você?

Robin Hood: o anti-herói libertário

Os primeiros folhetins referentes à lenda de Robin Hood não contam sempre a mesma história da origem do personagem. Porém, todos eles concordam que o sentimento de injustiça que impulsionou suas ações deveu-se ao excesso de poder e as benesses confiadas aos membros da monarquia. Ou seja, ao tamanho de poder do Estado.

Na mais famosa história, o cavaleiro Robin Hood chega de uma cruzada e vê sua aldeia oprimida pela tomada de terras e abuso das leis do Estado, prejudicando a vida de seus semelhantes. A partir dessa indignação, ele arregimenta outros guerreiros para oporem-se à prática ilícita dos donos do poder da época.

Robin Hood era assim uma das vítimas da opressão do Estado, assim como somos atualmente, principalmente nas sociedades coletivistas e progressistas. Apesar de conscientes habitantes de países como a Venezuela e Cuba viverem isso no dia a dia, não é muito difícil entender como praticamente toda a população da Terra possui um grau de submissão ao Estado.

Provavelmente, esse herói seria hoje um libertário massacrado pelos socialistas, uma vez que se oporia aos impostos e leis imbecis prescritas pelo Estado. Justamente o contrário do que eles pregam. Mas eles arranjaram um jeitinho de fazer o personagem trabalhar para seus interesses.

Caso haja interesse em conhecer mais sobre as táticas utilizadas pelo socialismo para arregimentar corações e mentes, leia “Sobre socialismo e comunismo: e emoção e a intenção vencendo a razão” e também “Subversão ideológica e Yuri Bezmenov: o atalho a um estado totalitário“.

Robin Hood e a história que ficou na fantasia coletiva

A história desse personagem foi, infelizmente, distorcida para se ajustar aos padrões globalistas no mundo atual. Embora mantenha a ideia central da realização de justiça, ela traz confusão ao colocar ao lado do inimigo as pessoas que produzem riqueza, e não aqueles que originalmente não produziam: o Estado e sua nobreza.

Robin Hood de esquerda: justiceiros com o dinheiro dos outros
Robin Hood de esquerda: justiceiros com o dinheiro dos outros

Se fôssemos agir hoje como Robin Hood, nossa atitude deveria ser contra o Estado e todos seus asseclas, sejam diretamente os políticos propriamente ditos ou toda a rede que se beneficia desse arranjo. E não atribuir a essa organização o papel de justiceiros. Essa  inversão de papéis esconde e acoberta que o Estado é uma instituição corrupta por natureza e nunca será responsável por alguma natureza de justiça social.

O Estado funciona, notadamente, como um Robin Hood às avessas: ele extrai dinheiro, através dos impostos, das pessoas que produzem e distribui a maior parte para seus correligionários, incluindo maus empresários. Para manter seu status quo, oferece migalhas aos mais pobres pretensamente para ajudá-los, mas principalmente para manter seu eleitorado cativo. E a esquerda tenta aparentar que, ao assumirmo-nos na pele do anti-herói, deveríamos estar a favor desse conluio.

O fluxo de riqueza de uma nação, quando não desvirtuado pelo Estado, é naturalmente orientado para as pessoas e setores eficientes e eficazes, através do esforço despendido de cada indivíduo produtor. É claro o quanto é imoral a retirada, por alguém ou entidade, de parte da riqueza de quem honestamente a conquistou e entregá-la a quem não demandou esforços correspondentes. Essa é atividade principal dos burocratas estatais e empresários favorecidos pelo sistema, beneficiando setores improdutivos da sociedade e perpetuando essa lógica nefasta.

Usar a lenda de Robin Hood para defender esse sistema é utilizar um suposto atestado de integridade que os entusiastas da distribuição não possuem, uma vez que distorcem totalmente a história original desse personagem de nossa infância. O verdadeiro Robin Hood lutava contra o Estado, suas leis e privilégios, e não contra os empresários que produzem riqueza. Não consta em nenhum folhetim antigo que ele lutava contra os produtores de cereais e comerciantes da época.

Robin Hood e Ayn Rand

Ayn Rand, em seu clássico “A Revolta de Atlas”, usou dessa distorção moderna da história original da Idade Média para explicar como é tacanha a ética do Robin Hood moderno, defendida por pessoas com dissimulados atestados de integridade e de auto-atribuições de paladinos do bem. Embora a imagem que ela fazia do anti-herói seja equivocada, ela possuiu a grandeza, entretanto, de massacrar tais atos, tidos como solidários e mostrar a gravidade desse simbolismo no mundo atual. Diz a autora:

“(Robin Hood) é tido como o primeiro homem que assumiu ares de virtude por fazer caridade com dinheiro que não era seu, por distribuir bens que não produzira, por fazer com que terceiros pagassem pelo luxo de sua piedade. Ele é o homem que se tornou símbolo da ideia de que a necessidade, não a realização, é a fonte dos direitos; que não temos de produzir, mas apenas de querer; que o que é merecido não cabe a nós, e sim, o imerecido. (…) É essa criatura infame, esse duplo parasita que se alimenta das feridas dos pobres e do sangue dos ricos, que os homens passaram a considerar ideal moral.”

Percebam os leitores que essa versão moderna e distorcida do caráter de Robin Hood demonstra que:

  1. Ele nada produzia. Assim como o governo e os burocratas;
  2. Ele distribuía o dinheiro dos outros, não o seu (com a retenção de seu quinhão, pois ele precisava também de comida, diversão e arte, afinal ninguém é de ferro). Assim como o governo e os burocratas;
  3. Ele estimulava a ociosidade, já que, ao invés de promover a realização, propiciava a necessidade como fonte de direito, tornando as pessoas dependentes. Assim como o governo e os burocratas;
  4. Ele sugava tanto os pobres como os ricos e legitimava uma ética que justifica atos imorais (meios) baseados em valores (fins) alegadamente justos. Assim como o governo e os burocratas.

A adulteração da história como impulso às “causas”

Esse personagem moderno representa fielmente um dos pilares dos discursos atuais da esquerda. Sem constrangimento, eles o denominam de “herói” justamente porque agia dessa forma. Adulterar a história, relatos e a realidade, para serem usados em prol de seus interesses é uma atitude padrão dos socialistas. Isso George Orwell já no ensinava no livro 1984, com a novilíngua impondo as novas verdades.

Taxa Robin Hood: distorção da história para pilantragem
Taxa Robin Hood: distorção da história para pilantragem

A história é recheada de exemplos. Ocorreram na antiga URSS e na falsificação de fotos históricas. Ocorreram nos EUA e a tomada do termo “liberal” pelo Partido Democrata. Ocorreram na construção do “herói” Che Guevara e de como a Revolução Socialista fez bem ao povo de Cuba. Lembrem dos absurdos contados à população norte-coreana. Ainda virão histórias trapaceiras contando os benefícios do socialismo para a Venezuela e sua parcial implantação no Brasil. Podem esperar.

A epopeia real de Robin Hood deve ser mais divulgada, para que não fiquemos apenas com narrativas e ideias adulteradas de seus feitos. Tirar dos ricos e dar aos pobres é imoral. A maioria dos milionários tornou-se rica porque produziu algo de bom para a sociedade. O lado negro da força está, na verdade, em meio ao grupo liderado pelos burocratas estatais, que nada produz, cria dificuldades para a população e cuja fortuna provém de atividades ilícitas.

Você assistiu esse novo filme de Robin Hood? Qual foi sua impressão? Ele mostrou mais a face original da história? A de um cidadão comum, saturado com o peso do Estado em suas costas e que, junto com seu bando, decide fazer justiça com as próprias mãos? Sua ação foi retomar um dinheiro que já teria sido roubado da população, devolvendo a quem originalmente lhe pertencia? Ou ainda ficou calcado muito na distorção histórica?

Agir literalmente como Robin Hood hoje, pode ser muito mais perigoso do que na Idade Média. Hoje não existem muitas florestas de Sherwood para se esconder, e em função do poder do Estado, o saldo de tais ações não devem ser positivo para o indivíduo.

Mas os leitores podem atuar na divulgação entre seu meio, das ideias originais. Precisamos convencer as pessoas do quão é nocivo para a sociedade esse arranjo de um Estado poderoso como a esquerda pleiteia, com menos romantismo e indignidades travestidas de benevolências.

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